Tá, eu confesso, fui acometida pelo mal do ciúme. Isso não me orgulha em nada, mas é um fato que já não consigo esconder. Liliane, minha amiga desde a terceira série primária, está assustada. Diz que nunca me viu assim. E ela está coberta de razão.
Por que tanto ciúme? Bem, os mais imediatistas dirão que é a distância. Eu, aqui. Ele, na Austrália. OK OK, isso pode até ajudar, mas não é o mais importante.
Acredito mesmo que traumas de relações anteriores me deixaram assim, tiraram alguma da muita confiança que sempre tive em mim. Não me reconheço mais. Não sou a menina cheia de si, a menina que eu era aos 20 e pouquinhos. E, acredite, isso não tem nada a ver com a idade. Algo mudou nos últimos 14 anos. Minhas relações mudaram. Me modificaram.
Me tornei uma pessoa ciumenta. Não que isso seja ruim. Meu ciúme não é doentio, que isso fique bem claro, está longe de ser. Mas o fato de sentir isso já é estranho para mim. Sei lá, acho até que deveria comemorar, não?