Não me peça….

…. para ficar calma. Não diga que não é nada. Nem que vai passar. Hoje não. Me deixe sofrer. Sim, eu sei que tudo passa, mas me reservo o direito a chorar e arrancar todos os meus cabelos no dia de hoje. Há pouco mais de uma hora estava na minha dermatologista e ela constatou o que eu já temia: minha doença (esclerodermia) está ativa.

Sim, depois de 10 anos de estagnação, umas manchinhas voltaram a nascer. São pequenas e não deveria me preocupar muito. Mas, na boa, isso é impossível. Só de saber que a doença tá ativa fico pensando: será que vai se transformar em sistêmica? Já marquei a reumatologista para segunda-feira. Os exames que ela vai me passar irão determinar isso. Se for verdade, a morte é mais real e próxima do que nunca.

Sim, eu você, todos nós vamos morrer um dia. Talvez hoje, sei lá. Nunca sabemos. E por não sabermos levamos a vida como se a morte não fosse uma possibilidade. Ser lembrada disso é que é o problema. Por isso me reservo o direito de chorar.

Sei que é uma doença diretametne ligada ao meu estado emocional e passei por muitas decepções no último ano. Impossível não ligar uma coisa a outra. Tenho vontade de xingar umas pessoas, de mandá-las tomar no cú. Mas isso não resolve, não me cura.

Vou fazer o possível. Começo o tratamento, que é horrível, às 9h de segunda e às 11 vou na reumato.

Pq estou escrevendo sobre isso aqui? pq é a forma mais rápida de contar a todos os meus amigos o que está se passando. Não quero falar sobre isso, não agora, não pelo telefone. Não me sinto preparada. Até pq já sei o que vou ouvir. As pessoas vão querer me consolar. É natural, comprensível. Foi o que minha mãe fez. Foi o que minha irmã, que é médica fez. Elas dizem que não posso me estressar, que faz mal. Sim, eu sei que faz mal, mas preciso de um dia ao menos pra chorar, pra sofrer.

Minha irmã me pediu calma, mas ontem ela deu um ataque com sua filha, de 2 anos, pq a pobre menina encostou no pé dela que estava dormente. Na boa, não venha me pedir calma, paciência. Depois, ela sacou que não me consolou e já me ligou 3 vezes, em menos de 40 minutos, para dizer que me ama. Sim, é fofo, é lindo, mas isso me deixa mais triste. Parece mesmo que vou morrer.

Minha mãe quer que eu vá pra casa dela à noite. Não sei, acho melhor beber e tentar esquecer. aproveitar a vida. Sim, eu sei que isso não resolve, mas ajuda. Sim, estou me expondo, mais uma vez, mas OK, não me importo. Aliás, me importo cada vez menos com o que os outros vão pensar de mim. Impossível não relativizar as coisas, a vida. Queria poder viajar.

Música do dia

A música do dia de hoje é Talk, do Coldplay. Eis uns trechos foda !

I’m so scared of the future and I want to talk to you …

… Are you lost or incomplete
Do you feel like a puzzle
You can’t find your missing piece
Tell me how do you feel…

….So you don’t know where you’re going but you want to talk

Samba do criolo doido !

Constrangedor. Sim, foi mega constrangedor ver Martinho da Vila sair do cinema Odeon na noite de ontem após a avant première mundial (e dernière, provavelmente) do longa A Magia do Samba no Festival do Rio.

Fui com 4 amigos. Karla, Anabelly e Cabeça desistiram na metade. Foram pra casa. Eu e Daniel decidimos ficar e, acredite, valeu a pena. Rimos muito das situações non sense do fime. Até agora não sabemos qual a proposta. O que o roteirista e diretor inglês Teddy Hayes queria ? É indecifrável !!!

Acredite, sobrou até para São Jorge. Sim, o santo guerreiro matou uma pessoa no filme, um cara da imigração que perseguia brasileiros ilegais em Londres. Ah! Como assim? É, vc não leu errado, o cara tinha problema com brasileiros pq sua esposa o largou por um belo exemplar tupiniquim. Bem, o cara em questão estava perseguindo uma brasileira, foi atropelado e morreu, simples assim. O vilão do filme morreu atropelado.

E as cenas dramáticas… nossa eu ri em todas. Até na hora em que um coroa chamado Antônio estava enfartando. Sim, o cara morrendo e a impossibilidade de chorar era tamanha que só rindo mesmo. Bem, este Antônio era de Curitiba e se dizia amigo de marinho há 52 anos. Ele estava na Europa há 40 anos e a imagem que apareceu dele, na boa, qtos anos ele tinha qdo matou um cara no Brasil? As datas não batem de jeito algum. E o reencontro dele com o Martinho em Londres? Nossaaaaaa foi muito bizarro mesmo. O cara fugiu de um hospital para ira té o tal clube de samba em Londres. Chegando lá, deu um abraço no ‘amigo’ e morreu em seguida, sozinho, nos bastidores. dããããããã Nem vou mencionar a cena ridícula dele reencontrando com a mulher já falecida no hospital. Foi uma visão muito estranha.

Lá pelas tantas, Martinho da Vila aparece de camisa vermelha e branca (ah???? pq? como? a vila não é azul e branco), desfilando nuam escola chamada Paraíso. Mais uma cena non sense. Fiquei com pena. O cara não merecia esta falta de respeito.

Prefiro não comentar o mini-flashback que uma das atrizes teve sobre a morte de seu marido no Brasil. O que era aquilo???

E a trilha sonora?? Cara, o que dizer sobre as músicas? Algumas de Martinho (que ganharam traduções bizarras para o inglês) e outras, piores ainda, do próprio Teddy Hayes. O filme pretendia mostrar um concurso de samba em uma boate londrina e, acredite, o longa acabou sem o concurso. Pq? Alguém sabe explicar?

Platão e o amor

Esta semana começei a reler O Banquete, de Platão. O mais interessante até agora é que estou com um olhar bem diferente sobre tudo o que lá está escrito. Os 10 anos de distanciamento da primeira leitura parece que fizeram surtir algum efeito.

Para Platão, e tenho que concordar com ele, existem vários níveis de realidade. Não apenas o que é visível, mas, principalmente o que é invisível.

O livro, para quem não leu, reúne sete peças, são discursos de elogios ao Amor. Os vários discursos se ressentem na dificuldade: ou não mostram a face do amor ou não revelam a da virtude.

Em seu discurso, Sócrates defende que se eros é eros da beleza, ele não pode ser belo porque se ele é eros da beleza é porque ele não tem a beleza ou tem medo de perdê-la.

Parece confuso, mas não é. O princípio é que Amor (Eros) é eros de algo. O algo de que eros é eros, é porque ele deseja e desejar é incompatível com possuir. Quem deseja, não possui.

Desejo sempre é falta, defende Sócrates, que defende ainda que o amor é um tipo de delírio.

Sorte e azar

Já me considerei uma pessoa de sorte. Ganhava todas as rifas, bingos,…. agora… tá foda. Ontem fui fazer um frila numa festa do mercado segurador. Uma chatice só, mas valia ficar apenas, mesmo depois de ter feito todas as entrevistas, por causa do sorteio de 3 TVs LCD de 32′

Acredite: não ganhei nenhuma delas. Pior, um cara rico ganhou uma. Pior ainda: a amante dele ganhou outra. E eles nem foram convidados, foram de bicões. Na boaaa isso é que é sorte… deles.. azar o meu !

Agilidade e Culpa

To impressionada com a agilidade do carinha de 37 anos que tá saindo com minha amiga. To falando daquele case, em que eles se conheceram em um casamento. Pois bem, ontem o cara levou uma cafeteira pra casa dela e colocou uma escova de dentes no banheiro. Como assim?? Em menos de 2 semanas?? Ela ficou assustada, claro, mas foi o que conversamos: melhor encara logo.

Ela tem medo de se envolver demais, se magoar ou, pior, magoar o cara. Sim, eu e ela jogamos no time que pensa que é pior ser amado sem corresponder do que amar sem ser amado. Acho que não há nada pior do que ter o sentimento de pena por uma pessoa. Quem nunca sentiu isso?

Acredite, é horrível saber que a gente tá em outra e que uma pessoa sofre por nós. Nos sentimos culpados por nossa felicidade. Que merda né. Acho que a culpa é uma das piores coisas que um ser humano pode sentir. A culpa é opressora e limitadora.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

Sabia que “viver não dói…. O que dói é a vida que não se vive”.
Definitivo, como tudo o que é simples nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável….um tempo feliz.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos….

Por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e Não compartilhamos….

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade Interrompida….

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar…

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

Lindo este texto de Emílio Moura, né? Foi enviado por uma amiga queria. Obrigada.