Rotina

Entre as muitas coisas bacanas do espetáculo da Elisa Lucinda está o conceito de que a rotina não é a grande vilã da nossa vida. Até porque, pense bem, somos nós quem fazemos nossa própria rotina. Logo, se falamos mal da rotina, estamos falando mal de nós mesmos. O poder de decisão das coisas está sempre, ou quase sempre, nas nossas mãos. O que faz a diferença é a postura que adotamos diante da vida.

Diante de um fato, problema, podemos adotar uma postura derrotista ou seguir em frente. Tenho escolhido a segunda opção. Mas, acredite, não é tão fácil quanto parece. O bacana da peça é, como já disse, seus vários conceitos. Muitos deles eu já havia percebido. O de cárcere, por exemplo, é um deles.

A maior dificuldade é a gente identificar nosso cárcere e o que podemos fazer para nos livrar dele. Os meus cárceres, graças a Deus, eu já identifiquei. E posso até mesmo dizer que tenho tentado me livrar deles. O último fim de semana foi uma tentativa. Poucas horas, umas quatro pra dizer a verdade, me separaram do meu objetivo. Não foi desta vez, mas ainda não desisti de me livrar deste cárcere.

Outro conceito babaca abordado é o do orgulho. Como deixamos de fazer várias coisas por orgulho. E o orgulho nos leva pra onde? Orgulho é uma das coisas mais idiotas que existem.

Há pouco mais de um ano, um mix disso tudo (cárcere e orgulho) estava no centro da minha vida. Na época, eu tinha acabado de me separar. Foi um relacionamento longo, oito anos, e a separação foi bem difícil. Eu, se pudesse, não teria me separado. Mas não tive muita escolha. Na verdade, até tive, poderia dar um jeito, fazer alguns acertos e tal… mas achei que não valia a pena. Hoje tenho certeza de que a separação foi a melhor escolha.

Lembro, que logo no primeiro mês eu não conseguia falar para as minhas amigas o real motivo da separação. Era Copa do Mundo e fui assistir a um dos jogos com a mulherada na casa de uma amiga. Ali, diante de todos, não tive coragem de falar a verdade e, acredite, coloquei a culpa na rotina. O que era uma grande mentira. Pois bem, disse para todas que o casamento tinha desgastado, que a rotina foi foda, que os 8 anos e blá, blá, blá.

Na verdade eu não conseguia dizer que o maluco tinha se apaixonado por outra que, segundo ele, nunca tinha visto pessoalmente. Era uma menina que trabalhava na mesma empresa que ele, em outra cidade, bem longe, e, por conta do trabalho, eles se falavam todos os dias por tel e e-mail. Dizia que me amava, não queria se separar, tinha me dado uma aliança há 20 dias, se dizia o mais apaixonado e tal… mas, para mim, era impossível manter este relacionamento. E, acredite, o orgulho passou longe disso tudo. Foram outros valores, outros sentimentos.

Aliás, hoje, com o distanciamento, percebo que este era um relacionamento que nunca deveria ter ido adiante. Ele é uma ótima pessoa, um excelente amigo. Ainda nos falamos e ele é um fofo. Ele é um príncipe de uma festa de 15 anos, como diz uma amiga minha, mas nunca devemos casar com o príncipe. A gente dança com ele e passa adiante. Guarda apenas as boas histórias, a memória da valsa.

Mas ele é, sem dúvida, uma boa pessoa, com o coração enorme. Se preciso de grana, ele me oferece. Se preocupa em saber sobre minha sobrinha, que é afilhada dele, sempre se preocupa com o estado de saúde do meu avô, quer notícias e tal.. não tenho do que reclamar. Tem um ótimo caráter, mas não era para ser.

Deveríamos ter rompido pra valer em uma das muitas ocasiões de rompimento. Volta e meia a gente terminava por uns 10 dias. Depois voltávamos mais apaixonados. Ele sempre dizendo que o amor dele valia pelo de nós dois. Perdoou traições e frases que jamais deveriam ter sido ditas. Mas, foi como disse a ele, por e-mail, outro dia. No fim, o saldo ainda é positivo. Poderíamos sim ter nos poupado de muito sofrimento. Mas que graça a vida teria? Não sei, tenho lá minhas dúvidas.

Tudo isso para dizer que a rotina passou longe do nosso problema conjugal. Pelo contrário, nós dois reconhecemos que nossa rotina, nossa vida, era ótima. Foram as mágoas, os ressentimentos não ditos, os objetivos de vida díspares, vontades opostas… enfim, muitas coisas que nos separam. Nada, mas nada mesmo, que passasse perto da rotina. Aliás, acho que a vida de casada é excelente. Não tenho do que reclamar. A gente viajava bastante, se diveria muito e é bom saber que temos com quem conversar e conta quando chegamos em casa.

Ao contrário de algumas amigas traumatizadas com o fim de seus casamentos, continuo querendo encontrar um novo amor, alguém em quem possa confiar e que confie em mim. Não estou vestida com uma armadura. Estou pronta pra outra, ou outras, como costumo dizer. Não acredito em amor pra vida toda, mas em amor verdadeiro, que nos preencha, que compartilhe nossos medos, dúvidas, vontades. Quero outra boa rotina !

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