.. Sim, tenho pensado bastante. As coisas que acontecem ao meu redor (muitas, acredite), as coisas do dia-a-dia, os filmes que tenho assistido e um livro, em especial, me deixa em ebulição.

Recomendado por uma amiga na sexta, comprei no sábado: “A arte de ter prazer. Por um materialismo hedonista”, do filósofo Michel Onfray. A leitura não é das mais fáceis e tb não é de sacanagem, como muitos vão pensar.

O livro explica a visão de alguns filósofos sobre o corpo. To reduzindo beemmmm o contexto do livro porque não é sobre isso que quero falar, mas sobre as primeiras páginas. Sério, se tivesse parado a leitura por ali já estaria preenchida. Foi a descrição mais perfeita de um enfarto que já li em toda a minha vida. Sei que nunca enfartei, pelo menos não fisicamente, mas consegui sentir, como leitora, cada dor expremida naquelas palavras. Um texto belo, corrido, perfeito. Fiquei fascinada. Queria muito escrever daquela forma.

Eis um trecho: “Meu corpo parecia se escoar por uma fenda talhada a navalha que eu sentia como o avesso do meu coração. A brecha engolia minha carne, meu sangue e tudo o que pudesse apresentar-se sob forma de alma. Os músculos se retesavam até a tetanização, a mineralização, e o ritmo cardíaco se transformava em estridências. A consciência desaparecia naquele apocalipse que se tornara seu único objeto; eu já não era mais que uma imensa dor acompanhada de contorções, buscando desesperadamente uma posição aplacadora. Em vão. Às vezes, num jogo de reflexos, eu me via metamorfoseado em sofrimento puro, como que diáfano ou cristalino, prestes a me quebrar em estilhaços e fragmentos múltiplos. Eco singular de uma decomposição de tipo geológico.

A concentração da dor em um ponto de atordoante  densidade abolira toda distância entre a dor e a consciência que pudesse apreendê-la. Uma estranha alquimia liquefazia a carne em energia ardente. Cada instante ameaçava uma pulverização que siginificaria o fim – que eu desejava.

O médico diagnosticou um enfarte, eu ia fazer 28 anos, e naquela segunda-feira, 30 de novembro, meu corpo experimentou uma sapiência que se transformaria em hedonismo”

Perfeito, não? E tem mais. Saca como termina este primeiro capítulo:

 ….”Os batentes da porta se abriram, o leito foi retirado da sala de reanimação e o cadáver se foi, para outro lugar, passando coberto pelo sudário diante das visitas e da família que esperavam no corredor. Ao meu lado, eu não conseguia desviar o olhar do buraco deixado pelo lugar vazio da cama que fora levada. Morrer era, portanto, muito simples. Depois daquela lição das trevas, restava fazer do corpo um parceiro da consciência, reconciliar a carne e a inteligência. Toda existência é construída sobre areia, a morte é a única certeza que temos. Trata-se menos de dominá-la do que de desprezá-la. O hedonismo é a arte desse desprezo.”

 E isso sem falar das citações ao longo do livro. “Viver de modo que imperiosamente desejes reviver, é esse o teu dever”, Nietzsche. ou “Desfruta e faz desfrutar, sem fazer mal nem a ti nem a ninguém: essa é, creio eu, toda a moral”, Chamfort.

Não é pra mexer com a cabeça de qq um? Pois a minha está fervendo.. que bom !

Anúncios

Feliz Natal

Pois bem, se ontem assisti a dois fimes bons. Hoje,…. bem, vi Feliz Natal, do Selton Mello, e não gostei. A história parece ser bem real, os atores são e estão ótimos, os cenários tb são bacanas, mas… sei lá, muito incômodo. Não gostei. Achei arrastado em alguns trechos, confuso em outros. Não me atrai a estética de imagens sem foco, tremidas, corridas. Cansa… Se quiser sair do cinema da mesma forma que entrou, ok, vá ver o filme. Caso contrário, fique em casa e durma. Será melhor.

Picaretagem

Adoro, mas adoro mesmo, o desconhecido. Talvez por isso as terapias alternativas, sobretudo as não comprovadas, chamem tanto a minha atenção. Hj, no cinema, peguei um daqueles jornais gratuitos. Chama-se Oxigênio. Ali tem de um tudo. Mas, engraçado mesmo são os anúncios. Uns são bem bizarros.

Vcs sabiam que existe um anel terapêutico para ronco ?? Pois é, nem eu. Muito engraçado. Tem foto e tudo. O mais genial é que tem um passo-a-passo com 5 dicas para usar corretamente o anel. A terceira é a melhor de todas: “dormir virado para o lado, nunca olhando para cima”. Sensacional !!! Claro que se o maluco dormir de barriga pra cima, a chance de roncar é maior. Amei o anel. 100% enganação e a propaganda não faz questão de esconder isso ahaha.

Mas tem mais. Outro anúncio que me chamou muita atenção, entre os 5435465 mil anúncios de baralhos ciganos (que amo) e cristais, foi o de “Chèrie, vidente fantástica”. O sensacional neste anúncio é que ela coloca em letras garrafais: “NÃO ATENDO HOMENS”. Óbeveo que sei o motivo: ela deve ser a maior picareta e homens são mais difíceis de enganar. Melhor, ela ainda coloca uns depoimentos para dar veracidade ao anúncio. Uma tal de Lia, segundo ela, tentou engravidar por dois anos e nada. Mas, depois de uma oração dos raios azuis (???????).. pimba. A mulher engravidou e o neném ainda nasceu nos braços de Chèrie. “Foi uma emoção muito grande”, descreveu a vidente ahaha Gentem, isso é muito bom. Poesia pura. Casseta e Planeta perde pra este tipo de coisa.

Quem estiver interessado, pode visitar o site da vidente que pertence a uma família dasmais tradicionais do Ceará. Ela é direta, objetiva e não vende ilusões, diz o anúncio. O site é www.cherievidente.cjb.net

Acredite, vale a pena visitar o site. Eu fui, claro. rs Eis um trecho de uma entrevista publicada lá. Dá uma olhada nas respostas. MUITO BOM. MATERIAL DE PRIMEIRA QUALIDADE RS:

PRANA: O que é falar sobre o presente? 

 

CHÉRIE: É o momento. Ouço e vejo as problemas com amantes, doenças, roubos, dinheiro etc…: E o futuro ?CHÉRIE:O futuro é conseqüência do presente e do passado. Veja a vida profissional. Digo se vai haver casamento, se terá filhos (homem ou mulher), Saúde, enfim, vibro na energia do cliente.”

PRANA

Se for…que seja

Se for para me queimar
Que seja no calor de seu abraço
Se for para perder a cabeça
Que seja entre suas pernas
Se for para me asfixiar
Que seja em seus seios
E se for para eu morrer
Que seja afogado
No doce mel do seu beijos
Mas se for (existir o) para sempre
Que seja eternamente ao seu lado.

Coração Gelado

Posto roubado do blog A coisa fora de si. Jájá vou colocar o link aí do lado.

Não resisto…

… tenho que escrever sobre os filmes que assisti ontem. Sim. vi dois.OK, eu tinha de aproveitar minha folga né. O primeiro foi Vicky Cristina Barcelona. Saí do cinema com a cabeça cheia. Woody Allen é foda. Amo todos os seus filmes e não foi diferente com este. Não sei se vc, leitor, já assistiu, e o que achou das personagens centrais. Me identifiquei com as duas.

Sim, isso é possível. Sou um pouco de Vicky e um pouco de Cristina. Já vivi situações das mais variadas possíveis. Sou o tipo de pessoa que pensa pra caralho, que analisa tudo. Sim, já casei com um cara certinho, que achava ser ideal, perfeito. Um cara sem problemas aparentes, que seria o marido perfeito. Pensei, juro mesmo que pensei, que aquela relação era ideal. Não era, óbeveo. E saí frustrada.

Tb já vivi o oposto. Me vi em situações do tipo “Caralho, pq to fazendo isso? Para onde estou indo”. Sem dúvida sou o tipo de mulher que entraria num avião de um desconhecido para conhecer um lugar muito bacana. Já entrei em carros, se serve de exemplo.

Enfim, sou um pouco das duas. Na verdade, acho que todo mundo é. Cada qual de uma forma. Uns mais, outros menos. Uns assumem, outros não.

Bem, saí do cinema com muitas perguntas na cabeça. Duas horas depois, fui assistir Romance, de Guel Arraes. Caralhoooooooo. Que filme é este? ÓTEMO !!! Me deu todas as respostas. Sim. O ideal é assitir Allen antes e Arraes depois. Se puder, no mesmo dia.

Sou muito Tristão e Isolda. Impressionante. Quando falo sobre minhas concepções de amor, no geral, sou criticada. Mas,ok, elas são como esta lenda celta. Sou uma variação da afirmação de que não existe amor sem dor, de que paixão é sofrimento, e ainda de que o amor recíproco  feliz não existe. Será??

“A palavra paixão quer dizer sofrimento: paixão de Cristo, por exemplo. Quem diz que está apaixonado diz que está sofrendo por amor e, o que é mais incrível, está gostando de sofrer. Nas histórias românticas, amar significa sofrer.”, diz um trecho do filme. “Não se pode querer que o amor traga só felicidade”, diz outro trecho. Os dois são perfeitos, não?

 Wagner Moura e Letícia Sabatella estão perfeitos no filme. AH! Marco Nanini é genial. A participação dele é de arrancar risos. A fotografia é linda, as músicas. Muito bom. Imperdível.

vida injusta

A vida é incoerente, disso sempre tive certeza. E é tb injusta. Hj, por exemplo, estou de folga e tá chovendo, claro. Acabei resolvendo algumas coisas práticas, mas que nnca tenho tempo. Fui ao sapateiro, por exemplo. Depois, decidi ir ao cinema.

Quem sabe onde moro tem noção de quão perto do shopping é. Pois bem. Larguei o carro em casa e fui a pé. Mas a pessoa qdo acorda cagada sabe como é… peguei uma mega chuva. Ainda estou com a roupa molhada. Mas tudo bem. Mos mal pq acabei de sair do cinema. Fui assistir Vicky Cristina Barcelona. Amei o filme.

Não vou ficar aqui falando sobre a história  e se me identifiquei com A ou B. Simplesmente recomendo a película rs.

Mas, as injustiças da vida não acabam no dia de folga e chuva. Acabei de dar um fora num cara. Isso mesmo, por telefone. Que a gente quer, não nos quer… e o contrário vc já sabe né. Tudo começou na noite de sexta. Fui ao samba de semre com as amigas de sempre. 

Eis que, em determinado momento, um negão pintoso me tira pra dançar. Eu fui. Não pensei duas vezes. Ou melhor, pensei:”É hoje que vou conhecer um negão” rs (seguindo recomendações de amigas de que não posso morrer sem conhecer um, se é que vcs me entendem rs). O cara era bem cheiroso e dançava bem. Ponto para ele. Mas sabe como é…. a tal da conversa. 

Eu e minhas malditas perguntas rs. Ele disse que conhecia um amigo que estava comigo no samba. O Marcelinho. Perguntei: Vc é jornalista? Pra que perguntar??? Antes tivesse beijado logo rs. Eis que o maluco manda que está terminando a faculdade de direito porque quer fazer concurso pra delegado. OK OK. Isso já era suficiente para eu me afastar. Mas, sabe como é… sempre pode piorar. rs Aí, ele mandou que já era policial, mas que trabalhava no Desipe. Isso mesmo caros leitores, o negão é daqueles truculentos que fica batendo em preso no sistema penitenciário rs.

Ali foi jogada a última pá de terra. Mas, querendo enterrar ainda a pouca, ou quase nenhuma, possibilidade que tinha, o maluco disse que também é compositor de samba do Salgueiro. OKOK OK zeroooooooooooooo chance de ficar com ele. Fecha a tampa do caixão. rs Mas, sabe como neguinho é insistente né.  Ele veio com papinho mole, disse que tava de olho em mim desde a última semana, que eu tava vestida assim, assado. Ok, era verdade. Aí, esperto, ele tentou ficar comigo e eu disse que não ía rolar.

Ele quis saber o motivo e eu, sempre muito sincera, disse que um outro carinha com quem eu costumava ficar estava ali (o que era verdade) e que eu não me sentiria à vontade com a situação (o que era verdade). Ele lamentou e pediu meu telefone. Eu tenho muiiiiita dificuldade em dizer não às pessoas, sobretudo ao vivo e a cores. Ok, dei o número e o malandro foi embora.

Passados uns 10 minutos, recebo uma mensagem de texto. Simmmm, malandro mandou poesia pro meu celular dizendo que tinha adorado me conhecer. Ok, fofo, mas não dá né, o cara trabalha no Desipe !!!

Aí, sábado, eu lá, dormindo toda toda, recebo uma ligação. Atendo, ainda com sono. Quem era?? O negão. Simmmm, o cara me acordou. Ele percebeu, pediu desculpas, mas não perdeu a oportunidade para me chamar prum sambinha à tarde. Declinei. E vcs acham que ele desistiu???? Nãooooooooooo. No inicio da noite, outra mensagem…malandro me chamando pra sair. Não respondi. E ele desistiu????? Naõoooooooooooo. Ligou no domingo, de outro celular, pra me chamar pra sair. E ele desistiu?????????? Nãooooooooooo. Acabou de ligar.

Queria saber como eu estava. Todo fofo. Mas, não aguentei né. Mandei a real. Disse que era pra ele parar de me ligar, que a gente podia ser amigo, mas que eu gostava de outro e não achava justo (este papo sempre cola)… OK OK. Espero que ele tenha entendido rs.

Mas isso é fodaaaaaaaaaaaaaa. Quem eu quero, não me quer. Que vida injusta da porra. Pior, me sinto culpada em reclamar porque sei que há coisas piores na vida. Esta culpa cristã me consome. PQP.

Sensacional

O Texto é de Rubem Alves. Simplesmente foda.

A solidão amiga


A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga… Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia… Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!… Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (…) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (…) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“…Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos… Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília…“

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão…

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos… Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.

(Correio Popular, 30/06/2002)

O Velho


O VELHO

Chico Buarque

1968

O velho sem conselhos

De joelhos
De partida
Carrega com certeza

Todo o peso

Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor

A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira

Que ele não brincou

Me diga agora
O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar

O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo

Sem rival

Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me diz que sempre se escondeu

Não se comprometeu

Nem nunca se entregou

E diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora

Vai-se embora

Sem bagagem

Não se sabe pra que veio

Foi passeio

Foi Passagem

Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me é franco

Mostra um verso manco

De um caderno em branco

Que já se fechou

Me diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar

Não

Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

Eu ajudei !!!!

Recebi um release do Maracanã falando sobre números do estádio, blá, blá, bla.. a parte que interessa é a seguinte:

A torcida que mais prestigiou seu time no Maracanã, até o momento, foi a do Flamengo: 1.576.346 pessoas estiveram nos 43 jogos do rubro-negro, com média de 36.659 pessoas por partida. Quando apurado apenas o público pagante, o total é de 1.450.296 torcedores, com média de 33.728. No jogo Flamengo x Botafogo, na final do Campeonato Estadual, foi registrado o maior público presente em jogos da equipe, com 84.768 pessoas. (EU ESTAVA LÁ !!!!!) .Já o maior público pagante foi em outro confronto entre as equipes, mas na final da Taça Guanabara: 78.830 pessoas. Este ano, no Maracanã, a renda total do Flamengo é de R$ 26.569.132,00, média de R$ 617.886,79 por jogo.

E, se tudo der certo estarei no dia 30/11 para ver Flamengo x Goiás

Praticidade….

… engraçado, sou uma pessoa prática. Isso é fato. Onde está a graça? É que leitores, que nunca me viram pessoalmente, já sacaram este traço na minha personalidade. Um deles me disse isso hoje, por depoimento no Orkut.

Expor parte da vida e dos pensamentos na internet tem esta imensa radiografia interna como uma das consequências. OK Ok, pelo menos é verdade. Sinceramente, se pudesse, seria ainda mais prática.

Explico: em alguns setores da minha vida, como o amoroso, não consigo ser tão prática quanto gostaria. Tenho clareza das situações, sei exatamente o que está rolando. Aliás, fico impressionada com a minha capacidade de perceber algumas coisas ao meu redor, um radar incrível. No entanto, em algumas ocasiões, simplesmente escolho colocar os sinais de lado. Sim, de forma consciente decido pular de cabeça. Inclusive quando há 99% de chance de me foder. Sou bem cabeça dura.

Algumas pessoas que convivem comigo por muito tempo, ou que conviveram, costumam ressaltar esta ‘qualidade’ (veja que marquei pq não concordo) de ser cabeça dura, de ser persistente. Uma pessoa em particular sempre me disse “Vc consegue tudo o que quer”. Não é verdade, mas é quase… Pior, não consigo comemorar isso porque, em alguns casos, conseguir tudo o que se quer é ruim.

Parece estranho, eu sei, mas quando a gente realiza um objetivo, fica meio vazio. Sem sentido. Pelo menos até encontrar outra meta. Geralmente, comigo e falo somente por mim, todas as vezes que consegui o que quis, cansei. É como uma criança que quer um brinquedo novo. Quando consegue, brinca 5 minutos e depois deixa de lado. Triste, eu sei. Acho que acontece com todo mundo. A diferença é que pouca gente assume. A maioria prefere dizer que está super satisfeita, que a vida é bela.

Mas, basta acontecer um pequeno reverso, que uma avalanche de insatisfações aparece. Óbeveo que as chateações e frustrações já estavam ali, presentes, sempre estiveram, mas a conveniência tratou de esconder todos debaixo do tapete.

Bem, vou parar o post por aqui. Comecei falando de praticidade e já estou falando de merdas escondidas. A prudência manda parar rs.

Machismo exacerbado

Se tem uma coisa que me incomoda, e muito, é machismo exacerbado. Tenho um amigo que, volta e meia, manda umas piadas ou comentários totalmente fora de hora. Esta semana ele mandou a seguinte pérola depois que eu disse que ele não deveria confiar em um cara pq o cafa é do tipo que chega em mulher de amigo.

“Mas depende da mulher”, disse ele. Como assim?? Depende da mulher?? pq??? Quer dizer que uma prostituta pode ser estruprada? Não. Amigo, não depende da mulher. Mesmo se a mulher do amigo fosse uma vaca piranha, o cara não deveria chegar nela por respeito ao amigo ou suposto amigo. Não se estupra uma mulher, mesmo que ela seja puta e ganhe $$ com o corpo. A lógica é a mesma. Sacou? É errado chegar na mulher do amigo, independente de quem seja a pessoa em questão.

O grande comedor…

….. Tá lá no Jornal O Dia:Divulgação / TV Globo

“Rio – Nos corredores do Projac só se fala em um assunto. Letícia Sabatella e André Gonçalves estão se conhecendo melhor e prestes a assumir que formam o mais novo casal do meio artísticoO Dia quis saber do ator sobre a suposta relação: “Estou feliz como sempre”, desconversou.

André e Letícia teriam se aproximado já no início das gravações de Caminhos da Índia’, em Dubai.” …. o resto da nota não importa né?

Bacana é constatar que André Gonçalves é o maior comedor de todos os tempos da televisão brasileira. Pelo crivo do cara já passaram: Carol Machado, Nathalia Lage, Renata Sorrah, Alessandra Negrini… e o cara é bom de espermatozóide. Ele tem filhos com Tereza Seiblitz, Myrian Rios e Cynthia Benini (lembram do romance na Casa dos Artistas?) rs.

Sensacional !!!!!

Cocô…

… quem me conhece sabe que tenho uma certa dificuldade para fazer o número 2, isso mesmo, cocô. Não vamos ser puritanos, né, todo mundo faz merda na vida. Alguns mais, outros menos. Pois bem, estou chocada com umas informações que tive na noite de ontem.

Descobri que tenho um amigo, que tem mais de 30, que caga 4 vezes por dia. Como assim???? Como consegue?????  O maluco caga até no trabalho, e todo dia!!! Gente, se eu cagar no trabalho, o que nunca acontece, é pq to passando mega mal e preciso ir embora. Pra ele, no entanto, é normal.

O cara contou que acorda, caga, toma café da manhã, caga de novo. Almoça, caga e à noite, caga mais uma vez. Haja papel higiênico !!!! Haja cú !!!! rs

Pior, ele me disse que o hábito é comum entre seus parentes. Um primo, por exemplo, consegue cagar em boates. Meu Deus !!! Como assim?? o maluco tá dançando, azarando, aí pára, vai no banheiro, dá uma barrigada e volta !!!

Algumas vezes, o cara ainda leva o cardápio da boate embaixo do braço para ter o que ler enquanto faz cocô. Como assim??? pior, esta mesma pessoa costuma fazer punheta em banheiros de boates para dar uma relaxada.

Ainda estou digerindo tanta informação rs !!!!

Impagável…

… os leitores mais assíduos do blog sabem que, volta e meia, recebo e-mails que não são para mim. Ontem,  recebi o melhor de todos, sem dúvida. Melhor do que a confissão de traição de uns meses atrás.

Eis a mensagem:

“Keria vc assim. te faria gozar até pedir para parar.”

Preciso explicar que havia uma foto anexa. Impublicável. De uma mulher pelada com o cú pra cima. Muito bom rs. Educada, como sempre, respondi dizendo que se tratava de um engano e que a mensagem tinham ido para outra Renata.

Para minha surpresa, hoje, o remetente responde meu mail:

“Ontem te enviei uma mensagem, realmente era pra pessoa errada.
Pesso-lhe minhas sinceras desculpas.
Uma dúvida, você é a Renata que no trabalha Jornal do Brasil? “
Não vou nem comentar os erros de português. Pesso ??????????????? (ok, disse que não comentaria, mas não aguentei rs. Muito bizarro)
Respondi que sim, trabalhava no JB e perguntei se ele me conhecia. Eis a resposta:
“nunca lhe vi, mas leio muito sobre suas matérias, acho interessante pessoas que trabalham assim. eu admiro.deve ser muito legal.
lembrei de vc pelo que li sobre aquela matéria que vc escreveu sobre os vereadores e quanto eles custam aos cofres públicos.
lembra?deve lembrar faz pouco tempo.”
Maluco me manda foto pornô, puxa papo no gtalk… tá se achando amigo né rs. Pelo menos sei que alguém lê o que escrevo. Obrigada rs.

Finde…

… o finde foi corrido. To cansada, precisando dormir… Dei plantão e ralei muito. Sábado saí do jornal às 22h30, mega cansada. Mas, ok, nada que tirasse o ânimo de dar uma sambadinha.

O engraçado é que, desta vez, saí com um amigo que sempre reclama que só chamo ele pro samba. Sábado, ele convidou !!!

Como sempre, Rodrigo vai amargar o fato de ter me apresentado mais uma amiga rs. Ele fica com ciúmes porque sempre me apresenta meninas e elas acabam se tornando muiiittooo amigas. Foi assim com a baiana Andrea, com Karla e Ingrid e Cia. Agora, será a vez de Évelin !!! rs.

Domingo, apesar do cansaço, saí do jornal pra encontrar uma amiga num evento inusitado em Botafogo. A festa era em reverência à Madonna. Clarooo que fui. Mas, o melhor mesmo, foi encontrar Claudinha.

Depois do show acabamos em um boteco, até duas e meia da matina, jogando papo fora. Sério, era boteco mesmo, na calçada, ao lado de uma obra da CEG, ou seja, estávamos sentadas na área de não fumante rs.

Hoje, daqui a pouco, seguirei para o habitual encontro da mulherada na casa da Dani. Desta vez vou levar a birita. Comprei uma garrafa de Smirnoff sabor limão (não é a Ice). Não sei se é boa, depois conto.

Só quero saber quando vou ter tempo de assistir aos 4 DVDs que aluguei ontem rs.

Sensacional

O jornal O Dia publica hoje uma entrevista em que a cantora Marina revela ter tido um caso com a Gal Costa quando tinha 17 anos. O mais interessante, no entanto, não é esta parte da entrevista.

Lá pelo meio, ela declara ter trocado de lado depois de ter namorado com Evaldo, seu primo. Eis que Evaldo é diagramador aqui do jornal e está de plantão tb. Já sacou???? 100% dos pobres coitados de plantão zoaram Evaldo, claro.

Tá na cara que Marina mudou de lado depois de ter se decepcionado com Evaldo. Ele nega, óbeveo. Diz que não namorou com Marina, que foi apenas uma ficada num Réveillon e que ele nem lembra o que aconteceu. Bingo !!! Tá aí a resposta: o negócio foi tão ruim que ele preferiu esquecer e ela, mudar de sexo ahahahaha Sensacional !!! Ganhei meu dia de trabalho rs.