E….

… Susan Boyle perdeu o concurso de talentos. Será que agora vamos ter um descanso? Já não aguento mais ler sobre esta mulher em tudo que é canto. Um VIVA para o grupo de dança de rua Diversity que faturou o prêmio. Não vejo a menor graça neste tipo de grupo, mas ok, eles devem tirar a coroa de circulação. Tá valendo.

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Como decidi….

… que vou tentar deixar o cabelo crescer mais uma vez, decidi canalizar minha vontade de mudança aqui no blog. Para os leitores novos ou os mais desatentos um aviso: o layout está diferente. Espero que agrade. Espero que me acostume. Temo sentir falta das minhas bolinhas. Amo mergulhar em piscinas de bolinhas e olhar para elas me dava uma sensação boa. Enfim, de qq forma, vamos experimentar algo novo. Enjoy !

VIVER DESPENTEADA

Recebi esta mensagem por e-mail e amei. Compartilho com todos.

VIVER DESPENTEADA

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
– Fazer amor, despenteia.
– Rir às gargalhadas, despenteia.
– Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
– Tirar a roupa, despenteia.
– Beijar à pessoa amada, despenteia.
– Brincar, despenteia.
– Cantar até ficar sem ar, despenteia.
– Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado… mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença: Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita… ¡A pessoa mais bonita que posso ser!

O único, o que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a
mulher que devo ser. Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace, dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, Corra, Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável!
Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear!

O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se
pentear de novo…

:(

Há 21 horas Marcelo Nobrega, coleguinha com quem tive a oportunidade de trabalhar no JB postava uma nota no Twitter. Poucas horas depois, ele morreu. Assim, de infarto, de uma hora para outra, aos 30 e poucos anos. Foda. Chocante. Revoltante. Tudo ao mesmo tempo agora.

A vontade que tenho é de vomitar. Acabei de almoçar e, mesmo não sendo próxima a ele, cultivando amizade em mídias como Facebook e Twitter, sinto esta perda. E sinto por tudo. Por ele, por tudo o que ele vai deixar de viver. Sinto por mim. Mais uma vez vem o sentimento de impotência diante da morte. PQP. Volta e meia sou confrontada com isso. Sei que é inevitável, que morrer é parte da vida. Mas caralho, as pessoas bacanas deveriam ser autorizadas a viverem para sempre ou, ao menos, até quando elas desejassem.

Sei lá, a impressão que tenho é de que apenas as pessoas filhas da puta envelhecem. Gente bacana, bem humorada e amiga… este tipo de gente, se vai logo. Talvez seja uma forma que Deus tenha encontrado de agraciá-las. Algo do tipo “Vc é muito bom para viver nesta droga de planeta, morra meu caro”. Mas e daí? Preferia que eles estivessem aqui, enfeitando um pouco o mundo bizarro em que vivemos. Um mundo onde as pessoas abrem mão de seu caráter, de valores e tudo o mais apenas para conseguir $$. Foda-se o $$. Quero é ser feliz. Quero é viver bem.

Descanse em paz amigo.

Noite na Lapa

A noite na Lapa ontem foi mais do que especial. Claro, não poderia ter sido diferente, passei boas horas de papo com Liliane. Gentem, ela é minha amiga de infância, incrível né, minha amiga mais antiga e amiga mesmo. Muito bacana saber que ainda tenho contato com pessoas que me conheceram quando eu tinha 11, 12 ou 13 anos. Mais incrível ainda é constatar o quanto somos parecidas. Desde sempre.

Pensamos da mesma forma em diversos assuntos. Temos vidas semelhantes, inclusive. Assim como eu, ela também é a filha do meio entre 3 mulheres. Logo, viveu o drama do sanduíche na família. Incrível também a semelhança de nossos pais. Eles pensam da mesma forma. Estudamos no mesmo colégio de freiras. Ou seja, eu e Lili recebemos, praticamente, as mesmas informações. Não bastasse tudo isso, passamos por situações de vida similares. Como pode né?

É tão bom sentar numa mesa com uma amiga e concordar com tudo o que a pessoa fala. E mais, sentir-se acolhida até nos momentos de devaneios rs. Amiga, temos de fazer isso mais vezes. Amei. Hoje é dia de trocar info com outra amiga, a Fernandinha. Será tudo !! Adoroe stes encontros com a mulherada.

Sinistra…

A denúncia contra o DJ Marlboro que estampa todos os jornais hoje. Ele é acusado de corrupção de menor e atentado violento ao pudor contra menina de 4 anos. A família da criança entrou com uma queixa-crime, afirmando que ele e uma namorada, Junia Duarte, abusaram sexualmente de X. várias vezes em março do ano passado.

Esquisitices….

…. algumas das coisas mais divertidas da vida são as esquisitices. Aqui no trabalho tem um cara que parece com o Russo, aquele mesmo do programa do Chacrinha. Mas não basta parecer, vc sabe né, a pessoa tem que ter prazer em ser esquisita. Ele se anuncia como tal: “É o Russo aqui do terceiro andar”, disse há pouco no telefone. Genial.

Mas nada, nada mesmo, se compara ao fato de eu já ter trabalhado próximo do Saci Pererê. Isso mesmo. E o original. O ator que deu alma ao personagem de Monteiro Lobato na primeira versão do programa Sítio do Pica Pau Amarelo, na Rede Globo, trabalhava no gabinete ao lado do vereador para quem eu trabalhava. Sensacional. Mega esquisito. O cara ficava ali, sem perna, dando pulinhos pelo corredor ou parado na porta. Ou seja, por dois anos, vi o Saci Pererê todos os dias. Não há salário que pague por isso. ahahaha

Cartas….

Há quanto tempo você não vai até o Correio postar uma carta? Nem lembrava como era o procedimento. Ontem, no entanto, fui até uma agência. Precisava enviar uns documentos para o Chile. Achei super bacana, mas tomei um susto na hora de pagar. “R$ 48”, disse o caixa. “Como?”, indaguei. Pois é, um susto !

Uma carta para o Chile que pese 100 gramas custa R$ 48 e, pasme, o envelope vai levar 8 dias para chegar. Muito tempo né. Bem, como não to tirando $$ de árvore, perguntei se havia uma forma mais barata, algo como carta social, e fiquei sabendo que sim. Pois bem, paguei R$ 9,15 para mandar meus papéis. Nem quis saber quanto tempo vai levar para chegar ao destinatário …

Não to inventando nada…

tá lá no Blue Bus: “Profissionais de comunicaçao sao os que mais bebem, diz pesquisa15:30”

Os profissionais de comunicaçao sao os que mais bebem na Inglaterra, segundo uma pesquisa do YouGov para a campanha Know Your Limits (Conheça seus limites). Consomem uma média de 44 unidades de alcool por semana, o dobro do recomendado pelo Departamento de Saúde. O pessoal de comunicaçao bebe 10 unidades a mais que os profissionais de Tecnologia da Informaçao, que aparece em 2o no ranking. Quem trabalha com finanças, seguros e mercado imobiliário aparece em 3o, consumindo uma media de 29 unidades de bebida alcóolica. Os profissionais de educaçao, transportes e viagens sao os bebedores mais moderados, ingerindo uma media de 24 unidades por semana – dentro da faixa recomendada para os homens, mas acima do que é indicado para mulheres, diz noticia do Media Guardian

A garrafa de Amarula já acabou !!!!

Renata X Net: round 1

Pois bem, a TV já funciona lá em casa e a banda larga também. Depois de inúmeras tentativas, a Net apareceu lá em casa hoje. Já estava pirando sem TV, foram mais de 20 dias. O problema foi resolvido pela metade. O técnico confirmou o que eu já desconfiava: o smart card não está sendo lido pelo decodificador. Ele consertou? trocou? Claro que não. Terei de passar por novo suplício para que outro técnico vá lá em casa. Ao menos ele instalou o outro ponto. Que novela ….

Vote no André Gonçalves….

…..gentem, não consegui resistir. O site de Caras está promovendo uma eleição 100% nada a ver e é nosso dever bagunçar o coreto. Eles querem saber qual o casal símbolo para o dia dos namorados. São todos muito bizarros. Óbeveo que não me sinto representada por nenhum deles. Daí decidi votar no André Gonçalves. Nem sabia que ele estava com a mala da Letícia Sabatela, mas ele, por si só, já merece votos. O cara é o maior picão de todos os tempos. Tê-lo como símbolo nesta data romântica será tudo ahahah Vamos lá. Participe !!

Saca os participantes e a quantidade percentual de votos até agora. Vamos dar uma força pro André ahahaha Vá até http://www.caras.com.br

Cauã Reymond e Grazi Massafera 30,58%

Isabeli Fontana e Falcão 0,43%

Max e Fran (Maxcine) 55,89%

Fernanda Paes Leme e Thiago Martins 0,64%

Bruno Gagliasso e Heleninha Bordon 0,20%

Dado Dolabella e Viviane Sarahyba 0,59%

Deborah Secco e Roger Flores 1,17%

Adriane Galisteu e Alexandre Iódice 0,46%

Thiago Rodrigues e Cristiane Dias 0,52%

Nívea Stelmann e Thierry Figueira 0,53%

Samara Felippo e Leandrinho 0,55%

Susana Vieira e Sandro Pedroso 0,45%

Ivete Sangalo e Daniel Cady 2,38%

Henri Castelli e Fernanda Vasconcellos 2,96%

Natália Guimarães e Leandro (KLB) 1,96%

Letícia Sabatella e André Gonçalves 0,68%

A história de Lili Lohmann

Roubei do site da Revista Época. Belo texto. Bela história. Tb acho que as pessoas são insubstituíveis, acho até que já escrevi isso aqui. Aproveite o texto:

A história de Lili Lohmann
Se alguém lhe disser que você é substituível, não acredite
Eliane Brum

ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo) Dias atrás, meu telefone na redação da ÉPOCA tocou quando eu arrumava minhas coisas para ir embora. Atendi um pouco impaciente. Do outro lado, uma voz de mulher com sotaque alemão. “Eliane, aqui é Lili Lohmann.” No mesmo instante, voz e nome resgataram-me para mim mesma. “Estou ligando para dizer que li teu último livro, O Olho da Rua, e adorei.” De novo, eu sabia quem era eu. Lili me contava o que importava na vida. E aquela noite que seria mais uma, numa rotina de repetições, povoou-se de significados. Lili me devolvia a grandeza.

Quando eu aprendi a ler, aos sete anos, senti que minha vida ganhava todas as possibilidades do mundo. Cheguei perto dessa sensação algumas vezes ao longo dos meus 43 anos, mas nunca como a dos primeiros livros. Desde então, eu, que era ao mesmo tempo uma criança que olhava muito e falava pouco, mas também uma criança que aprontava bastante, passei a atravessar meus dias trancada no quarto lendo um livro atrás do outro. Às vezes nem comia. Ou me sentava à mesa para o almoço imersa na última linha lida, temerosa de perdê-la numa colherada de feijão e, com ela, a chance de chegar à linha seguinte.

Lia até quatro, cinco livros por dia. Comecei pelos infantis e logo passei para os adultos. Aos dez anos, eu já tinha lido todos os livros de José de Alencar, não porque gostasse, mas porque não conseguia parar até chegar ao fim da coleção. E me atraía nele aquele erotismo velado, de loiras que amavam índios de pele cor de cuia, dândis que se perdiam pela marca de um pé minúsculo deixada na lama, moças virtuosas que viravam prostitutas. A partir daí, nada, nem mesmo minha iniciação sexual, foi vivida sem a ajuda inestimável dos livros. Era neles que eu buscava as respostas às tantas dúvidas que me assaltavam.

Então conheci Lili. Essa moça de origem alemã, ao mesmo tempo austera e enérgica, magra e sólida, com cabelos castanhos encaracolados e cortados curtos, cuidava da seção de livros da Livraria Cultural, a maior de Ijuí, minha cidade natal no Rio Grande do Sul. E Lili gostava de livros, entendia de livros. Meus pais, ambos descendentes de imigrantes italianos esfomeados e analfabetos, tinham um acordo com relação à sua prole: não poderia faltar comida nem educação. Passávamos às vezes anos sem ganhar uma roupa, até os oito anos eu ainda dormia num berço, com as pernas encolhidas, porque não havia dinheiro para comprar uma cama, mas a mesa era farta e os livros presentes.

Mas nem mesmo com esse firme propósito era possível para eles, professores eternamente mal pagos, como todos nesse país, dar conta da minha voracidade de leitora. Lili então, com o cuidado de não expressar nenhuma condescendência, me deixava ficar no canto da livraria lendo por horas livros que jamais compraria. Sentada no chão, num canto, com prateleiras e mais prateleiras à disposição, foi o mais perto que consegui chegar de uma ideia de paraíso.

Foi ali que aprendi a começar a ler pelo cheiro do papel. Meu primeiro ato era uma cafungada quase erótica naquelas folhas virgens, as quais eu seria a primeira a desbravar. Depois eu passava a mão na lombada, sentindo formato e textura, acariciava as páginas com reverência e delicadeza. Só então lia a primeira palavra, possuída por imensa felicidade. Até hoje repito esse ato nas livrarias, causando algum estranhamento nas pessoas próximas. Para mim, os livros sempre foram sagrados, mas apenas para que pudessem ser profanados.

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Um dia Lili colocou uma escada à minha disposição, e então pude alcançar os livros mais altos. Nunca encontrei palavras para expressar o que essa escada representou. Com ela, eu podia alcançar a Lua. Eu era Neil Armstrong, mas não para fincar nenhuma bandeira, não era a posse que me interessava. Contentava-me em acariciar o chão lunar com a ponta dos dedos. A certa altura, nunca soube se porque alguém reclamou daquela criança metida por horas numa dobra das prateleiras sem nada comprar ou porque ela realmente acreditava no meu discernimento, Lili me promoveu. Fui incumbida da tarefa de ler os livros recém-lançados para dizer a ela se devia ou não encomendá-los. Ganhei então o privilégio de levá-los para casa. Aos nove anos, eu era uma profissional com imenso poder.

Quando Lili anunciou que iria deixar a livraria, meu mundo ficou profundamente abalado. Talvez tenha sido minha primeira grande perda. Com ela, toda a magia, assim como os bons livros, partiu. As que a sucederam nunca perceberam a grandeza do seu trabalho, deixavam-se reduzir a funcionárias. Entre elas e os livros não havia intimidade, seria o mesmo se apertassem parafusos. Nunca soube as razões oficiais pelas quais a livraria mais importante da cidade foi se terminando. Mas, para mim, era a minha versão que fazia mais sentido. Primeiro a livraria perdeu Lili, depois a seção de livros, restando apenas a papelaria, e, por fim, morreu. Não havia como ser diferente. Livrarias sem alma podem até vender muito, mas jamais serão grandes. Não há vida sem o mistério da vida. Há apenas atos destituídos de gente.

Nosso tempo, me parece, sofre de dois males que se complementam. Pelo menos dois. Um deles é acreditar que as pessoas importantes são aquelas que batem recordes, ganham milhões ou aparecem na capa das revistas de celebridade com seus corpões. Fora desse hall da fama determinado por razões que servem aos poucos de sempre, a vida de todos os demais se torna pequena, insignificante. O outro mal é aquilo que está no discurso de gurus e da maioria dos chefes nas mais diversas áreas, que se resume por uma frase dita com ares de verdade absoluta: “Ninguém é insubstituível”.

Eu acredito na grandeza das vidas supostamente comuns. Interesso-me pelos acontecimentos que se repetem no cotidiano, observo mais os desacontecimentos. Sou fascinada pelo sentido que cada um cria para sua existência no mundo, pelas pequenas delicadezas que nos fazem acordar e levantar da cama a cada dia, apesar de todas as brutalidades. Acredito que nossa vida é uma busca pelo extraordinário que mora em nós. E que só o encontramos ao descobrir o extraordinário que mora no outro. É esse o exercício de resistência de cada homem, de cada mulher, diante do espelho do mundo, a cada manhã: não se deixar reduzir, um exercício que só pode ter êxito na generosidade ao olhar para o outro em busca de sua singularidade.

Então, quando ouço essa frase fatídica – “ninguém é insubstituível” – só sinto pena. Quanto medo tem aquele que a pronuncia. Como ele suspeita de sua insignificância. E como ele se deixou reduzir. A minha frase é outra: Ninguém é substituível. A singularidade do que sou, só eu sou. A singularidade do que é você, só você é. O que você não fizer, não será feito do jeito que só você pode fazer. Se você deixar de ser o melhor que pode ser, se desistir de dar o melhor que pode dar, é uma falta inscrita na história do mundo. E só há um jeito de alcançar a grandeza de cada um de nós, que é a descoberta da grandeza do outro.

É só o reconhecimento da singularidade de cada um que, paradoxalmente, pode nos levar à descoberta de que somos mais iguais do que diferentes. E ao acreditarmos que ninguém é substituível, torna-se impossível a discriminação por raça, religião ou ideologia. É o imenso valor da vida que alcançamos, da nossa e da dos outros. Então, quando alguém lhe disser que você é substituível, tenha compaixão. E não acredite. Nunca permita que reduzam o mistério que é a sua vida – e a do outro. Até mesmo do equivocado que proclama frases como essas.

Passei décadas sem Lili. Deixei Ijuí aos 17 anos, vivi em Porto Alegre até os 33, desde 2000 moro em São Paulo. Anos atrás, fui procurada pela editora do principal jornal de Ijuí, o Jornal da Manhã, para participar de uma série sobre ijuienses que haviam “vencido” fora da cidade. Minha tarefa era escrever um texto sobre essa aventura pessoal. Eu aceitei. Mas escrevi um texto em que dizia que mais difícil do que partir era permanecer na cidade. E contei a história de Lili e de como ela havia transformado a minha vida.

O texto publicado alcançou Lili, numa cidade próxima e ainda menor, algum tempo depois. Ela vivia tempos duros, estava triste, solitária. Desconectada de sua grandeza. Até então, não tinha ideia de que havia sido tão decisiva na vida de uma outra pessoa. Nos reencontramos nesse reconhecimento. E eu pude contar a Lili o que ela também fez de mim. Era eu que agora escrevia livros. Ela poderia me ler porque um dia permitiu que eu lesse numa esquina das prateleiras de uma livraria de cidade pequena, onde ela vivia cada dia consciente da grandeza de seu trabalho.

Contei essa história aqui por várias razões. E por profundo sentimento. Mas também para propor a você, que me lê, o exercício de identificar no tempo as pessoas que, com seus pequenos grandes gestos, deram sentido à sua vida. Fizeram diferença, fizeram de você mais você. E depois de redescobri-las em lembranças há muito esquecidas, contar a elas que foram/que são insubstituíveis. E então aprender para sempre que são essas as pessoas importantes, mesmo que não sejam elas a ilustrar a capa das revistas de celebridades.

Dias atrás, quando Lili Lohmann me ligou numa noite em que eu também me iludia que eram horas iguais a todas as outras, ela me disse uma frase que até agora me faz dançar: “Quando eu leio o que você escreve é como se eu ganhasse um presente”. Lili, você é um presente para sempre presente em tudo o que sou.

Update: Eu tenho minha lista de insubstituíveis: Meu pai (que me emprestou seus genes e seu jeito de ser), minha mãe (que me empresta os lábios fartos e o gênio difícil), minha professora Jajá (que me alfabetizou), minha avó materna, meu avô materno, minha tia Valéria, meu primo Filipe, Vanessa, Danieli, Giovanna, Leandro (que me ensinou a dirigir), Tomás (que me deu o maior pé na bunda, mas, mesmo assim teve seu papel), Robson, Liliane, Heitor, Angela, Márcia e, o mais recente de todos os insubstituíves, Kadu.

Concordo com ele…

… em gênero e número. Eis a afirmação de Caetano Veloso na coluna de Monica Bergamo, da Folha de Sp:

ODEIO VOCÊ
Caetano Veloso, 66, em ensaio para a revista “Poder’: “Odeio cocaína, a maneira como as pessoas aspiram, o fedor do corpo de quem cheira. Odeio a cultura de economia ilegal que cresceu pelo consumo da cocaína. Da boemia, me interessam as pessoas”