Saudade

Achei linda esta definição de saudade da repórter Isabel Clemente, no site da Época:

“Saudade é o que vamos sentir quando deixarmos esta casa e esta cidade. Saudade é a vontade do coração enxergar o que os olhos não vêem. Mas quero te mostrar o lado bom disso. Saudade, ao contrário do que muitos vão te dizer, não é sentimento triste. Ele pode ser alegre. Só sente saudades quem tem coisa boa para recordar. Nós temos. A saudade não subtrai, ela acrescenta ao presente flashes de momentos felizes que julgávamos passados. Saudade não é perda. É ganho quando preenche com emoções as horas vazias de brincadeira e sorrisos. Saudade não é um nada batendo dentro do peito. É uma máquina de projetar cenas na tela do nosso pensamento. O difícil da saudade é que ela não encontra remédio no futuro. Saudade é como televisão. Chega uma hora que é bom a gente se desligar dela para fazer outra coisa.”

Como se recuperar de um pé na bunda

Lindo o post abaixo onde Osho fala sobre desejo e o quão é impossível realizá-los. Ontem saí da acadimia e fui encontrar uma amiga mega querida e que passa por um momento não muito agradável. Ela estava apaixonadíssima por um cara e ele decidiu acabar. Isso faz uns 3 meses e ela não se recuperou. Chora todos os dias, sente dores físicas, não tem vontade de fazer nada. Sei bem como é isso. Na verdade, qq um que já tenha tomado um pé na bunda gigantesco consegue se identificar nesta situação.

Ela reclama de que ele jogou fora os sonhos dela, que foi irresponsável por fazê-la acreditar em uma série de coisas e que depois não se importou com os sentimentos dela e blá, blá, blá whiskas sachê. Já senti tudo isso. Já pensei sobre tudo isso. Chorei baldes e baldes, por meses. Mas me recuperei.

Otimista, sempre acho que é hora de seguir em frente. Para tanto, é preciso se esforçar. Nada vem de graça até nós. O cara jogou fora seus sonhos? Sonhe outros. Até porque sonhos são sonhados para não se realizarem. Eles só ficam bonitinhos nas nossas cabeças. Em geral, acabamos nos contentando mesmo com o que a vida nos dá. Exemplo: A mulher sonha com um filho lindo, olhos azuis, perfeito, saudável e inteligente. Mas, porra, nem sempre é possível e ela acaba se contentando com um moreninho mesmo, vesgo, mas mega carinhoso. É isso saca? Isso significa que não devemos sonhar? claro que não. Sonhar é mais que preciso, mas temos que aprender que sonhos são apenas sonhos e é mesmo bom que eles fiquem na nossa imaginação. É o tal lance dos desejos que Osho fala tanto (ler post abaixo).

Vivo dizendo a esta amiga que este sofrimento todo vai acabar, que ela vai se sentir bem e que ainda vai rir disso tudo. Apesar de desconfiar da minha afirmação e só ter vontade de chorar, ela atendeu meus apelos e foi me encontrar ontem. Foi maravilhoso. Ela chorou, claro, mas encontramos um amigo em comum, mega palhaço, e ele nos fez rir muito. É isso. Este é o caminho.

A gente tem que se esforçar, sair de casa mesmo sem vontade, rever os amigos, estar próximo de pessoas que realmente gostam de nós. Assim, acredito, a cura vem, nos abraça, nos acolhe. Acredito que, em breve, esta amiga dará a volta por cima.

Perfeito

Desejos são irrealizáveis por natureza

Posted: 28 Jul 2010 10:15 PM PDT

Vivemos em desejo. Desejo significa descontentamento. Desejo significa que, venha o que vier, não é o certo, não é o suficiente — é preciso mais. E o desejo nunca é satisfeito. É irrealizável por sua própria natureza.

Você pode ter tanto quanto quiser, mas, no momento em que tiver algo, o desejo pula à frente, começa a pedir mais. Sua ganância não tem limites. É uma ganância incessante.

É como o horizonte: parece tão perto — você chega lá em uma hora, se correr. Mas nunca chega. A distância entre você e o horizonte continua a mesma, constantemente a mesma, porque não há horizonte — é apenas uma ilusão. A terra não se encontra com o céu em lugar algum, só parece se encontrar.

Assim é com o desejo. Apenas parece que, se eu chegar àquele ponto, se obtiver isto ou aquilo, estarei contente, estarei feliz, realizado. Mas isso nunca acontece.

É preciso compreender o desejo e sua futilidade. Com essa compreensão, o desejo desaparece, e você é deixado em casa em profunda paz. Quando não há desejo, não há perturbação. O desejo é a única perturbação.

Osho, em “Meditações Para a Noite”

Amigos, sempre amigos

Ontem a noite foi ótima. Não fui à acadimia, o que me rendeu um esporro por email do meu personal. Mas e daí? Tava com meus amigos, ora bolas. E como é bom estar entre amigos. O lugar não era dos mais descolados ou com cardárpio sofisticado. Era mesmo um boteco que jamais pensara em adentrar. E foi ótimo. Ficamos lá até umas 2h, papo bom, discussões de bêbados que nunca nos levam a lugar algum, estas coisas. Sem contar que era niver da Carol Bellei e que meu amigo do RS veio novamente ao Rio e foi nos encontrar. Sensacional. Também contamos com a presença ilustre da Dani e da Natalie. Show de bola. São encontros assim que me fazem pensar “Poxa, precisamos repetir isso mais vezes”.

Pra descontrair…

De madrugada, um grito alto vem do quarto escuro.
O marido, que estava na sala assistindo a um filme na TV, entra correndo, acende a luz e vê um cara pelado pulando pela janela.
A mulher grita:
– Aquele cara me comeu duas vezes!
O marido pergunta:
– Duas? Por que você não gritou logo na primeira vez?
A mulher responde:
– Tava tudo escuro … Eu pensei que fosse você… Até que ele quis a dar a segunda… Aí eu achei estranho…

Perfeito

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CONTARDO CALLIGARIS

Eu sou atriz pornô, e daí?


É uma ideia antiga: uma mulher, se ousa desejar, só pode ser “a puta”, com a qual tudo é permitido


RESISTI A pedidos e pressões para que comentasse o caso do goleiro Bruno. Não gosto de especular sobre investigações inacabadas ou acusações ainda não julgadas.
No entanto, especialmente nos crimes midiáticos, sempre há fatos e atos que merecem comentário e que não dependem da culpa ou da inocência de suspeitos ou acusados.
Por exemplo, durante a investigação sobre a morte de Isabella Nardoni, o fato mais interessante era a agitação da turba: diante da delegacia de polícia, os linchadores pulavam e gritavam indignados só quando aparecia, nas câmeras de TV, a luz vermelha da gravação.
Há turbas parecidas no caso do goleiro Bruno. E, além das turbas, também alguns delegados de polícia parecem se agitar especialmente quando as câmeras estão ligadas, o que, provavelmente, não contribui ao progresso das investigações.
Mas o que me tocou, nestes dias, foi outra coisa. Segundo o advogado Ércio Quaresma Firpe, que defende o goleiro Bruno, a polícia estaria investigando um crime inexistente, pois Eliza Samudio estaria viva e se manteria em silêncio e escondida pelo prazer de ver o Bruno acusado e preso. Para perpetrar essa vingança, aliás, Eliza não hesitaria em abandonar o próprio filho de cinco meses.
É uma linha de defesa que faz sentido, visto que, até aqui, o corpo de Eliza não apareceu. Mas o advogado Firpe, para melhor transformar a vítima presumida em acusada, tentou apontar supostas falhas no caráter de Eliza soltando uma pérola: “Essa moça”, ele disse, “é atriz pornô”.
Posso imaginar a expressão que acompanhou essa declaração: o tom maroto que procura a cumplicidade de quem escuta, uma levantadinha de sobrancelhas para que a alusão confira um valor especialmente escuso à letra do que é dito.
Estou romanceando? Acho que não. De mesa de restaurante em balcão de bar, já faz semanas que ouço comentários parecidos, de homens e mulheres, mas sobretudo de homens: Eliza Samudio era “uma maria chuteira”, uma mulher fácil.
Será que essas “características” de Eliza absolvem seus eventuais assassinos? Claro que não, protestariam imediatamente os autores desses comentários. Mas o fato é que suas palavras deixam pairar no ar a ideia de que, de alguma forma, a vítima (se é que é vítima mesmo, acrescentaria o advogado Firpe) fez por merecer.
Pense nos inúmeros comentários sobre o caso de Geisy Arruda, aluna da Uniban: tudo bem, os colegas queriam estuprá-la, isso não se faz, mas, também, como é que ela vai para a faculdade com aquele vestidinho curto e tal?
No processo contra um estuprador, por exemplo, é usual que a defesa remexa na vida sexual da vítima tentando provar sua facilidade e sua promiscuidade, como se isso diminuísse a responsabilidade do estuprador. Isso acontece até quando a vítima é menor: estuprou uma menina de 12 anos? Cadeia nele; mas, se a menina se prostituía nas ruas da cidade, é diferente, não é?
Diante de um júri popular, essas considerações funcionam, de fato, como circunstâncias atenuantes: talvez estuprar “uma puta” não seja bem estupro.
Em suma, quando a vítima é uma mulher e seu algoz é um homem, é muito frequente (e bem-vindo pela defesa) que surja a dúvida: será que o assassino ou o estuprador não foi “provocado” pela sua vítima?
Atrás dessa dúvida recorrente há uma ideia antiga: o desejo feminino, quando ele ousa se mostrar, merece punição. Para muitos homens, o corpo feminino é o da mãe, que deve permanecer puro, ou, então, o da puta, ao qual nenhum respeito é devido: uma mulher, se ela deseja, só pode ser a puta com a qual tudo é permitido (estuprá-la, estropiá-la).
Além disso, se as mulheres tiverem desejo sexual próprio, elas terão expectativas quanto à performance dos homens; só o que faltava, não é? Também, se as mulheres tiverem desejo próprio, por que não desejariam outros homens melhores do que nós?
Seja como for, para protestar contra a observação brejeira do advogado Firpe, mandei fazer uma camiseta com a escrita que está no título desta coluna. Mas o ideal seria que ela fosse adotada pelas mulheres. Podem mandar fazer, sem problema; o advogado Firpe não tem “copyright” da frase.

ccalligari@uol.com.br