Violência no Rio

Sou refém do medo, confesso. Já avisei no trabalho que hj ficarei em casa. Não tenho condições psicológicas para pegar um ônibus. A impressão que tenho é de que o fim de semana será horrível e que o terror aumentará. Deus faça com que eu esteja errada. Tenho dó dos moradores da Vila Cruzeiro. Deus os proteja.

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Pessoas chatas

Todo mundo conhece ao menos um chato nesta vida e eles são muitos. Bem, pelo menos ao meu redor rs. Aqui no trabalho, por exemplo, tem uma pessoa que é mega sem noção. Além de resolver todos os problemas pessoais pelo tel do trabalho, a pessoa ainda quer grudar em mim e num pequeno grupinho de pessoas bacanas na hora do almoço. A gente tem feito de um tudo pra não levar a tal pessoa, mas ela insiste. Tá ficando chato e, sinceramente, não sei até quando vou suportar. Qualquer dia, um que acorde mais virada, vou dizer pra pessoa: Se toca ! Ninguém te chama pra almoçar pq ninguém quer ouvir suas histórias chatas.

E ó, to sendo boazinha. Tem uns 3 malandros com toque de celular escroto. Qualquer dia taco um dos aparelhos na lixeira.

 

Perfeito

A imagem e o texto traduzido roubei do blog da Kátia, o Casos e Coisas da Bonfa. Achei perfeito para o momento da minha vida. Quem sabe, da sua também.

“Essa é sua vida. Faça o que ama e faça isso frequentemente. Se você não gosta de algo, mude. Se você não gosta do seu emprego, saia. Se você não tem tempo suficiente, pare de assistir TV. Se você está procurando pelo amor da sua vida, pare; ele estará esperando por você quando começar a fazer as coisas que ama. Pare de analisar demais, todas as emoções tem sua beleza. A vida é simples. Quando você estiver comendo, aproveite até a última garfada. Abra sua mente, braços e coração para coisas e pessoas novas. Nós nos unimos em nossas diferenças. Pergunte à próxima pessoa que encontrar qual sua paixão e compartihe seu sonho com ela. Viaje com frequência; perder-se ajudará a encontrar-se. Algumas oportunidades só aparecem uma vez, aproveite-as. A vida é feita de encontros entre pessoas e criações em conjunto. Então saia e comece a criar. A vida é curta. Viva seu sonho e vista sua paixão.”

Tento, mas não entendo

Alguns fatos simplesmente fogem da minha compreensão. A morte é um deles. Semana passada o avô da Renata faleceu. Foi um choque para todos porque ele exibia boa saúde, disposição e lucidez. Mas, ok, acontece, faz parte da vida e a única certeza que temos é de que iremos morrer um dia.  Não compreendo, mas aceito. Minha preocupação é com os vivos, com minha amiga e seus familiares.

Outros fatos, no entanto, eu tento, mas não entendo. É o que acontece com algumas pessoas que conheço. Não entendo suas rotas de fuga mentais, seu medo, seu cagaço.  Se você gosta de determinada pessoa, porra, diz pra ela. Não fique com meias palavras. Não tente fazer com que o outro interprete suas ações. Deixe as coisas bem claras. Até porque a morte tá sempre aí e é importante que a gente diga EU TE AMO para quem realmente amamos antes que percamos em definitivo o ser amado.

Por que não se declarar? Ora, não vejo motivos. O que você tem a perder? Uma casa bacana? Um emprego? Um estilo de vida? Foda-se. O amor não vale tudo isso? Não é melhor arriscar ser feliz que continuar com aquela vida morna de merda? Encha o peito de coragem e deixe no passado as amarguras. Sofreu no passado? Ok, faça do seu presente e do futuro algo melhor. Curta o amor de verdade. Arrisque-se.

Semana passada uma amiga veio reclamar do casamento. Disse a moça que o marido não a satisfaz por completo, é implicante com algumas de suas preferências, o que inclui amizades, e ainda é mega pão duro, controlador e ciumento. Há amor suficiente para cobrir tantas malices? Eu, sinceramente, não teria esta paciência toda. Hora de mandar o babaca pastar e seguir em busca da felicidade. Mesmo que para tanto esta amiga tenha que passar um período sem uma companhia afetiva/emocional/sexual.

CORAGEM é tudo o que precisamos para seguir em frente, para driblar o mau-estar causado pela morte, para encarar as dificuldades no trabalho, para nos livrarmos dos falsos amigos, para rompermos com amores antigos e para buscar a felicidade. Boa parte das coisas que acontecem nas nossas vidas tem relação direta com nossas ações. Se quero um mamão, preciso plantar ou comprar. O fruto jamais aparecerá de graça no meu café da manhã. A metáfora é pobre, mas serve para a vida.

Não se acomode com a vida. Não se acanhe diante da possibilidade real da felicidade. Vá atrás dos seus sonhos e faça deles uma boa e feliz realidade.

Paris, Paris… lá vamos nós

Então, quer ir a Paris? A Sack’s Perfumaria e a fragrância J’adore, a mais famosa da Dior, completam 10 anos e vão comemorar na cidade Luz, berço da moda.

Eles vão sortear uma viagem de 7 dias para Paris. Bora?

Para participar, você só precisa se cadastrar no site da promoção e indicar meu blog, que beleza hein. Molezinha. O site é este aqui: http://www.sacks10anos.com.br/

Corre lá !!

Agradecimento

Quando a gente menos espera, recebemos um sinal divino. No fim de semana ouvi uma história tocante de uma mulher pobre, jovem e grávida. Qual o problema? Bem, há um ano esta moça perdeu o bebê na sala de parto. A criança nasceu morta e ela, sem recursos, não pode investigar a causa. Nunca passei por nada semelhante, mas deve ser uma dor sem fim levar uma gestação até o nono mês e recber seu filho morto na sala de parto.

Pois bem, agora, na 12ª semana da nova gestação ela, que estava feliz e animada, descobriu que o novo filho tem um problema. O sofrimento da moça que nunca vi me comoveu tanto que decidi fazer uma vaquinha para pagar novo exame e confirmar o diagnóstico. Para minha surpresa, no primeiro telefone que dei, uma amiga médica se ofereceu para fazer o exame de graça.

O resultado negativo, no entanto, foi confirmado. A moça precisa agora fazer um exame genético que custa R$ 950. Dei início à nova rodada da vaquinha, mas, antes, liguei para uma das melhores clínicas do Rio para me informar sobre o valor do exame, se havia data para esta semana, estas coisas.

A atendente me fez tantas perguntas sobre a grávida e eu, que não tinha resposta para nenhuma justamente por não conhecer a moça, decidi abrir a verdade: “Não conheço a paciente, ela é crecheira de uma escola pública onde trabalha uma professora que é minha amiga. Ela refez o exame de imagem e precisa do DNA, estou fazendo uma vaquinha entre amigos e preciso saber o valor do exame e se ela pode ser atendida ainda esta semana”.

Incrível, mas a atendente se comoveu, falou com o médico (que é um dos melhores da cidade) e ele a atendeu ontem, de graça. Fez novos exames e ligou para um amigo que cuida de um serviço público excelente e que,m apesar da greve na instituição, fará amanhã o DNA. O máximo, não?

Toda esta história me comoveu e inspirou. Não estou contando aqui para me gabar ou passar a imagem de boazinha que não sou, mas para estimular que outras pessoas façam o bem e sigam seu coração. Ainda existem boas pessoas no mundo e não precisamos fazer o bem apenas para quem está ao nosso lado. Nunca vi a moça, nem sei seu nome, mas, solidária ao seu sofrimento, dei início a uma corrente e ela, graças a Deus, recebeu bons atendimentos e informações confiáveis.

Provavelmente o bebê dela terá mesmo os problemas apontados nos exames já realizados, mas, ao contrário da primeira gestação, agora ela sabe que foi bem atendida e que está fazendo de tudo para conseguir ter seu filho em paz e em boas condições. A moça está aflita, só chora e lamenta a vida. Espero que ela, com os exemplos de bondade que estes médicos deram, se convença de que o mundo até pode parecer injusto, mas não o é. Que ela reforce suas forças, sua fé e acalme seu coração. Torço para que o DNA revele uma criança sadia.

dedos cruzados

Meu horóscopo hoje dia: “You are a hard worker, and almost everyone can see it. Today, that pays off for you in a big way as you attract the attention of someone who can have quite an influence over your life in more ways than one.” Vamos torcer o dedo pra que isso seja mesmo verdade.

bobeira mode on

Segue piadinha recebida por mail:

CORRIGINDO  VELHOS  DITADOS

01- “É dando que se …  engravida”.

02- “Quem ri por  último… é retardado  ou loira”.

03- “Quem  tem boca… fala o que  quiser. Quem tem grana é que vai a Roma!”
04- “Gato  escaldado… morre!”
05- “Quem espera…  fica de saco cheio.”
06- “Quando um não  quer… o outro  insiste.”
07- “Os  últimos serão … os primeiros a serem desclassificados.”
08 – “Há males que  vêm para … fu*%¨*der com  tudo mesmo!” (essa é  ótima!!!)
09 – “Se  Maomé não vai à montanha… é porque ele se mandou pra praia.”
10 – “Quem dá  aos pobres… cria o  filho sozinha.” ou “paga a conta do motel”….
11 – “Depois da tempestade vem a …. Enchente.”
12 – “Pau que nasce  torto… urina no chão.”

“Mais vale chegar atrasado neste mundo do que adiantado no outro…”

Silêncio !

“O silêncio deve ser cultivado, e procure se abster de emitir opiniões”. Como assim??? Pois bem, este é parte do meu trânsito do Personare. Será que eles sabem como é difícil pra mim ficar em silêncio?? Caraca, e o trânsito só termina dia 23. Oh, my God. Mas ok, vou pensar positivamente, afinal estou em um dia astral !!!

Animadísima…

… é como me sinto hoje. Acredito, tenho fé mesmo, de que a semana será divina. Boa semana a todos. Este é meu desejo, de coração, a todos. Quero paz, harmonia, tranquilidade. Estou pagando o dobro para não entrar em brigas, para não me irritar ou irritar os outros. Acredito que um mundo melhor começa mesmo pelas nossas atitudes. É piegas, mas é verdade.

Que este bom astral contamine você também e te estimule a ajudar o próximo, a ceder lugar aos mais idosos e a ter paciência com os burros e oprimidos.

Deixo registrada…

… minha indignação com a falta de educação dos cariocas no metrô. Gentem, hoje eu quase fui espancada pela bolsa de uma mulher. To exagerando, claro, mas, na boa, se a pessoa usa uma bolsa ENORME deve ter o cuidado para saber se a bolsa está machucando os outros.

Me incomoda também a luta de alguns por um degrau na escada rolante. Tem pra todos !! Não precisa sair correndo do vagão, atropelando todo mundo. Não estamos numa maratona. Respeito, please.

Beijo para o amigo

Este post é dedicado ao amigo de uma amiga que acabou virando também meu amigo. Confuso, eu sei, mas estou falando do Marcelo que está lá em Angola. Em sua última passagem pelo Rio fomos apresentados e nos divertimos muito na Feira de São Cristóvão. Um beijo, amigo. Você, mais que qualquer leitor, vai entender bem o significado deste post.

Beijos fúteis pra ti. Te adoro.

Super me identifiquei com algumas ideias explicitadas numa entrevista da Marie Claire. Vcs não concordam comigo?

Elizabeth Gilbert, autora de ‘Comer, Rezar, Amar’, fala sobre amor e casamento em entrevista

Por Ann Patchett

Editora Globo

Depois de enfrentar um divórcio traumático e perder todos os bens para o ex-marido, Elizabeth Gilbert, 41 anos, rodou o mundo em busca de conforto. A jornada, além de autoconhecimento, rendeu à escritora americana dois grandes legados. O primeiro: o best-seller “Comer, rezar, amar”, único de seus cinco livros a ser traduzido para 30 idiomas e a ganhar as telas do cinema. O segundo: um brasileiro 17 anos mais velho por quem Liz se apaixonou e se casou quase obrigada pela imigração dos EUA. No livro “Comprometida: uma história de amor”, recém-lançado no Brasil, a autora fala sobre traumas, mistérios e desafios do casamento.

Parte dessas reflexões, você confere no bate-papo da escritora com a amiga Ann Patchett*: Elizabeth Gilbert e eu nos conhecemos anos atrás, quando fiz uma palestra para um grupo de bibliotecários. O que começou como admiração mútua rapidamente se transformou em amizade. Apesar de ela morar em New Jersey e eu em Nashville, no estado do Tennessee [mais a oeste dos Estados Unidos], trocamos cartas enormes (à moda antiga, com envelopes e selos) e aproveitamos cada uma das ocasiões em que nos encontramos.

Recentemente fui convidada para um debate em uma livraria de Connecticut e, por sugestão de Liz, peguei um avião uma noite antes. Ela aproveitou que uma de suas amigas da cidade estava viajando para pedir o apartamento emprestado e nos encontramos para um jantar seguido de uma deliciosa “festa do pijama”, com direito à companhia de seu golden retriever Rocky. Na ocasião, tive a sorte de ler seu novo livro, “Comprometida: uma história de amor” [recém-lançado no Brasil pela editora Objetiva], quando ele ainda era apenas uma pilha de papel.

Não somente li, como ajudei Liz a moldar o produto final, insistindo para que ela incluísse a palavra “paquiderme” cada vez que se referia aos elefantes. Ao fazê-lo, creio ter deixado minha marca na grandiosidade de sua obra. A entrevista que você lerá a seguir aconteceu durante essa troca de ideias entre duas amigas e, como Liz também é uma adepta da multitarefa, foi feita a quatro mãos (eu redigi as perguntas e ela — melhor digitadora do que eu — fez as respostas). Vestindo nossos pijamas e passando meu laptop de uma para a outra, Liz e eu redigimos praticamente um tratado sobre o casamento. Material não faltou, já que a união dela com Felipe [na verdade, um gaúcho da cidade de Redentora chamado José Lauro Nunes] está completando dois anos e o meu casamento, cinco.

Ann Patchett Liz, o casamento é uma instituição que vai sobreviver?

Elizabeth Gilbert É uma instituição com capacidade darwiniana de sobrevivência. Ele se modifica da maneira necessária para continuar sendo relevante e útil na vida das pessoas. É um camaleão, capaz de se adaptar para sua preservação. Mesmo depois que os seres humanos tiverem desaparecido, o casamento continuará existindo. O que eu mais aprendi ao escrever “Comprometida: uma história de amor” foi ter um respeito profundo pelo casamento. Não só pela relação que construímos com quem amamos, mas por toda a lógica em torno dela. Repare como os casais, ao buscar intimidade, traçam círculos de privacidade ao seu redor. Casais se protegem buscando amigos, parentes e vizinhos que respeitem e admirem sua união. E é por isso que o casamento continua sendo cultuado e existindo.

AP Como você analisa as opções de casamento na sociedade moderna? Há a união estável, os acordos pré-nupciais, a comunhão de bens…

EG Muita gente olha torto para os casamentos pré-acordados. Mas a ideia é que os casais possam escolher entre uma “união light”, com uma opção mais fácil de divórcio, e o clássico “casamento para a vida toda”, com as algemas eternas. Mesmo no auge da paixão, precisamos encarar que o futuro é um mistério. Por isso, é melhor manter as opções abertas, para o caso de a união não durar, do que se forçar a ficar amarrado a ela. Eu, que no segundo casamento fiz questão de optar por um acordo pré-nupcial, posso afirmar que mapear a estratégia de saída antes de entrar na união também é um ato de amor. Assim, a gente garante que não haverá uma terceira guerra mundial caso os corações e as mentes deixem de se entender.

“O casamento não foi feito para os jovens. Éle é um exercício de contradições e decepções que exige maturidade para ensinar a amar”

AP Mas então qual é a vantagem da união no papel? O que é o casamento, se ele não for para sempre? O que, afinal, nos separa de Britney Spears [que casa e descasa]?

EG Ah! Ann, Ann, Ann! Não me obrigue a fazer uma lista de atributos que nos separa de Britney. O casamento é uma estranha combinação de sonho e realidade, e nós passamos a vida de casal tentando negociar a separação entre essas duas coisas. Moral da história: o casamento não é um jogo para jovens. O que Britney nos ensina é: não se case com 20 anos. A maturidade traz, entre outras coisas, a capacidade de suportar e sobreviver a enormes contradições e decepções. E casamento, entre outras coisas, é justamente um estudo de contradições e decepções, que nos ensina a amar de verdade, com todas as concessões que isso implica. Por isso, aconselho os jovens a checar a viabilidade de, pelo menos, alguns aspectos desse sonhos antes de entrar pela porta da igreja.

AP Muitas pessoas confundem a cerimônia com o casamento e, depois do grande dia, se desapontam com a realidade da vida a dois. Por que você acha que isso acontece?

EG Essa é uma armadilha que atinge especialmente as mulheres — sobretudo as mais jovens e românticas. Nunca me encantei pelo sonho de casar de branco ou pela ideia de que o grande dia deveria ser “o mais feliz” da minha vida. Mas perguntei a várias amigas minhas solteiras sobre essa questão e uma delas me deu uma resposta verdadeira e esclarecedora: a fantasia do dia do casamento é a de que ele representa a inegável verdade pública de que você foi escolhida. Então, durante esse dia, você é a criatura mais valiosa do mundo — um tesouro, uma princesa, um prêmio. Para muitas mulheres, que nunca se sentiram escolhidas, desejadas ou preciosas, esse é um sonho inabalável. E temo que muitas delas prefiram a cerimônia ao casamento em si. Parece um preço alto a pagar, mas ele vem de um profundo e triste desejo de ser amada e ganhar uma prova de que se é valiosa.

AP Será que não existe nada bom nessa celebração pública do afeto?

EG Sim, desculpe! É claro, que existe. A reunião familiar é geralmente emocionante e as danças na pista, divertidas. Alguém teria de ser um idiota para não gostar de ver todas aquelas pessoas bem-vestidas, arrumadas. Também há a importância da cerimônia e do ritual, que todos os seres humanos desejam e precisam: a troca de votos em público mostra para toda a tribo que a situação desse casal mudou, que aqueles dois fizeram a transição para uma nova fase da vida. Eu acho tudo isso bonito. O que sou contra é o hiperfetiche do dia do casamento e a supervalorização da cerimônia em detrimento da união real entre duas pessoas. Em outras palavras: tenho um verdadeiro problema com casais que gastam muito mais tempo discutindo a disposição dos lugares nas mesas ou a cor dos vestidos das madrinhas do que esmiuçando seus sentimentos e questões importantes como casa, filhos, finanças e fidelidade nas próximas quatro ou cinco décadas.

AP Como você explica a queda dos índices de casamento na Europa?

EG Hum, boa pergunta! Achei que você não soubesse disso. Pensei que entendesse apenas sobre o casamento nos EUA.

AP Mas seu livro não é sobre o casamento americano. É sobre o casamento global, não?

EG Ele discute o casamento global, mas deixa de fora continentes inteiros e grandes pedaços da humanidade. É um livro sobre meus esforços para encontrar um canto da história do matrimônio em que eu me sentisse minimamente confortável. Por isso acaba sendo sob uma perspectiva americana. Os europeus, principalmente os do norte, não compartilham da nossa reverência cultural pelo casamento. Na Suécia ou na Alemanha, o que importa é a família. Aqui, nos EUA, é o casal. Por isso, os homossexuais europeus custam a compreender por que os homossexuais americanos lutam tanto pelo direito de se casar: eles são perfeitamente felizes apenas por se amar e ter os mesmos direitos civis, sem a necessidade do casamento. Mas, aqui nos EUA, o casamento tem um poder místico, intangível: é um passaporte para a idade adulta, para a respeitabilidade e, em certa medida, para a cidadania. Qualquer relacionamento ou estado civil que não seja o “casado” é considerado indigno. As pessoas olham torto.

AP Agora que você está casada, como analisa essa carga toda?

EG Você não sente ou entende isso até que viva. Eu me mudei para uma pequena cidade no estado de New Jersey com meu marido, e o fato de poder apresentá-lo como “marido” — e não namorado, noivo ou, Deus me livre, parceiro — significa que somos automaticamente confiáveis, bem-vindos e legítimos. Nosso casamento [uma imposição da imigração americana para que o brasileiro pudesse permanecer nos EUA] foi um enorme atalho para a respeitabilidade social. Eu e Felipe somos rebeldes e impacientes o suficiente, e teríamos dispensado esses benefícios, mas, agora que os temos, eles nos dão um poder inegável.

“É mais fácil elegermos um presidente negro ou mulher do que uma pessoa solteira. Na nossa sociedade, ser feliz sozinho gera desconfiança”

AP Eu, que namorei meu marido durante 11 anos e não queria me casar para não ter de assumir a facilidade dessa aceitação social nem cair no conformismo dos relacionamentos duradouros, preciso lhe perguntar se você vê algum lado negativo em aceitar essa imposição social.

EG Acho que infelizmente só existe um caminho nos EUA para completar a legitimidade social, e é o casamento. Seria muito mais fácil os americanos elegerem um presidente negro ou uma presidente mulher do que um presidente solteiro. A solteirice pareceria motivo para desconfiança. O que significa que existe, sim, uma pressão maciça para que as pessoas se casem. Isso só mostra por que os americanos se casam mais — e, infelizmente, se divorciam mais — do que qualquer outro povo do mundo industrializado. Portanto, o lado negativo dessa pressão é que existe uma corrida para o altar — em busca dessa insígnia de respeito instantâneo —, quando na verdade não estamos prontos ou maduros o suficiente para realmente assumir esse compromisso.

Editora Globo 

Comprometida: a autora com o marido, o brasileiro “Felipe”

AP Agora que todo o seu trabalho está pronto e o seu quinto livro escrito, o que você acha que realmente constitui o estado do casamento?

EG Bem, o casamento mudou ao longo dos séculos. No mundo antigo, era uma união tribal, um meio de legitimar herdeiros e construir dinastias familiares. No mundo medieval, o casamento era um laço econômico, um meio de transmitir a riqueza de uma geração para a seguinte. No auge do poder da Igreja Católica, o casamento era um laço religioso, um contrato indissolúvel com Deus. Durante a Revolução Industrial, com a ascensão da prosperidade em todo o mundo ocidental, o casamento finalmente adquiriu o luxo de se tornar uma união por amor, uma expressão de opção individual. Hoje o casamento é uma curiosa mistura de tudo isso. É principalmente uma união romântica e privativa, mas sujeita às leis de impostos e de herança, com algumas implicações religiosas. É como se nós continuássemos construindo nossos valores em cima desse status, empilhando novos avanços sobre o antigo modelo. Toda a engenharia original continua lá, por baixo de tudo. Quer tenhamos consciência ou não, carregamos para nossos casamentos modernos as expectativas e a memória social de milhares de anos de história. Nós modificamos e personalizamos a coisa a cada século, a cada geração, a cada dia — tanto nos tribunais quanto em nossas próprias casas. E o casamento aceita nossas modificações graciosamente. O casamento se adapta, evolui e (de uma maneira que eu acho milagrosa e inspiradora) continua avançando.