Sem garantias

Recebi este texto de uma amiga. Ela pegou em outro blog e parece que a autoria é de Larissa Lopes. Apesar de não concordar com tudo, até porque nunca pensei em fugir, achei o texto bacana e com um conceito de vida fundamental: não temos controle sobre quase nada nessa vida, se é que temos algum, né. Vale a pena ler e refletir.

Ainda que você abrace uma pessoa com todas as suas forças,
Não pode impedi-la de ir embora.
E por mais que você diga:
“Vou sentir muito a sua falta”,
Não está em suas mãos fazer com que também sinta saudades de você.
Se por acaso contar histórias dramáticas sobre seus antigos relacionamentos,
Apenas para pedir indiretamente:
“Por favor, não me decepcione como eles fizeram”,
Há chances de não ser compreendida.
Caso tenha esperado que o seu último beijo fosse o mais longo,
As últimas palavras as mais bonitas,
O último dia juntos durasse muitas horas
E a despedida produzisse lágrimas…
Talvez perceba que nem todos os desejos se realizam.
Eu sei que essas incertezas te causam medo,
Pois realmente não existem garantias de que tudo sairá como espera.
Também sei que não é culpa sua se sentir insegura
E compreendo que espere demonstrações de afeto que a façam ver o quanto vale a pena apostar novamente suas fichas.
Você já perdeu algumas vezes nesse jogo, não é mesmo?
Eu estava ali sempre que acontecia.
Vi você subir até as nuvens
E depois cair estrondosamente com o rosto sobre a terra,
Mas sempre a vi se levantar e prosseguir.
Admiro realmente sua coragem para continuar acreditando no amor,
Apesar daqueles que tentaram fazê-la não mais acreditar.
Se puder me ouvir: esqueça-os!
Abandone todas as lembranças ruins que a fragilizaram
E pare de pensar que vive pisando em cacos.
Sei bem que seu desejo é fugir,
Pular do navio antes que alguém o naufrague.
No entanto você nem sabe quem é esse novo marinheiro
E se mergulhar no oceano agora,
Não terá a chance de descobrir.
Não garanto que suas expectativas serão atendidas,
Mas estou certa de que em meio às águas geladas você também não estará segura.
Sentimentos nos deixam frágeis,
De repente parece que você perdeu o controle do navio
E entregou o leme para outra pessoa.
Mantenha suas mãos firmes na direção,
Mas não impeça alguém de guiar ao seu lado.
Se não der certo outra vez,
Lembre-se que vou estar sempre contigo,
Afinal de contas… Eu sou você.


Anúncios

Belo telefonema

Hj, às 7h52, uma amiga querida, Liliane, me telefonou. Achou que estava me acordando, mas eu já estava no trabalho há um bom tempo. Enfim, o que queria registrar é que foi delicioso receber a ligação de uma pessoa tão querida, ainda mais porque era para me elogiar. Só Lilica mesmo para me fazer este chamego. Obrigada, amiga.

Eu e São Paulo. São Paulo e eu

Já devo ter registrado aqui, mas repito: adoro São Paulo. Cheguei à cidade na noite de terça-feira, vindo de Campo Grande (ver post abaixo), e fiquei hospedada em um hotel horroroso, mas mega bem localizado: ao lado da Oscar Freire. Dei uma volta e, em menos de cinco minutos, reforcei meu sentimento de carinho pela terra da garoa. São Paulo tem de um tudo: luxo e lixo. ADORO.

Mas este post não é para elogiar SP. Queria registrar apenas que ontem participei de um evento na sede de um importante banco e constatei que pegaria 80% dos homens que estavam no local. Faixa etária: 30-35 anos. Salário: beeem maior que o meu. A maioria gato. Todos bem cuidados, inteligentes, cabelos bem aparados, camisas bem passadas. Destes 80% que eu pegaria, casaria com uns 65%. Incrível, não? A maioria era de solteiros, pelo menos estavam sem aliança. Depois dizem que não há homem bom por aí. Eles existem, amigas leitoras, basta procurar.

PS: Pena que o encontro era estritamente profissional e não rolou tempo nem de uma paquerinha. coisas da vida. Ao menos deu pra refrescar os olhos.

Eu e Campo Grande. Campo Grande e eu

Uma das coisas mais interessantes do meu trabalho é a possibilidade de viajar para muitos lugares que, normalmente, não estariam no meu roteiro. Segunda-feira estive em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e, confesso, foi uma grata surpresa.

Por preconceito, pensei que encontraria um local muito pobre, sujo, provinciano, mas me deparei com uma cidade limpa, bem estruturada, SEM FAVELAS ou população de rua. Por acaso, na terça-feira, aconteceu um caso policial que chocou os moradores: uma tentativa de assalto a um banco com uma vítima de bala perdida. Segundo motorista que me guiava ao aeroporto, só se falava neste caso em toda a cidade. A vítima, graças a Deus, não foi fatal e acabou ganhando certa notoriedade.

Gentem, fiquei pensando, que máximo deve ser morar em uma cidade sem favelas, com baixo índice de criminalidade, organizada, sem trânsito, com ruas limpas e arbustos aparados. Nem parecia Brasil. O telejornal local nem parecia um jornal de verdade: não havia nenhum grande drama. Mentira, havia sim: a falta de vagas no centro da cidade. Alguns personagens diziam ter dado 3 voltas para encontrar um local onde estacionar. No mesmo momento lembrei de minha experiência, há duas semanas, em Ipanema, onde rodei por mais de uma hora e voltei pra Botafogo, estacionei e peguei um táxi para Ipanema. Isso sim é caos total.

Voltando à Campo Grande… Minha chegada, preciso registrar, foi confusa porque chovia bastante e o piloto precisou arremeter o avião. Houve quem achasse que a aeronave iria cair de tanto que chacoalhava, mas deu tudo certo. Nada que quinze minutos a mais de voo não resolvesse o problema e acalmasse os ânimos da tripulação e dos passageiros.

Passado o susto e o enjoo, fui, à noite, jantar no único shopping da cidade. Mais uma vez, meu preconceito me fez pensar que encontraria poucas lojas. Ledo engano. O shopping é grande e tem TODAS as grandes marcas, incluindo aquelas mais caras onde nem penso em colocar minhas narinas por pura falta de grana. Rolou até certa decepção porque não consegui comprar nenhuma lembrancinha local. Não sei, por exemplo, como é o artesanato da cidade. Não havia no shopping, pelo menos não que eu tivesse visto, um único quiosque com preciosidades regionais. Uma pena.

Valeu a viagem e recomendo a cidade. Se for à Bonito, por exemplo, tire uns 2 dias para passear pela capital do estado. Achei bem interessante.

Natascha Kampusch, uma pessoa interessante

Amigos leitores, mais uma vez tomo a liberdade de reproduzir a coluna de Eliane Brum, da Época, neste blog. Não só pela escrita perfeita e cativante, mas pela análise e pela história em si. A coluna desta semana comenta o livro de Natascha Kampusch, que foi sequestrada por 8 anos na Áustria, todos lembram bem.

Então, a tão perfeita coluna me deixou com uma vontade absurda de ler o livro de Natascha. Ela, de fato, parece ter uma lucidez impressionante de tudo o que aconteceu com sua vida e o que acontece com a sociedade atual. Segue a coluna:

A vítima indigesta – Eliane Brum, revista Época

Quase todos se lembram da austríaca que, em 23 de agosto de 2006, fugiu de seu sequestrador nos arredores de Viena. Natascha Kampusch terminava ali 3096 dias de um sequestro iniciado oito anos antes, em 2 de março de 1998. Naquele dia, sem se despedir da mãe depois de uma briga, ela caminhava até a escola quando foi agarrada e empurrada para dentro de uma caminhonete branca por Wolfgang Priklopil, engenheiro de telecomunicações, ex-funcionário da Siemens, jovem, educado, tímido e com enormes problemas com o mundo de fora. E, claro, com o de dentro.

Natascha viveu dos 10 aos 18 anos confinada no porão da casa de Priklopil. Depois dos primeiros tempos, ela alterou o porão com trabalhos duros na parte superior da casa que ajudava a reformar e a limpar. Sempre seminua e na maior parte do tempo com os cabelos raspados para não deixar vestígios. Nos últimos anos apanhava violentamente quase todos os dias e mal conseguia sustentar um corpo coberto por hematomas, cortes e lesões. A submissão era garantida ainda com a baixa ingestão de calorias e às vezes a suspensão total de comida por até dias. Aos 16 anos, Natascha media 1m75 e pesava 38 quilos.

Em 23 de agosto de 2006, Priklopil estava no bem protegido jardim da casa com Natascha, que aspirava os bancos da caminhonete, quando o celular dele tocou. Quando Priklopil precisou se afastar para atender à ligação por causa do barulho do aspirador, ela fez um enorme esforço para vencer a prisão psicológica que depois de tantos anos a paralisava mais do que os muros e escapou pelo portão. Desta vez, Natascha correu. Mais tarde, Priklopil se jogaria diante de um trem.

Este é o resumo da história. E era tudo o que eu sabia até agora porque quando começo a acompanhar esse tipo de caso no noticiário é sempre tão previsível que perco o interesse no segundo dia de cobertura. Há um monstro, louco e muito diferente de todas as pessoas boas e normais que habitam qualquer mundo, seja a Áustria ou aqui. E há uma vítima, frágil e confusa, que merece e precisa de toda a nossa pena. E há o resto de nós, que enquanto emite ahs e ohs diante da tela da TV, se regozija secretamente de que ainda bem que isso só acontece com os outros, que não há monstros morando dentro de nós nem vítimas habitando nossas almas. As tragédias cumprem seu papel de nos assegurar de nossa normalidade – assim como de nossa superioridade. E também por isso fazem um sucesso midiático tremendo.

Qual é a diferença aqui? A diferença é Natascha Kampusch. Para surpresa de seus conterrâneos e do mundo inteiro que disputava sua história (às vezes inventando detalhes sórdidos por achar que os verdadeiros ainda eram poucos), Natascha recusou-se a ocupar o lugar reservado a ela no espetáculo – o de vítima eterna.

Sim, ela dizia, eu fui uma vítima, mas isso não é tudo o que eu sou. Sim, Wolfgang Priklopil é um sequestrador e um criminoso, mas não é um monstro. “A simpatia oferecida à vítima é enganadora”, escreveria ela mais tarde. “As pessoas amam a vítima apenas quando se sentem superiores a ela”.

Natascha lutou para que não fizessem dela um produto de consumo em um show freak. Obviamente, perdeu logo a simpatia do público, que em muitos casos se transformou em ódio e ameaças pela internet. Chegou a ser acusada de cumplicidade e de ganhar dinheiro com a tragédia. Como assim, aquela menina loira e de olhos azuis, que deveria agradecer comovida a todas as manifestações de bondade vindas de todos os cantos de seu país e do mundo, ousava destruir a fábula moderna da cobertura midiática?

Pois ela ousou. E é por isso que seu livro 3096 dias – A impressionante história da garota que ficou em cativeiro durante oito anos, em um dos sequestros mais longos de que se tem notícia (Verus Editora) merece ser lido. Nas 225 páginas, Natascha Kampusch apropria-se de sua história e acerta suas contas – especialmente consigo mesma. Ao escrever a versão do que só ela viveu para contar, já que o outro protagonista está morto, eliminou qualquer possibilidade de transformarem sua vida num conto de fadas que, derrotada a fera, já teria o final feliz assegurado. Natascha Kampusch escolheu a vida, com todas as suas contradições, e não um pastiche dela – isto, quem desejava era o sequestrador.

Natascha, que leu muito no cativeiro, se expressa bem. Não é apenas a ajuda que teve para escrever o livro que garante a densidade da narrativa, mas sua capacidade de refletir e analisar o vivido torna-se bem clara também nas entrevistas que dá à imprensa. Escolhi alguns trechos do livro para que nos ajudem a entender o que Natascha nos diz. E é importante o que ela nos diz para entendermos a nós mesmos – e o nosso papel nas tragédias que se sucedem no noticiário e na vida.

Natascha Kampusch começa sua narrativa escapando do mito da infância feliz. Ela não era uma alegre e saltitante Chapeuzinho Vermelho engolida por um lobo malvado quando estava a caminho da casa da avó para mais um dia perfeito. Era uma menina que tinha dúvidas sobre o amor dos pais (como a maioria de nós, aliás), que fazia xixi na cama apesar de já ter 10 anos e sentia-se desconfortável com o próprio corpo gorducho. No dia do sequestro ela tinha conquistado a liberdade de ir sozinha à escola pela primeira vez, um trajeto de cinco minutos. Estava apavorada com a nova aventura, o que pode ter sido pressentido por Priklopil, um homem que conhecia muito bem o sentimento do medo em sua própria pele e se sentia totalmente deslocado no mundo exterior.

“Hoje acredito que, ao cometer um crime terrível, Wolfgang Priklopil queria apenas criar seu próprio mundinho perfeito, com uma pessoa que estivesse ali só para ele. Provavelmente ele nunca teria podido fazer isso do jeito normal e decidira, assim, forçar e modelar alguém para isso. Em essência, ele não queria nada mais do que as outras pessoas: amor, aprovação, calor. Queria alguém para quem ele fosse a pessoa mais importante do mundo. Ele parecia não ter visto outro modo de conseguir isso senão sequestrando uma menina tímida de 10 anos e a afastando do mundo exterior, até que ela estivesse tão psicologicamente alheia que ele pudesse ‘recriá-la’. (…)

Ele precisava daquele crime insano para concretizar sua visão de um mundo perfeito e intacto. Mas, no fim, realmente queria apenas duas coisas de mim: aprovação e afeto. Como se o objetivo por trás de toda aquela crueldade fosse forçar uma pessoa a amá-lo incondicionalmente.”

As torturas se intensificaram justamente quando Priklopil percebeu que, apesar de tirar-lhe o espelho para que não tivesse nenhuma imagem de si, batizá-la com um novo nome e proibi-la de pronunciar o antigo, ele não conseguia dobrar Natascha. E a vida idílica que esperava ter com sua mulherzinha/escrava dentro de casa, longe dos olhos do mundo, era impossível. Era impossível especialmente para ele, que se tornava cada vez mais temeroso do mundo lá fora. E mais desesperado com o de dentro, onde a menina crescia e se tornava mulher, algo com que ele nunca tinha lidado muito bem.

“Se eu tivesse apenas o odiado, esse ódio teria me consumido e me tirado a força de que eu precisava para sobreviver. Como naquele momento pude captar um lampejo do ser humano pequeno, desorientado e fraco por trás da máscara do sequestrador, pude me aproximar dele. Então, olhei em seus olhos e disse:

– Eu perdoo você, porque todo mundo erra às vezes.

Foi um passo que pode parecer estranho e doentio para muitas pessoas. Afinal de contas, o ‘erro’ dele custara minha liberdade. Mas era a única coisa a fazer. Eu tinha de conseguir conviver com aquele homem, caso contrário não sobreviveria.”

Em vários momentos do livro, Natascha mostra como o perdão tornou-se um instrumento poderoso nessa relação delicadíssima, em que o sequestrador tinha literalmente a vida dela nas mãos. Perdoar a tornava potente – e não apenas passiva. Alterava o equilíbrio de forças entre os dois. Ela passou oito anos e meio recusando-se a chamá-lo de “mestre” e a ajoelhar-se diante dele, mesmo que fosse espancada por isso.

O confronto de Natascha com o mundo de fora é revelador menos da vítima e do sequestrador – mais da sociedade, de nós. Imagine a cena. Ela corre para longe do seu sequestrador, depois de mais de oito anos de cativeiro. Diz às primeiras três pessoas que encontra, uma criança e dois homens adultos: “Vocês têm de me ajudar! Preciso de um celular para chamar a polícia! Por favor!”. A resposta foi: “Não podemos. Não trouxe meu celular”. Pense bem no que você faria diante da situação, antes de acusar a monstruosidade dessa resposta.

Em seguida ela atravessa vários jardins, salta cercas e vê uma mulher na janela da casa. Ela bate na janela e diz: “Por favor, me ajude! Chame a polícia! Fui sequestrada. Chame a polícia!” A mulher reage dizendo: “O que você está fazendo no meu jardim? O que você quer?”. Ela dá seu nome completo, explica que foi seqüestrada e que ela precisa chamar a polícia. A mulher retruca: “Por que você veio justo até a minha casa?” Então hesita: “Espere na cerca viva. E não pise no gramado!”. Antes de julgar a mulher da janela – e acho que devemos julgar, sim – vale a pena nos perguntarmos o que faríamos nessa situação.

Mais tarde, os próprios policiais tratariam Natascha com desprezo por ela não ter permitido que seguissem se comportando como seus salvadores. Pelo contrário. Ficaria provado, num escândalo posterior, que seu caso foi uma combinação de desleixo com incompetência. Que havia uma pista sólida sobre o sequestrador e a localização do cativeiro e que esta pista nunca foi investigada. Os documentos que atestavam o descaso desapareceram e só mais tarde a fraude foi desmascarada.

Enquanto isso, Natascha foi atormentada por interrogatórios infindáveis com o objetivo de obrigá-la a afirmar que estava sendo chantageada por cúmplices, que fora sequestrada por uma quadrilha – enfim, que a força policial não havia sido vencida por seus próprios erros e por um homenzinho tímido e frágil que esteve o tempo todo ali, a apenas alguns quilômetros da casa da vítima.

“As autoridades começaram a me tratar diferente com o passar do tempo. Fiquei com a impressão de que, de certo modo, eles se ressentiam do fato de que eu me libertara sozinha. Nesse caso, eles não eram os salvadores, mas aqueles que haviam falhado durante anos”.

Quando Natascha se recusou a representar o papel de vítima passiva do “monstro sexual”, foi odiada e ridicularizada. Os mais bonzinhos, com seus diplomas na parede e sua condescendência profissional, trataram de carimbar o diagnóstico definitivo na sua testa. A patologia de sempre: “Síndrome de Estocolmo”. Mas deixemos que Natascha fale, porque ela se defende com muita propriedade também dos bem intencionados.

“As coisas não são totalmente pretas ou brancas. E ninguém é totalmente bom ou mau. Isso também vale para o sequestrador. Essas são palavras que as pessoas não gostam de ouvir de uma vítima de sequestro. Porque os conceitos de bem e mau já estão claramente definidos, conceitos que as pessoas querem aceitar para não perder o rumo em um mundo cheio de tons de cinza.

Quando falo sobre isso, posso ver a confusão e o repúdio no rosto de muitas pessoas que não estavam lá. A empatia que sentem pela minha história se congela e se transforma em negação. Pessoas que não têm ideia da complexidade do cativeiro me negam a capacidade de julgar minhas próprias experiências ao pronunciar três palavras: ‘Síndrome de Estocolmo’.

Síndrome de Estocolmo é um termo usado para descrever um fenômeno psicológico em que os reféns manifestam sentimentos positivos em relação aos sequestradores. Esses sentimentos fazem com que as vítimas simpatizem ou mesmo colaborem com os criminosos – isto é o que dizem os compêndios. Um diagnóstico classificatório que rejeito enfaticamente. Por mais simpático que pareça ser o uso do termo, seu efeito é terrível, pois transforma as vítimas em vítimas novamente, ao tirar delas a capacidade de interpretar a própria história e ao transformar as experiências mais significativas em produto de uma síndrome. (o grifo é meu)

O termo aproxima de algo censurável o próprio comportamento que contribui significativamente para a sobrevivência da vítima. Aproximar-se do sequestrador não é uma doença. Criar um casulo de normalidade no âmbito de um crime não é uma síndrome. É justamente o oposto. É uma estratégia de sobrevivência em uma situação sem saída – e é muito mais verdadeiro que a ampla categorização dos criminosos como bestas sanguinolentas e das vítimas como cordeiros indefesos, na qual a sociedade quer se basear”.

Dá para entender por que, passado o clamor inicial, Natascha Kampusch tornou-se uma vítima indigesta.

Chegaram a sugerir a Natascha que trocasse de nome para não ser assinalada pelo que viveu. Como se isso fosse possível. E, caso fosse possível, como se anular seu passado não anulasse com ele uma parte essencial de si mesma. “Que tipo de vida seria essa, especialmente para alguém como eu, que durante os anos de cativeiro lutara para não perder a identidade?”, questiona.

Com surpreendente maturidade, Natascha entendeu que só tem uma vida aqueles que aceitam as suas marcas como parte do vivido, mas não como tudo o que são. E assim, ela não se fixou nas marcas nem se deixou paralisar pelo lugar de vítima eterna. Natascha Kampusch seguiu com seu corpo e sua vida marcada em direção ao futuro, pronta para ser tatuada por novas experiências. Como é, afinal, a vida de todos nós.

Natascha Kampusch não era Chapeuzinho Vermelho e, se Wolfgang Priklopil era um lobo, era um bem patético. Ela não teve a chance de ouvir os contos de fadas muitas e muitas vezes na hora de dormir para ter certeza de que o horror não aconteceria com ela, como se passa nas noites das crianças sortudas. Natascha foi arrancada da infância para ser a escrava de um adulto perturbado e talvez tão assustado quanto ela. E o horror continuava lá quando acordava presa em um porão escuro.

Aos 22 anos, Natascha precisou transformar o vivido em história contada. Para ser capaz de libertar-se e seguir adiante, porém, era fundamental ser fiel à complexidade da vida e às nuances dos personagens. Queriam dela mais um remake estereotipado do que costuma ser contado e recontado em tragédias espetaculosas. Ela respondeu com uma narrativa que nos implica a todos. É por ter se negado a dar respostas fáceis ao mundo que a assistia que não a perdoam. Mas esta é a história que a Natascha adulta pode contar a si mesma tantas vezes quanto forem necessárias e acordar no dia seguinte sabendo quem é.

Seu livro é uma boa leitura para todos, possivelmente essencial para policiais, advogados, promotores e juízes, para assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas – e, sim, para jornalistas. Se eu fosse professora de alguma faculdade de jornalismo consideraria bibliografia obrigatória. O testemunho de Natascha pode nos ajudar a cometer menos atrocidades nas coberturas das tragédias que se sucedem no noticiário.

Sobre sua relação com a imprensa, Natascha escreve o seguinte:

“Eu nunca abriria mão da minha identidade. E me apresentei diante das câmeras com meu nome completo e sem disfarces, e ofereci um vislumbre do tempo do cativeiro. Mas, apesar da minha franqueza, os meios de comunicação não me deixavam em paz. Eram dezenas de manchetes, e especulações cada vez mais absurdas dominavam o noticiário. Parecia que a verdade terrível não era terrível o bastante, então eles acrescentavam coisas muito além do suportável, negando, com isso, minha autoridade como intérprete do que eu vivera. (…)

Fui percebendo que caíra em outra prisão. Centímetro a centímetro, as paredes que substituíram o cativeiro se tornaram visíveis. Eram mais sutis, construídas com o interesse público excessivo, que julgava cada movimento meu. Assim, coisas simples como pegar o metrô ou ir ao shopping em paz se tornaram impossíveis para mim. Acreditei que, ao satisfazer a curiosidade da mídia, seria capaz de retomar minha própria história. Só depois descobri que uma tentativa como essa nunca teria êxito. Nesse mundo que buscava por mim, a questão não era eu. Eu me tornara conhecida por causa de um crime terrível. O sequestrador estava morto – não havia um caso Priklopil. Eu era o caso: o caso Natascha Kampusch.”

Ela vai mais além. Vai até o fim.

“Depois da fuga, fiquei surpresa – não pelo fato de que eu, como vítima, fosse capaz de fazer essa diferenciação, mas de que a sociedade na qual entrara após meu cativeiro não permitisse a menor nuance. Como se eu não pudesse refletir de maneira alguma sobre a pessoa que fora a única em minha vida durante oito anos e meio. Não posso nem aludir ao fato de que preciso desse recurso para tentar superar o que aconteceu sem despertar incompreensão.

Ao mesmo tempo, percebi que, em certa medida, também idealizei a sociedade. Vivemos em um mundo em que as mulheres apanham e são incapazes de abandonar o homem que bate nelas, embora, em tese, a porta esteja aberta. Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência extrema. Uma em cada duas mulheres sofre assédio sexual durante a vida. Esses crimes estão em toda parte e podem ocorrer atrás de qualquer porta do país, em qualquer dia, e talvez só provoquem um dar de ombros ou uma indignação superficial.

Nossa sociedade precisa de criminosos como Wolfgang Priklopil para dar um rosto ao mal e afastá-lo dela mesma. É preciso ver imagens desses porões para que não se vejam os muitos lares em que a violência ergue sua face burguesa e conformista. A sociedade usa as vítimas desses casos sensacionalistas, como o meu, para se despir da responsabilidade pelas muitas vítimas sem nome dos crimes praticados diariamente, vítimas que não recebem ajuda – mesmo quando pedem.

Crimes assim, como o que foi cometido contra mim, formam a estrutura austera, em branco e preto, das categorias de Bom e Mau nas quais a sociedade se baseia. O criminoso deve ser um monstro, para que possamos nos ver no lado dos bons. O crime deve ser acrescido de fantasias sadomasoquistas e orgias selvagens, até que seja tão extremo que não tenha mais nada a ver com nossa própria vida.

E a vítima deve ficar destruída e permanecer assim, para que a externalização do mal seja possível. A vítima que se recusa a assumir esse papel contradiz a visão simplista da sociedade. Ninguém quer ver isso, porque, caso contrário, as pessoas teriam de olhar para dentro de si mesmas”.

A história que Natascha Kampusch escolheu contar foge de todas as simplificações. E por isso ela pagou – e vem pagando – um preço alto. Me pergunto de onde essa garota presa e torturada por um homem solitário e instável durante mais de oito anos conseguiu forças e lucidez para continuar brigando pela integridade do que é. Não mais agora contra Wolfgang Priklopil, mas contra todos nós que queremos reduzi-la às necessidades de nosso voraz apetite por vítimas. Ao nosso desespero por uma normalidade que só existe em nossas fantasias, à categorização simplista do bem e do mal – onde todos estamos, claro, sempre no lado do bem.

Suponho que, logo após a fuga, Natascha Kampusch tenha percebido que não podia se deixar sequestrar novamente – agora não mais pelo criminoso de um só rosto, mas pela sociedade que tentava aprisioná-la em rótulos fáceis, convenientes para todos menos para ela. Assumiu o preço sempre custoso da liberdade e vem tentando ditar suas próprias regras. Algo como: “Ah, vocês esperavam ser salvos? Desculpa, mas não à custa da minha vida”.

Este livro é um manifesto de afirmação de sua identidade. Com toda a inteireza de sua experiência. À Natascha Kampusch, meu máximo respeito. Espero que ela continue nos mandando passear e siga com a sua vida.

Marceloooo, vem logo de Angola !

A correria do trabalho impediu que eu registrasse aqui o quanto fiquei feliz com uma ligação que recebi esta semana. Estava eu lá, sofrendo na fisioterapia, quando o celular tocou. Lá de Angola, Marcelo mandou avisar à mulherada carioca que está chegando. E de vez. O moço volta para o Brasil em pleno Carnaval e quer ir a todos, isso mesmo, TODOS os blocos. Vem com tudo amigo.

 

“O amor vem de onde menos se
espera quando não se está
procurando por ele. Sair à
procura do amor nunca resulta
na chegada do parceiro certo e
só cria melancolia e infelicidade.
O amor nunca está fora de nós,
mas dentro de nós.”

Louise Hay

Dia dos Namorados

Hoje, nos Estados Unidos, Canadá, Itália, Portugal  e em outros países, é dia de São Valentim, o que para nós no Brasil chamamos de Dia dos Namorados.

Diz a lenda que Valentim era um sacerdote, que serviu durante o século III em Roma, e que foi contrário à decisão do imperador Claudius II de que os homens solteiros não poderiam se casar para serem melhores soldados. Percebendo a injustiça do decreto, Valentim desafiou Claudius e continuou a realizar casamentos de jovens amantes em segredo. Quando as acções de Valentim foram descobertas, Claudius ordenou que ele fosse condenado à morte. Triste, mas lindo, não? Valentim deu sua vida ao amor alheio.

Então, quem tem um namoradinho, uma esposa ou mesmo um amante, deve celebrar o dia de hoje em homenagem a este homem santo e corajoso que enfrentou o imperador em nome do AMOR.

Feliz Dia de São Valentino a todos os apaixonados*. Sim, sei que vai aparecer um monte de gente dizendo que esta é mais uma data comercial. E daí? Se este é mais um pretexto para que a gente lembre do outro, ok, tá valendo. O fato é que a correria do dia, as atribuições do trabalho, a responsabilidade com o pagamento de contas e mais contas, nos torna um tanto duros e amargos e, alguns, vejam bem, apenas alguns, acabam esquecendo a importância de dizer bom dia ao amado, de mandar flores ou mesmo escrever um singelo bilhete declarando seu amor. Um Eu Te Amo sincero pode fazer milagres pela saúde alheia.

Claro que tudo isso só faz sentido se o sentimento for verdadeiro. Não adianta nada entupir o ser amado de mimos e fazer isso apenas para apaziguar uma culpa ou para cumprir um rito. A energia do dia hoje é de paz e amor, então deixe coisas boas entrarem em sua vida. Como? faça coisas boas. E isso, meus caros, serve também para mim, que não tenho um objeto do sexo masculino a ser amado.Se puder perdoar alguém, perdoe.

Mesmo sem um par, celebro São Valentino por sua coragem, fé e certeza de que o amor é capaz de promover as mais profundas mudanças. Quem ama é mais feliz, mais sorridente, menos chato. Isso é fato. O amor deixa o mundo colorido e cheio de graça. Quem não percebe um mal-amado no trabalho que atire a primeira pedra. Eles podem ser identificados a quilômetros de distância. Desejo um dia de amor, alegria e boas vibrações a todos.

*Estou fora dessa.

Advogada homofóbica circula pelas ruas do Recreio

Estou irritada, incomodada, estupefata. Um amigo muito querido foi vítima de homofobia. X (pouparei sua real identidade pq ele tem medo) estava na academia, como faz todos os dias, alegre, sorridente, sempre cordial com todos. Não há uma pessoa que conheça X que não goste dele. Nunca o vi brigando, causando problemas ou sendo escroto.

Pois bem, a academia estava lotada e ele pediu para que uma senhora retirasse do chão o colchonete suado que ela tinha acabado de usar. Quem já malhou sabe que esta é uma prática comum: você usa o colchonete e depois o coloca no local adequado para limpeza. Enfim, desta vez, esta senhora advogada e aprendiz de fotografia se recusou. Além de dizer que não iria retirar o colchonete, ainda chamou meu amigo de bicha recalcada, entre outras coisas não muito gentis.

Não bastasse a agressão verbal não justificada, ao sair da academia, a tal senhora advogada e aprendiz de fotografia, o esperava do lado de fora, acompanhada de seu filho sarado e também homofóbico. Os dois xingaram novamente meu amigo, colocaram o dedo na cara dele, ameaçaram “dar porrada” e só não o fizeram porque o sensato dono da academia impediu.

E agora, o que fazer? Estou na luta para que meu amigo X vá até a delegacia prestar queixa contra injúria, difamação e ameaça contra esta senhora advogada e aprendiz de fotografia e seu filho pitbull.  Com medo, X ainda não se decidiu. Uma pena. No entanto, enquanto ele trava esta batalha interna e tenta vencer o medo, decidi expor o caso na internet e buscar ajuda de amigos jornalistas, fotógrafos e deputados. Pessoas do bem, velhos e queridos conhecidos, e que são cientes de que homofobia não pode e não deve passar em branco. Não podemos fechar os olhos para este absurdo.

X é bom filho, amigo, trabalhador. Uma pessoa divertida, de bem com a vida e que só faz o bem aos outros. Entre também nesta luta.

Se você, caro leitor, tiver um blog, twitter, facebook ou afim, divulgue este caso. Esta homofóbica moradora do Recreio dos Bandeirantes precisa saber que a sociedade recrimina seu ato e está de olho nela.

Aliás, se acontecer qualquer ato de violência praticado contra este meu amigo, irei acusá-la. É bom que ela preserve a integridade física de X.

PS: Assim que X for à delegacia, publicarei aqui o nome completo da advogada aprendiz de fotografia e homofóbica.

 

SENADO DESARQUIVA PROJETO QUE TORNA CRIME A HOMOFOBIA.

O Plenário do Senado aprovou na terça-feira (8) requerimento solicitando o desarquivamento do PLC 122/2006, que torna crime a discriminação de homossexuais, idosos e deficientes, mais conhecido como o projeto que criminaliza a homofobia.

O requerimento aprovado foi apresentado pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) e contém assinatura de 27 outros senadores.

Com a aprovação do requerimento, a projeto volta a tramitar na Comissão de Direitos Humanos (CDH), na forma do substitutivo foi aprovado em novembro de 2009 na Comissão de Assuntos Sociais. O substitutivo é de autoria da então senadora Fátima Cleide (PT-RO).

Além da CDH, a matéria tem que ser examinada ainda pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) antes de ir ao Plenário. Caso seja aprovada pelo Senado, a proposta volta à Câmara, por ter sido modificada.

O PLC 122/2006 foi enviado ao arquivo porque o Regimento Interno do Senado estabelece que, ao final de uma legislatura, todas as propostas em tramitação há mais de duas legislaturas sejam arquivadas. Dessa forma, foram ao arquivo todas as matérias apresentadas em 2006, último ano da 52ª legislatura, e anos anteriores.

O projeto de Lei da Câmara número 122/2006 é de autoria da então deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) e foi aprovado na Câmara em dezembro de 2006. A proposta altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que tipifica “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

A proposta de Iara Bernardi inclui entre esses crimes o de discriminação por gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Marta Suplicy pretende apresentar ainda em 2011 projeto regulamentando a união civil entre pessoas do mesmo sexo, informou a assessoria da senadora. Atualmente não há nenhuma legislação que contemple este tipo de casal. Marta Suplicy apresentou projeto nesse sentido na Câmara dos Deputados em 1995. A matéria chegou a ser aprovada em comissões, mas nunca foi votada no Plenário da Câmara.

Agencia Senado

bucéfalo anácrono!!!

Recebi por email e achei curioso:

– Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

– Oh, bucéfalo anácrono!!!…Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:

– Dotô, rezumino….eu levo ou dêxo os pato???…

Felicidades mil para Camilla

Hoje é aniversário da minha amiga mais pimenta. Isso mesmo, estou falando da Camilla Lopes, que completa 30 primaveras (esta coisa cafona e babaca foi só pra te provocar, amiga rs). A conheci numa mesa de bar e fiquei com ótimas impressões. Nos encontramos novamente e a amizade fluiu de uma forma que, sinceramente, até ler as rabugices dela no twitter me divertem.

Já mandei recados pelo Facebook, Twitter e agora será por aqui. Desejo o que há de melhor na vida para esta amiga-mulher-mãe-trabalhadora-divertida-inteligente-rock-and-roll.

Maluco pra tudo

Então, a gente sempre concorda com a frase de que tem maluco pra tudo. E as pessoas se esforçam pra confirmar a verdade na frase. Veja bem o exemplo desta foto. Isso mesmo, o fotógrafo, artista e louco, o iraniano Wafaa Bilal, que se submeteu a uma cirurgia para implantar uma máquina fotográfica na cabeça.

A cada minuto, a máquina dispara e registra imagens que ele não conseguiria ver normalmente, a não ser que usasse um espelho, claro. As imagens são publicadas no site do louco, no que ele chama de Terceiro Olho. Então tá né, tem maluco pra tudo. Neste caso, ele e os médicos que toparam fazer este implante.

Inteligência

A Super Interessante deste mês diz que sou mais inteligente que as demais pessoas. Oi? Bem, a revista não fala especificamente de mim, mas diz que as pessoas que dormem tarde são mais inteligentes. A conclusão é da Universidade de Londres. De acordo com o estudo, ficar acordado até tarde é sinal de curiosidade e vitalidade intelectual. Então tá, né.