Baú

Revirando o baú do blog descobri parte de um email que enviei para uma pessoa, então importante, em 2007. Republico este trecho final com felicidade. O tempo passou, mas minhas intenções continuam as mesmas. Apesar das dificuldades, decepções e afins, continuo sonhando. Sempre.

“Agora, tento construir outros sonhos, até porque quem não sonha não vive, eu acho, mas meus sonhos são mais modestos e dependem exclusivamente de mim. Não deposito no outro minhas fantasias, meus quereres.”

Sobre a vida

Eu, que sempre penso na morte, fui obrigada a encarar a perda de duas pessoas importantes, cada uma a seu modo, claro, em um espaço curto de 4 meses. Difícil pra cacete. A primeira perda foi do meu avô, de 81 anos. A segunda, do meu amigo Marcelo, de 32 anos. Em comum, a estupidez com que a morte nos assola.

Foram duas mortes inesperadas (vão dizer que nenhuma é, mas isso não é verdade pq espero a qq momento ler sobre a morte da Amy Winehouse, por exemplo). Sei que é de se esperar que uma pessoa de 81 anos não tenha muita perspectiva, mas meu avô tinha. Era ativo, lúcido, namorava, dirigia, participava dos assuntos da família. Daí, o choque de receber em uma madrugada uma ligação desesperada sobre o ocorrido. No entanto, apesar do choque inicial, ter visto o corpo do meu avô não foi tão doloroso quanto ter visto o do Marcelo.

Neste ponto acredito que ter a certeza de que meu avô viveu plenamente seus 81 anos, trabalhou, viajou, teve três filhos, foi preso por engano durante a ditadura, foi à inauguração do Maracanã, casou duas vezes, enviuvou duas vezes, … enfim, fez/realizou centenas de coisas…tudo isso me fez encarar a morte dele com mais naturalidade.

Já o telefonema, em outra madrugada, que anunciou a morte do Marcelo… bem, este foi difícil de engolir. Um amigo fantástico, cheio de vida, saúde e planos. Ele estava planejando uma super viagem de nós dois para NY em setembro. Iríamos passar meu aniversário lá. Não consido acreditar que ele tenha morrido tão rápido, tão estupidamente. Não consigo me acostumar com a ideia de que não terei mais as risadas dele, as observações inteligentes, as conversas agradáveis, os almoços descontraídos, leves, ricos de amizade. Ninguém viveu tudo o que tem pra viver aos 32 anos. O que fazer com os planos? Sei que a única alternativa que tenho é a aceitação. Preciso aceitar, me conformar e encarar como algo natural.

Movida por centenas de sentimentos indescritíveis, decidi reler algumas coisas deste bloguinho abandonado e achei, entre muitas bobeiras e memórias, o texto abaixo do maravilhoso Mário Quintana. Vale a pena reler e repensar o que estamos fazendo da nossa vida? Como verbalizamos nossos sentimentos?

A vida – Mário Quintana

“A vida são deveres que trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira… Quando se vê, já é Natal… Quando se vê, já terminou o ano.. Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida… Quando se vê, passaram-se 50 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado…Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava orelógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas. Seguraria o meu amor, que está há muito à minha frente, e diria eu te amo.”

Reconheço e quero este silêncio de volta

Então, em junho de 2008 escrevi o post abaixo. Decidi republicá-lo hoje pela simples constataação de que não mudei em nada. Pelo menos não a respeito disso.
Continuo querendo e admirando este silêncio revelador. E sim, só quem já sentiu sabe o que é.Bom dia a todos.

Silêncio revelador…

Publicado em 26/06/2008 por revictal

…. já escrevi aqui que considero o silêncio revelador. Hj, Contardo Calligaris escreve o mesmo em sua coluna na Folha, com muito mais propriedade, claro. Pois bem, ele fala de amores silenciosos. Tb acho que nada substitui alguns momentos, nem mesmo o já banal ‘eu te amo’. Ficar abraçada ao ser amado, apenas ouvindo e sentindo sua respiração é impagável.

Eis um trecho de Calligaris hj: “Nunca sei se as declarações de amor são constatativas (“Digo que amo porque constato que amo”) ou performativas (“Acabo amando à força de dizer que amo”). E isso se aplica à maioria dos sentimentos…….. nossa verborragia amorosa atropela o outro. A complexidade de seus sentimentos se perde na simplificação dos nossos, e sua resposta (“Também te amo”), de repente, não vale mais nada (“Eu disse primeiro”). Por isso, no fundo, meu ideal de relação amorosa é silencioso, contido, pudico. “

A gente sabe que atingiu a total cumplicidade quando não precisa dizer nada, quando a presença silenciosa basta, se torna suficiente, alimenta a alma e nosso coração. Só quem já sentiu o que escrevo vai compreender de fato o significado da expressão sublime amor.

Algumas coisas não precisam ser ditas. Até porque, por força do hábito, se diz muita coisa da boca pra fora. Claro que ganhar flores no Dia dos Namorados é ótimo. Mas ganhar flores em outro dia qq é bem melhor, sem que tenha de haver um motivo no calendário, apenas pela vontade de expressar, mais do que verbalizar, o amor pelo ser amado.

Pra mim, os atos valem muito mais. Contam mais. Adoro ouvir palavras belas, mas, se quer me agradar, faça coisas bacanas. Me surpreenda.

PS: Dica gratuita hein, rs

Fechando a tampa

O Carnaval 2011 foi fantástico. Já publiquei algumas das muitas fotos, mas gostaria de fazer outros dois registros. Um deles ontem, no bloco Fogo e Paixão. Gentem, este bloco foi tudo de bom, a melhor novidade do carnaval. Músicas bregas, gente alegre, de braços levantados e cantando Como uma Deusa. Sensacional. Isso sem falar na chuva de cuecas.  Sim, há quem vista camisa de bloco, mas no Fogo e Paixão o que se veste é cueca. Na música do amado Wando, que dá nome ao bloco, os integrantes da bateria promovem uma chuva de cuecas. Momento mágico. Foda.

A outra foto foi feita semana passada, no Zoo Bloco, no Aterro. Bem, acho que ela é bem explicativa. Malandro tava lá, fazendo aquela massagem quando, de repente, apareceu um bloco com seus foliões e batucadas. Você interrompeu a massagem? Nem ele. O cara continuou ali como se nada tivesse acontecendo. Isso é que é poder de concentração. Meus parabéns a esta pessoa.

é preciso acreditar

Quando um médico diz aos parentes de um paciente que ele só tem 15% de chance de sobreviver, o que se faz? Rezar. Pra mim esta é a única opção. Estamos rezando por um amigo querido que está nessa situação e, graças a Deus, ontem ele já deu sinais de melhoras e, mesmo em coma induzido, reagiu às palavras de uma pessoa importante em sua vida e chorou. Gentem, isso é tudo. Fiquei feliz em saber que este amigo está reagindo. Ele é guerreiro, jovem e vai sair dessa.

Confesso que sexta-feira, após visitá-lo no CTI, fiquei bem deprimida, não quis fazer nada, passei o sábado na cama. Ontem, porém, decidi dar a volta por cima. Saí da cama, fui a uma festinha de um ano celebrar a vida, segui para 2 blocos com uma amiga querida. Encontrei outras pessoas. Me diverti.

Se tudo o que temos na vida é tempo e não sabemos quanto tempo teremos, temos de viver cada segundo como se fosse o último. Isso não significa dizer, claro, que temos que sair por aí bebendo todas, usando drogas e trepando com qq um. Quero dizer que temos de aproveitar cada m0mento ao lado das pessoas que curtimos, que amamamos, que nos amam, que nos deixam feliz, em paz. Viver a vida em plenitude, com a consciência tranquila de que se é uma boa pessoa, que não se faz ou deseja o mau para nosso pior inimigo. Melhor, pensar que não temos inimigo. Se dedicar aos detalhes, prestar atenção na palavra, não julgar, comemorar as pequenas vitórias.

Aliás, é sobre pequenas vitórias que estou falando. A melhora deste amigo, por menor que seja, é um passo importante em sua recuperação. Hoje estou com um pouco mais de fé e amanhã terei mais e mais e mais. E assim vamos vivendo, cada dia de cada vez, como se fosse o último. Tudo vai dar certo e vou passar meu aniversário em NY com este amigo, conforme o planejado nos últimos meses. Acho que já vou até marcar a entrevista pro meu visto. Isso será um bom sinal de fé e esperança.