Sobre a vida

Eu, que sempre penso na morte, fui obrigada a encarar a perda de duas pessoas importantes, cada uma a seu modo, claro, em um espaço curto de 4 meses. Difícil pra cacete. A primeira perda foi do meu avô, de 81 anos. A segunda, do meu amigo Marcelo, de 32 anos. Em comum, a estupidez com que a morte nos assola.

Foram duas mortes inesperadas (vão dizer que nenhuma é, mas isso não é verdade pq espero a qq momento ler sobre a morte da Amy Winehouse, por exemplo). Sei que é de se esperar que uma pessoa de 81 anos não tenha muita perspectiva, mas meu avô tinha. Era ativo, lúcido, namorava, dirigia, participava dos assuntos da família. Daí, o choque de receber em uma madrugada uma ligação desesperada sobre o ocorrido. No entanto, apesar do choque inicial, ter visto o corpo do meu avô não foi tão doloroso quanto ter visto o do Marcelo.

Neste ponto acredito que ter a certeza de que meu avô viveu plenamente seus 81 anos, trabalhou, viajou, teve três filhos, foi preso por engano durante a ditadura, foi à inauguração do Maracanã, casou duas vezes, enviuvou duas vezes, … enfim, fez/realizou centenas de coisas…tudo isso me fez encarar a morte dele com mais naturalidade.

Já o telefonema, em outra madrugada, que anunciou a morte do Marcelo… bem, este foi difícil de engolir. Um amigo fantástico, cheio de vida, saúde e planos. Ele estava planejando uma super viagem de nós dois para NY em setembro. Iríamos passar meu aniversário lá. Não consido acreditar que ele tenha morrido tão rápido, tão estupidamente. Não consigo me acostumar com a ideia de que não terei mais as risadas dele, as observações inteligentes, as conversas agradáveis, os almoços descontraídos, leves, ricos de amizade. Ninguém viveu tudo o que tem pra viver aos 32 anos. O que fazer com os planos? Sei que a única alternativa que tenho é a aceitação. Preciso aceitar, me conformar e encarar como algo natural.

Movida por centenas de sentimentos indescritíveis, decidi reler algumas coisas deste bloguinho abandonado e achei, entre muitas bobeiras e memórias, o texto abaixo do maravilhoso Mário Quintana. Vale a pena reler e repensar o que estamos fazendo da nossa vida? Como verbalizamos nossos sentimentos?

A vida – Mário Quintana

“A vida são deveres que trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira… Quando se vê, já é Natal… Quando se vê, já terminou o ano.. Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida… Quando se vê, passaram-se 50 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado…Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava orelógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas. Seguraria o meu amor, que está há muito à minha frente, e diria eu te amo.”

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