louca para ver este filme: One Day

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Sobre a vida

Ayrton Senna era mesmo um cara incrível. Devia ter um milhão de defeitos, claro, mas sabia claramente o que queria fazer da vida. E amava o que fazia. Sabia de todos os riscos e os enfrentava. Um grande exemplo. Bem, a não ser que se queira viver uma vida morna. Eu não quero.

“Há um certo perigo em corridas de Fórmula 1. Faz parte da corrida. Sempre que você pilota, faz testes ou corre fica exposto a certos riscos. Há riscos calculados e situações inesperadas que podem surgir. E você pode morrer numa fração de segundo. Você percebe que não é ninguém. De repente, você não é nada e sua vida pode acabar de repente. Isto faz parte de sua vida. Você pode enfrentar isto de modo calmo, profissional ou pode desistir, abandonar e não fazer isto. Acontece que gosto muito do que faço para apenas desistir. Não posso desistir. Faz parte da minha vida”.
(Ayrton Senna 1960 – † 1994 †)

É por isso que amo a FAZENDA

LOVE programas toscos e A Fazenda 4 está entre eles, claro. Ontem começou mais uma edição do programa e a Record fez o favor de me mandar por email o perfil dos participantes. A descrição deles é sensacional, diz até o estado civil das pessoas. Marquei as partes mais divertidas (toscas). Acompanhe:

Duda Yankovich

Lutadora de boxe, nasceu na Sérvia e está no Brasil desde o ano 2000. De 2006 a 2009 foi campeã mundial de boxe feminino. A atleta de 34 anos tem namorado.

François Teles

Modelo internacional, solteiro, 37 anos, perfil bonitão. Natural do Espírito Santo, já fotografou para campanhas em vários países.

Gui Pádua

Ex-paraquedista e repórter, aventureiro, 34 anos. É extrovertido e adora desafios.

Joana Machado

Personal trainer de 30 anos, bonita, sarada, já posou nua para uma revista masculina de grande circulação. Atualmente está namorando.

João Kleber

O apresentador de 54 anos ficou famoso  por ter um programa que colocava em xeque a fidelidade de casais. Popular, polêmico,  também já apresentou atrações de TV  em Portugal, onde mora atualmente.

Marlon

Cantor sertanejo, faz dupla com o irmão Maicon. Tem 33 anos, está no terceiro casamento. Pai de dois filhos, é bonito, carismático.

Raquel Pacheco “Bruna Surfistinha”

Raquel ficou conhecida como “Bruna Surfistinha”. Aos 25 anos, é escritora, DJ e tem até um filme contando sua história como garota de programa. Atualmente está casada.

Renata Banhara

Modelo e repórter. Aos 35 anos, é solteira, vaidosa e bem decidida. Já participou de vários programas de TV expondo sua vida pessoal.

Taciane Ribeiro

Modelo de carreira internacional, já participou de campanhas em vários países. Morena de olhos verdes, sua beleza chama a atenção.

Thiago Gagliasso

O ator já participou de algumas novelas da Record como “Luz do Sol” e “Mutantes”. Aos 21 anos, está solteiro.

Valesca Popozuda

A cantora de funk é sucesso por onde passa. Aos 32 anos, solteira. Assume que tem silicone no bumbum, sua marca registrada quando dança funk. Tornou-se popular como vocalista do grupo “Gaiola das Popozudas”.

Anna Markun 

A atriz  tem 35 anos  e é  mãe de filhas gêmeas. Assume ter personalidade forte. Atualmente é separada e não está namorando.

Compadre Washington

O cantor e compositor ficou famoso em todo o Brasil no grupo É o Tchan. Solteiro, 49 anos, ele é pai de 10 filhos. De perfil engraçado, despachado, está confiante que vai ganhar o prêmio.

Dinei

Ex- jogador de futebol  ídolo da torcida corintiana. Aos 40 anos, tem 6 filhos, mas está solteiro. Com personalidade forte, fala o que pensa.

Feliz Dia do Amigo

Então, já estamos em 20 de julho. CARACA, o ano está voando. Daqui a pouco já é natal na leader magazine. Enfim, não é sobre o tempo que pretendo escrever, mas sobre você, leitor, amigo querido, amigo de todas as horas, amigo que tem acompanhado aqui algumas de minhas histórias, casos de amigos, devaneios. Obrigada pela audiência, pelo carinho, pela companhia. Desejo um Feliz Dia do Amigo !!

 

 

As pessoas são estranhas

Sim. As pessoas são mesmo estranhas. Todas. Cada uma a seu jeito.  E o pior: elas se acham normais. To me incluindo nesse pacote, claro. Afinal, também tenho minhas esquisitices, incoerências e afins. Mas, ok, se cada um permanecer no seu quadrado, sem sacanear o próximo, sem encher o saco… já tá de bom tamanho. Não sei quanto a vocês, mas tenho aturado, nos últimos anos, muita gente chata. Boa parte deste povo estou cortando da minha vida, mas não dá pra fazer cortes tão radicais. Os malas mesmo, os mais esquisitos, nossa, estes são difíceis de cortar. Eles grudam e sabem mesmo como encher nosso saco.

eu caio

Sim, eu sou dessas que cai na pilha alheia. Não em qualquer pilha, claro, mas há uma pessoa específica que consegue me provocar por qualquer bobeira.

O pior é que eu sei disso, mas sempre caio. Ó céus, ó vida, ó azar.

Música do dia

Piece Of My Heart – Janis Joplim
Oh, come on, come on, come on, come on!
Didn’t I make you feel like you were the only man -yeah!
Didn’t I give you nearly everything that a woman possibly can ?
Honey, you know I did!
And each time I tell myself that I, well I think I’ve had enough,
But I’m gonna show you, baby, that a woman can be tough.
I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah,yeah.
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it if it makes you feel good,
Oh, yes indeed.
You’re out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain’t right,
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night,
Babe, I cry all the time!
And each time I tell myself that I, well I can’t stand the pain,
But when you hold me in your arms, I’ll sing it once again.
I’ll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby.
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah,
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it, child, if it makes you feel good.
I need you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c’monnow.
oh, oh, have a
Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it -whoahhhhh!!
Take it!
Take it! Take another little piece of my heart now, baby,
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart, now darling, yeah, yeah,yeah, yeah,
Oh, oh, have a
Have another little piece of my heart now, baby, hey,
You know you got it, child, if it makes you feel good.

E a saudade, como faz???

Todo dia a mesma coisa. Ela acorda, pega o celular e vê se tem alguma mensagem de texto. Se não tem, vai correndo escrever. A vontade de manifestar qualquer sentimento é enorme. Se tem mensagem na caixa de entrada, abre um largo sorriso no rosto. Corroída pela saudade e pelo vazio na cama, levanta, se arrasta pela casa e chega até a cozinha. Lê as notícias, toma café e segue para o banho.

Os movimentos sabem que primeiro lava-se a cabeça, depois o resto do corpo. Tudo muito automático, sem pensar. Até mesmo porque a cabeça está longe. Banho tomado, veste-se e segue para o trabalho. Uma hora no engarrafamento ouvindo músicas melosas. E a cabeça? Continua longe, bem longe. Sempre. Ao chegar no trabalho, pega a folhinha e constata. Ainda falta muito para o dia 30. O que fazer? Esperar até o dia 30…

Contar as horas, os minutos, os segundos. Passar parte do dia com a cabeça loooonge e o coração apertado. Esperar anoitecer. Fica acordada até tarde, batendo papo pelo Viber. Ó dura vida esta, a da longa distância.

Eu quero

Então, setembro tá chegando e mais uma primavera se aproxima. Mentira, caguei para a primavera, to feliz pelo meu aniversário mesmo. Então, a partir de hoje vou publicar aqui coisas bacanas que gostaria de ganhar de presente dos amigos. A começar pelo cabideiro Like, em homenagem ao Facebook. Um mimo à venda na Meninos.

Medo

Lidar com nossos medos é tão complicado né. Queria não ter medo do desconhecido. Até me considero um tanto corajosa, mas não sou 100% destemida. Tenho medo de mim, de alguns pensamentos, sentimentos e de como isso pode afetar minha relação com algumas pessoas. No entanto, sei que o medo é desnecessário e totalmente inútil. O que tiver de ser, será.

A dor da perda

Hoje fui à missa pela morte de 7 dias do filho de uma amiga. Uma vida adolescente que foi roubada com um tiro por um outro jovem adolescente, só que drogado. Ou seja, duas vidas perdidas. Duas famílias destruídas. Muita estupidez para meu pobre coração apaixonado.

Estou triste e não vou dizer que era de se esperar isso porque, infelizmente, algumas pessoas não ficam tristes nem com situações assim. A sociedade está corrompida e é um projeto que deu errado. Muita briga por coisa alguma, gente querendo arrumar cabelo em ovo ou que faz de tudo para sacanear os outros em casa, no trabalho em qq lugar. Sei lá, algumas pessoas acham que têm como missão na Terra destruir a vida alheia, puxar tapetes, causar intrigas, fofocas, provocar desunião e ódio.

É gente demais querendo se dar bem, querendo que o outro não tenha dinheiro, amor ou alegria. Lidar com a inveja é muito complicado para quem sente e para quem é o alvo da mesma. Sei bem do que falo porque já sofri muito na pele com gente desse tipo. Alguns, acreditem, familiares. Pessoas que me viram nascer, que disseram me amar e que riram comigo por diversas situações. Gente que se dizia muito amiga, confidente, torcedora nata pelo meu sucesso, mas que, na verdade, só queria saber da minha vida para alimentar algum processo doentio interno. Vai entender. Bem, eu não entendo, nem quero gastar meu tempo com isso.

É de onde menos se espera que vem o esbarrão que tenta nos derrubar. O que fazer em casos assim? o mesmo de sempre para qq situação, até mesmo para a desta minha amiga inconsolável: levantar a cabeça, renovar a fé e seguir em frente. Sem olhar para trás.

Não é preciso vingança, aliás não gosto nem mesmo desta palavra, não é preciso qq ato de represália. Nenhuma palavra volta atrás. Nem mesmo atos. O importante é seguir confiante naquilo que se acredita e seguir em frente, com orgulho dos próprios princípios e a esperança renovada em dias melhores.

Espero mesmo que minha amiga consiga conforto nos braços dos amigos e parentes. Sei que minha presença na missa e a de tantas outras pessoas não ajuda muito, mas conforta um pouco. O pior que podia ter acontecido já rolou. O filho dela jamais voltará a seus braços, não vai mais dar qq dor de cabeça com as notas no colégio, com namoradas  ou com qualquer coisa singela, mas que, em alguns momentos, se tornam gigantescas.

Sim, neste momento, é importante chorar e aliviar a mágoa do peito. Eu mesmo passei o dia querendo chorar. Que chore, então, a minha amiga. Choremos todos. Por todas as mortes, inclusive as das pessoas que ainda estão em seus corpos físicos, mas que já não representam nada em nossas vidas. O choro lava a alma e, sabe-se lá porque, nos dá até mesmo uma certa dignidade.

Meu filho, você não merece nada

Perfeito demais !!! Sim, mais um texto da Eliane Brum, descaradamente roubado do site da Época. O texto é grande, mas toca em temas tão importantes. Vou marcar os pensamentos que mais me marcaram e que estão em sintonia com o que penso a respeito de algumas coisas. Boa leitura.

Meu filho, você não merece nada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)