Dor sem fim

A Revista Piauí publicou um relato emocionante do Niltinho. Sim, escrevo no diminutivo porque era assim, dessa forma carinhosa, que o chamávamos na redação. tive o prazer de trabalhar com este grande profissional no Jornal do Brasil, quando ainda era estagiária, e mais tarde na própria redação do jornal O Dia. Quando soube que ele, uma repórter e um motorista haviam sidos brutalmente torturados fiquei chocada. Não conhecia as outras vítimas, mas posso imaginar que são tão bacanas quanto Niltinho.

Hoje, ao ler o breve relato  das horas em que foi torturado, até mesmo por autoridades, me senti mal, triste, envergonhada. Sim, envergonhada. Jamais poderia imaginar que um coleguinha fosse denunciar aos milicianos a presença dos profissionais no Batan. Estou em choque. Triste para caraleo. Uma lástima que só envergonha a classe.

Agora, nos resta rezar para que as famílias destas vítimas consigam se reconstruir, para que os traumas sejam minimizados e para que possam, de novo, voltar a sorrir. Segue o relato.

Minha dor não sai no jornal

Eu era fotógrafo de O Dia, em 2008, quando fui morar numa favela para fazer uma reportagem sobre as milícias. Fui descoberto, torturado e humilhado. Perdi minha mulher, meus filhos, os amigos, a casa, o Rio, o sol, a praia, o futebol, tudo

por Nilton Claudino


ão sou bandido, mas tenho medo de polícia. Ando disfarçado por ruas de uma cidade distante de minhas raízes porque acho que estou sob ameaça de morte. Vivo ansioso e tenho dificuldade para dormir. Num laudo médico, minha psicóloga descreveu meu estado desta maneira: “Agitação neurossensorial e fixação mental em imagens que não conseguem se desprender e tomam de assalto a mente.”

Muitas vezes choro sozinho. Tenho pesadelos. Lembro-me de que um dos meus torturadores, quando eu estava ajoelhado, vendado e de mãos atadas, dizia no meu ouvido: “Sua vida nunca mais será a mesma.” Ele tinha razão.

Volta e meia, ainda ouço com clareza, como se estivesse sendo repetida de fato, a música angelical que os bandidos tocaram no cativeiro. O som me lança de volta àquela escuridão – estava encapuzado e ainda não imaginava o que aconteceria depois. Ouvia aquela música, criada para ser agradável aos ouvidos, vinda de um aparelho de som portátil, a poucos metros de distância. Eram sons de flauta, suaves e tranquilos, que a liturgia religiosa associa aos anjos. Uma voz de pastor, no entanto, pregava de forma aterrorizante: “Este homem que está com a faca em seu pescoço vai matá-lo. Entregue sua alma a Deus e arrependa-se dos seus pecados.”

A mensagem durava poucos minutos. Havia um intervalo de silêncio e a gravação recomeçava – de novo a flauta e a fala do pastor, como se fosse um CD em modo de repetição automática. Esta era a parte branda dos suplícios que viria a sofrer. Três anos depois, em muitas madrugadas, ainda acordo sobressaltado, com essa melodia na cabeça.

proximei-me do jornalismo, em 1977, ao começar a trabalhar como mensageiro da sucursal carioca da revista Veja. Depois, fui promovido a produtor da revista, com tarefas que incluíam pesquisas e envio do material dos fotógrafos para a sede, em São Paulo. Transferi-me mais tarde para a Placar. Passava horas no laboratório, onde aprendi todas as técnicas possíveis. Prestava muita atenção, especialmente no trabalho de Ricardo Chaves, Rodolfo Machado e J. B. Scalco, este último um dos melhores repórteres fotográficos de esportes que conheci.

Num final de semana, sem outro fotógrafo disponível, empunhei a câmera profissional pela primeira vez, para registrar um jogo do Campeonato Brasileiro. Assim ingressei na profissão que abraçaria pelo resto da vida. É engraçado que o futebol tenha me levado a ser fotógrafo. Sonhava ser jogador e cheguei a atuar no Madureira quando muito jovem.

Frequentei a casa de Arthur Antunes de Coimbra, o Zico, em Quintino, na Zona Norte, depois de peladas em chão de terra batida que alimentaram a esperança de seguir os passos do craque já famoso – o maior jogador de futebol que vi atuar. Uma contusão no joelho haveria de interromper minha trajetória, sempre difícil desde que deixei o Pantanal mato-grossense, onde cresci entre dez irmãos, para tentar a sorte no Rio de Janeiro. Nasci em Corumbá, entre o Natal e o Réveillon de 1958, estudei em colégio de padres e achei que seguiria a carreira religiosa. De certo modo, ser repórter fotográfico exigiu uma profissão de fé.

Em 1990, comecei a trabalhar no Jornal do Brasil, no qual conquistei reconhecimento profissional e prêmios internacionais. Em 1992, transferi-me para o jornal O Dia, onde fui editor de fotografia por seis anos. Ganhei uma menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog com a foto Na Mira da Lei, depois de morar, com o repórter Aloísio Freire, por duas semanas na favela da Maré, investigando denúncias sobre o chamado Comando Azul, um grupo de policiais militares metidos a justiceiros que cometiam atrocidades contra moradores e outros bandidos.

 jornalismo me levaria a outra situação de risco, em Capitán Bado, no Paraguai. Acompanhado de um guia, chegara a uma grande plantação de maconha e começara a fotografar com uma minicâmera quando percebi a aproximação de traficantes. Escondi a máquina na cueca e peguei uma abóbora enorme. Disse que estava roubando para comer. Sob a ameaça de fuzis AR-15, eu e o guia, que falava guarani, levamos um tempão negociando a liberdade. Foi um susto que não me impediu de assumir outra pauta arriscada: passei 28 dias viajando em uma investigação sobre o tráfico de cocaína para o Brasil, a partir do Peru e da Bolívia. O que mais me impressionou ali foi a miséria e o trabalho escravo de crianças nas plantações de coca.

O incentivo para o jornalismo investigativo veio do amigo Tim Lopes, repórter com quem trabalhei na Placar, no JB, n’O Dia e na Rede Globo. Tim foi chacinado em 2002 por traficantes do Complexo do Alemão ao fazer uma reportagem sobre venda de drogas a céu aberto numa favela, e apurava a realização de bailes funks com exploração sexual de menores de idade.

Eu e os repórteres Alexandre Medeiros e Marcos Tristão tínhamos começado a pedir ajuda nas favelas, em busca de uma pista que levasse ao paradeiro do Tim. Um dia, fui abordado por uma pessoa que se aproximou por trás e não se deixou ver: “Sobe o Complexo do Alemão, vai até um lugar chamado Pedra do Sapo e manda cavar na sombra do bambuzal. O corpo está lá”, disse. Não pude voltar meu rosto em sua direção. Se o fizesse, poderia morrer.

O coronel Venâncio Moura, então comandante do Bope, a tropa de elite da Polícia Militar do Rio, investigou a informação. Entrei mato adentro com os policiais, ao lado da repórter Albeniza Garcia. Os bombeiros fizeram a escavação. No segundo movimento da enxada, começaram a aparecer ossos e a plaqueta de controle de patrimônio da câmera da Globo. Foi muito duro, mas eu tinha que fotografar. Começamos todos a chorar. Era a ossada do amigo Tim Lopes. Tenho sempre comigo no bolso um livro de Salmos e comecei a ler o de número 23, para tentar amenizar o desespero: “O Senhor é meu pastor; nada me faltará.”

o começo de 2008, fui chamado pelo diretor de redação de O Dia, Alexandre Freeland, para uma pauta que tinha que ser cumprida sigilosamente: investigar um grupo de milicianos (policiais militares e civis, bombeiros, funcionários do sistema penitenciário) que atuava no Jardim Batan, uma favela encravada em Realengo, na Zona Oeste.

O Batan foi uma grande fazenda, onde havia criação de gado. Seu nome se origina de árvore típica, o ubatã ou chibatã. Foi local de muitos confrontos violentos entre facções criminosas, que procuravam controlar o tráfico de drogas por lá. Em 2007, milicianos se juntaram e expulsaram os traficantes, assumindo negócios como a venda de gás e a tevê a cabo pirata, o transporte de vans, e cobrando “taxa de segurança” dos moradores.

Para investigar essa realidade, eu, uma repórter de O Dia e um motorista do jornal nos mudamos para o Batan, onde conseguimos alugar uma casa. Chegamos lá no dia 1º de maio de 2008, pela manhã. Fomos direto até a padaria das imediações, que era do proprietário da casa que alugamos. Tomamos café da manhã ali, pegamos a chave de onde íamos morar e fomos nos instalar.

Era uma casa de três andares. Ficamos no terceiro. Descobrimos que não havia nada dentro. Começamos contatos com moradores para que nos ajudassem a mobiliá-la. O vizinho do 1º andar nos apresentou a outros da comunidade, quando tivemos a oportunidade de arrematar uma televisão usada. No comércio de Bangu, compramos colchonetes e comida.

Para me apresentar aos moradores, eu dizia ser do Pantanal, e que aguardava ser chamado para trabalhar em Macaé, numa prestadora de serviço da Petrobras. Aproximei-me das pessoas com esse discurso porque os milicianos não querem por perto os que chamam de “vagabundos”: desempregado não é tolerado. Fui ganhando confiança dos vizinhos. Fiquei amigo do morador do 1º andar, que havia sido criado nas proximidades, onde também crescera o motorista que trabalhava para o jornal. Fiz churrasco na esquina de casa, como forma de ampliar nosso relacionamento.

Fingia ser marido da repórter. Dizia que ela era evangélica, tinha vindo de Minas Gerais e que o casamento me livrara do alcoolismo. Ela começou a frequentar uma igreja próxima de casa. Fomos vivendo desta forma: eu era um cara em busca de recuperação, ela arrumou um emprego de cozinheira. Todos acreditaram, o que nos permitiu começar a recolher informações, discretamente.

Todo dia passávamos um boletim para a redação do jornal, por e-mail, enviado de uma lan house. Poucas pessoas do jornal sabiam que estávamos nessa pauta. Para que ninguém desconfiasse, dissemos na redação que estávamos em férias.

Tudo parecia correr perfeitamente bem. O Dia das Mães caiu em 11 de maio. Fizemos um almoço comemorativo para umas dez pessoas próximas. Minha “mulher mineira” fez feijão-tropeiro. Cozinhei talharim e dei rosas para as mães em homenagem à data. A cada dia tínhamos mais amigos, e um deles nos deu um sofá de presente. Pessoas comuns, realmente do bem.

Sou muito cristão. Oro todos os dias. Comecei a sentir que meu anjo da guarda queria me avisar de alguma coisa. Eu disse para a repórter que tinha tido visões de que seríamos descobertos. Lia muito as páginas de Habacuque, um dos profetas do Velho Testamento. Tinha tido a visão de que os milicianos arrombavam nossa porta. “Que nada, está tudo bem”, ela me respondia.

avia feito fotos importantes, como as que mostravam o castigo que a milícia impunha a usuários de drogas. “Maconheiros” eram pintados de branco e mandados capinar e desfilar pelas ruas, para ficarem marcados pela comunidade. Outros tinham de ficar sentados por horas sobre tijolos quentes. O chefe da milícia, que todos chamavam de 01 (Zero Um), usava um caibro, que chamava de Madalena. Os moradores tinham muito medo da Madalena, usada em surras públicas. Outro cassetete era jocosamente apelidado de “Direitos Humanos”.

Havia guardas penitenciários e muita polícia pelas ruas, o tempo todo. Polícia com farda e sem farda. Eles bebiam com o carro da polícia na porta do botequim. Fotografei isso também. Nunca vira, como vi lá, uma integrante da tropa feminina da Polícia Militar atuar como miliciana. A PM loura do Batan, que andava com desenvoltura entre tantos outros fardados, foi uma das surpresas naquela apuração.

Já havia combinado com um motorista de Kombi que servia à comunidade para que me levasse no dia seguinte até a rodoviária. Achava que o trabalho estava acabando. Todo o material que fotografava eu levava para a casa da mãe do motorista, que ficava do outro lado da avenida Brasil. Não havia nenhum material jornalístico onde morávamos. Nunca usei flash. Eram fotos de luz natural, tiradas com velocidade baixa e modo de alta sensibilidade para ter boas imagens. Havia fotografado muito: a movimentação pelas ruas, PMs bêbados, castigos, punições, carcaças de carros roubados acumuladas dentro de um terreno do Exército, o depósito clandestino de gás.

Às 21h30 da quarta-feira, dia 14, falamos com o diretor de redação. Eu sempre me reportava a ele. A possibilidade de envolvimento de um deputado e um vereador com a milícia fez com que decidíssemos estender nosso período por lá. Queríamos provas indesmentíveis.

Quinze minutos depois desse telefonema, fui pego em frente à pizzaria vizinha da nossa casa. Já comecei apanhando muito. Gritavam que sabiam que eu era jornalista. Mandaram trazer a repórter, que estava no 3º andar. Ela resistiu, e eles a agrediram fortemente, forçando-a a descer a escada aos tapas e pontapés. Eu era quem mais apanhava, porque chegara a beber cerveja com os milicianos, em busca de informação. Demonstravam ódio por terem sido enganados durante catorze dias.

Fomos algemados, encapuzados com toucas pretas e enfiados no banco traseiro de um carro. Rodamos alguns minutos atrás da chave de onde seria nosso cativeiro. Para evitar a avenida Brasil, nossos sequestradores entraram em uma estrada vicinal com muitos quebra-molas. No caminho, apanhamos mais. Um deles brincava de roleta russa com o revólver na minha cabeça. Eu tinha certeza de que seríamos mortos. Ao chegarmos, notei que a casa que serviu de cativeiro parecia estar em construção. Havia brita espalhada pelo chão. Eles falavam: vai morrer, vai morrer!

O chefe, o chamado 01, sentou na minha frente. Tentei negociar. Disse: “Tenho moral no jornal. Vamos esquecer as porradas todas. Você libera a gente, e não falamos mais disso. Não se mata jornalista. Veja o caso do Tim Lopes. Era meu irmão, era um amigo muito ligado.”

“Então parece que o problema é com a família”, respondeu 01. “Você vai morrer e precisa saber que foi alcaguetado por amigos de dentro do jornal. Vou provar: você tem na sua baia de trabalho as fotos de um de seus dois filhos tocando guitarra. Seus filhos são lindos. Você mora na Zona Sul”, disse, completando em seguida com meu endereço exato.

Gelei, e ele continuou: “Vocês são uns bundões. Foram alcaguetados por seus amigos. Temos informantes em tudo o que é jornal e televisão.”

Ele então deu uma ordem: “Chama o cinegrafista.” Nossa tortura foi filmada. Alguém, um dia, vai obter essa fita da tortura que sofremos. O que passamos lá, eles fizeram questão de gravar.

iquei encapuzado a maior parte do tempo. Mas sabia que havia em volta muitos policiais. Sentia os chutes vindos de coturnos. O Zero Um saiu. À distância, bois mugiam. E começou o som da flauta e a voz de pastor pregando: “Este homem que está com a faca em seu pescoço vai matá-lo. Entregue sua alma a Deus e arrependa-se dos seus pecados.” Teatralmente, um homem colocava a faca em meu pescoço cada vez que tocava a gravação.

Entre as sessões de torturas, havíamos passado por cinco “tribunais”, as ocasiões em que os milicianos se reuniam e julgavam qual seria o nosso destino. Nos cinco, anunciaram nossa sentença de morte. Pretendiam nos levar para a favela do Fumacê, ali do lado, queimar nossos corpos e dizer que haviam sido os traficantes que nos mataram. Discutiram também convocar moradores do Batan para que fôssemos apedrejados em praça pública, como traidores. Não tenho dúvida de que, se mandassem, os moradores, tiranizados por eles, poderiam nos apedrejar.

Aí chegou aquele que todos chamavam de “Coronel”. Pegaram as senhas de meu e-mail e do da repórter. Leram todos os relatórios que passáramos para o jornal. Eu falava das fotos que tinha tirado, descrevia-as com detalhes; a repórter contextualizava as informações que recolhera. A par de tudo, o Coronel decidiu que iríamos sobreviver. Mas tomamos mais porradas. Os milicianos ainda se referiam a outro chefe, a quem chamavam de “Comandante”.

Durante a tortura, estávamos lado a lado, eu, a repórter e o motorista. Num quarto escuro, só iluminado por telas de celulares, que usavam para que pudéssemos assistir uns aos outros serem subjugados. O motorista pedia para que eu afastasse escorpiões que subiam por suas costas. Não podia ajudá-lo. Ouvíamos passos de muitos PMs. Tiraram nossos capuzes e substituíram por sacos plásticos, parecidos com os de supermercados. Com eles, produziam asfixiamentos temporários. Mas dava para ver as fardas quando olhava por baixo do plástico.

A repórter reconheceu a voz de um vereador, filho de um deputado estadual. E ele a reconheceu. Recomeçou a porradaria. Esse político me batia muito. Perguntava o que eu tinha ido fazer na Zona Oeste. Questionava se eu não amava meus filhos. Os agressores estavam com toucas do tipo ninja. Houve um momento em que achei que tinha morrido. Senti como se estivesse subindo para o céu, mas não era minha vez. Tive que voltar para contar. Deus fez que eu voltasse.

Cada vez chegavam mais camburões. Depois que apanhamos muito, levaram-nos para a sessão de choque. Era um instrumento que tinha o formato de uma pizza com um cano no meio. Tiraram minha roupa e me davam choques na região baixa e nos pés. Não posso, não devo, não quero entrar nos detalhes das brutalidades e das humilhações que sofremos.

Fomos levados para a casa dos pais do motorista, para que os milicianos pudessem pegar os cartões de memória e a máquina fotográfica. Não havia deixado a máquina dentro da comunidade em nenhum momento. Usava escondido e guardava em área vizinha para que não nos comprometesse a segurança. Chegamos em comboio, durante a madrugada.

Os pais do motorista saíram de casa assustados. Os milicianos pediram para que eu os ensinasse a fotografar. Eles nos retrataram. Ensinei a mudar a ASA da máquina (aumentar ou diminuir a sensibilidade à luz). Fotografaram-me como a imprensa policial faz com os bandidos, forçando-nos a levantar o queixo com as mãos. Eles têm nossas fotos como prêmio. Por isso, não posso voltar para o Rio até hoje.

omos soltos às quatro e meia da madrugada, na avenida Brasil, depois de mais de sete horas de tortura e sevícias. O pai do motorista dirigiu o carro que nos tirou da favela. Eu queria ir para um quartel do Exército. Mas queria falar primeiro com a direção do jornal.

Quando estávamos na altura da Estação Leopoldina, logo após a saída da avenida Brasil, entramos numa grande discussão. A repórter revelou que os torturadores a chamaram por um apelido pelo qual ela só era conhecida na redação. A certeza da traição nos deixou inseguros. Fomos para minha casa. Minha mulher disse: “Não falei que isso iria acontecer?” Abracei meu filho, que acabara de acordar. Eram quase seis horas. Estávamos descalços, feridos, destruídos. Tomamos banho na minha casa. Meu filho foi para a escola. Começou a pior tortura: a família conviver com o medo, para o resto da vida.

hegaram à casa o diretor de redação e uma editora-executiva. Ligaram para a dona do jornal, a Gigi Carvalho, filha do antigo dono de O Dia, Ary Carvalho. Um ano e meio depois, ela venderia o jornal para um grupo português. Eles falaram com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Naquela manhã, depois de liberados pelos sequestradores, estranhamente, não me levaram para fazer exame de corpo de delito. Fui para o Hospital Copa D’Or, onde, mais estranho ainda, fui instruído a falar que havia caído do cavalo. Não podia contar que tinha sido torturado. Em casa, vi que havia uns caras na porta, com jeito de policiais. Estávamos sendo vigiados.

Começou a nossa fuga. Eu, meus filhos e minha mulher fomos primeiro para a serra fluminense. Na edição de domingo, 1º de junho, duas semanas depois de cairmos nas mãos da milícia, o jornal enfim trouxe o caso a público. “Tortura – milícia da Zona Oeste sequestra e espanca repórter, fotógrafo e motorista de O Dia”, era o enunciado.

Nessa altura, eu estava num quartel dos fuzileiros navais, longe de tudo. Recebi um telefonema dizendo que havia fuzileiros navais entre os milicianos do Rio, e que minha vida estava em risco. Não sei como me acharam lá.

Foi quando minha sobrinha, uma adolescente, foi vítima de uma tentativa de sequestro. Tentaram pegá-la na saída da escola e só não conseguiram porque um senhor de 70 anos conseguiu tirá-la das mãos dos sequestradores. Só Deus sabe onde ele arrumou forças para tal. Minha sobrinha está traumatizada até hoje. Ligaram para a mãe dela e disseram que era “muita coincidência” ter ocorrido a minha fuga e a tentativa de sequestro da sobrinha no mesmo momento. Falaram que não me deixariam em paz. Afirmaram que me matariam.

O Brasil não era seguro para mim. Decidi fugir para a Bolívia. Escondi-me numa cidade de 20 mil habitantes na região de Santa Cruz. Passadas as primeiras semanas, sentia saudade de minha família, que estava em uma cidade praiana no sul do Brasil. Fui encontrá-los num hotel de frente para o mar.

Minha mulher e meus filhos não falavam comigo. Ver o sofrimento deles foi a dor maior que senti. Tive vontade de me matar, de me jogar do 20º andar do hotel. Aquilo foi me consumindo. O único que me entendia e me dava carinho era Sávio, meu cachorro. Como se não bastasse tudo que passara, Sávio morreu.

Abandonei minha família. Fiquei quinze dias sumido. Voltei para pegar minhas coisas e anunciar que os deixaria viver em paz, o que não seria possível comigo por perto.

Mudei para uma cidade distante onde vivo hoje. Sofro sozinho. Meus amigos do Rio não podem falar comigo, nunca mais os vi. Com a possibilidade de ter sido traído por algum companheiro de trabalho, não posso falar com ninguém da redação d’O Dia. O ministro da Justiça chegou a propor que uma nova identidade me fosse fornecida, o que nunca ocorreu.

No Rio, correu o inquérito. Descobriu-se quem eram os líderes dos milicianos. Zero Um era o policial civil Odinei Fernando da Silva, também chefe de um grupo paramilitar denominado Águia. Zero Dois era Davi Liberato de Araújo, um presidiário que vivia fora da cadeia graças ao envolvimento de guardas penitenciários com a milícia. Os dois foram sentenciados pela Justiça a 31 anos de prisão, mas recentemente a pena foi reduzida para vinte anos. No Batan, criou-se uma Unidade de Polícia Pacificadora.

E não aconteceu nada com o vereador e o deputado estadual cujas vozes minha companheira repórter reconheceu no cativeiro. Eles negaram envolvimento com a milícia e nunca foram punidos. Agora mesmo, em julho passado, o deputado apareceu ao lado do governador do Rio numa foto de inauguração, não muito longe de onde fomos torturados.

Alguns dos bandidos estão na cadeia, mas parece que o bandido sou eu. Imagino que, a cada dia deles na prisão, mais me odeiem. Imagino quantos milicianos perderam dinheiro quando a quadrilha do Batan foi desmantelada, e quantos querem minha morte por isso, até hoje.

etomar a vida é difícil. Faço tratamento psicológico e psiquiátrico, tomo uma dúzia de remédios. Quase não vejo meus filhos, que estão crescendo longe de mim. Tenho agora um neto que mal conheço. Não soube mais nada da repórter e do motorista, sumiram. Esqueci dos amigos. Preciso de fotos para me lembrar do rosto de quem gosto. Mas me lembro nitidamente dos que me torturaram.

Valeu a pena? Foi a profissão que escolhi. Mas o que mais dói é que fomos delatados por colegas da redação. Eu achava que nunca tinha tido inimigos.

Não fotografei durante o período que fugia. Voltei a tirar fotos não faz muito tempo. Antes, eu mandava ajuda para algumas crianças da favela da Rocinha. Uma família com nove meninos. Nas festas de Nossa Senhora Aparecida, no Pantanal, também dava presentes para crianças. Uma vez por mês, participava da distribuição de sopa para quem vive nas ruas.

Hoje não faço mais nada disso. Também perdi o Rio, a praia, o sol, o futebol e a cervejinha com os amigos. De vez em quando, alguém me diz que tudo já acabou. Acabou para quem? Para mim, não. A tortura continua. Tudo culpa daqueles filhos da puta.

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hoje, dia 29 de agosto…

… é uma data especial para mim. Sempre foi. Se vivo, meu pai faria 60 anos. Sem dúvida, o dia seria de festa com direito a bolo e muita coca-cola. Certamente ontem teria rolado, ao menos, um churrasco lá em casa e muitos amigos teriam aparecido. Bolas enfeitariam a sala e as últimas novidades tecnológicas estariam na sala.

Mas, a vida nunca é como desejamos e, infelizmente, só nos resta aceitar e seguir em frente, nos adaptando às oscilações, às flutuações, às mudanças constantes de humor, de lógica, de prosa. É  vida… a doce e amarga vida.

Bem, pelo que conheço do velho Garcia, hoje o céu está em festa. Ele e um de seus melhores amigos, o Marco, devem estar contando piada e rindo de todos nós, encarnados sofredores. Boa festa para eles.

eu te amo ou eu te adoro??

É POSSÍVEL DEIXAR DE AMAR?? SIM, CLARO. MAS, TÃO RAPIDAMENTE? POR QUE, ME EXPLIQUEM, A PESSOA NÃO PODE DIZER QUE AMA E, MENOS DE UM MÊS DEPOIS PASSAR PARA O TE ADORO, NÃO?

Bem, de qq forma, segue uma música linda do Rei:

 

Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo

Tanto tempo longe de você

Quero ao menos lhe falar

A distância não vai impedir
Meu amor de lhe encontrar

Cartas já não adiantam mais
Quero ouvir a sua voz
Vou telefonar dizendo
Que eu estou quase morrendo
De saudades de você

Eu te amo, eu te amo, eu te amo
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Eu não sei por quanto tempo eu
Tenho ainda que esperar
Quantas vezes eu até chorei
Pois não pude suportar

Para mim não adianta
Tanta coisa sem você
E então me desespero
Por favor meu bem eu quero
Sem demora lhe falar

Eu te amo, eu te amo, eu te amo

Mas o dia que eu puder lhe encontrar
Eu quero contar
O quanto sofri por todo esse tempo
Que eu quis lhe falar

Eu te amo, eu te amo, eu te amo
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Eu te amo, eu te amo, eu te amo
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Para mim não adianta
Tanta coisa sem você
E então me desespero
Por favor meu bem eu quero
Sem demora lhe falar

Eu te amo, eu te amo, eu te amo
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Eu te amo, eu te amo, eu te amo
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!…

Composição: Roberto Carlos

Para alguém especial…

 

Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Não viver nesse mundo
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Se não há outro mundo...

Porque não viver?
Não viver esse mundo
Porque não viver?
Se não há outro mundo
Porque não viver?
Não viver outro mundo...

Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Não viver nesse mundo
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Se não há outro mundo...

Porque não viver?
Não viver esse mundo
Porque não viver?
Se não há outro mundo
Porque não viver?
Não viver outro mundo...

E prá ter outro mundo
É preci-necessário
Viver!
Viver contanto
Em qualquer coisa
Olha só, olha o sol
O maraca domingo
O perigo na rua...

O brinquedo menino
A morena do Rio
Pela morena eu passo o ano
Olhando o Rio
Eu não posso
Com um simples requebro
Eu me passo, me quebro
Entrego o ouro...

Mas isso é só
Porque ela se derrete toda
Só porque eu sou baiano...(2x)

Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Não viver nesse mundo
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Se não há outro mundo...

Porque não viver?
Não viver esse mundo
Porque não viver?
Se não há outro mundo
Porque não viver?
Não viver outro mundo...

E prá ter outro mundo
É preci-necessário
Viver!
Viver contanto
Em qualquer coisa
Olha só, olha o sol
O maraca domingo
O perigo na rua...

O brinquedo menino
A morena do Rio
Pela morena eu passo o ano
Olhando o Rio
Eu não posso
Com um simples requebro
Eu me passo, me quebro
Entrego o ouro...

Mas isso é só
Porque ela se derrete toda
Só porque eu sou baiano...(2x)

Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Não viver nesse mundo
Besta é tu! Besta é tu!
Besta é tu! Besta é tu!
Se não há outro mundo...

Porque não viver?
Não viver esse mundo
Porque não viver?
Se não há outro mundo
Porque não viver?
Não viver outro mundo!

Composição: Galvão - Pepeu Gomes - Moraes Moreira

Ainda sobre cachorros

Como o blog está canino, mais uma foto das fofas Meg e Mel, cadelinhas do meu gatinho paulista. Muito safadas estas meninas!!!!

A foto das duas no sofá, disputando um brinquedinho, é de 2007 e me lembra muito das minhas cadelinhas: candy e baby. Mãe e filha já partiram, mas deixaram muita saudade. Me divertia horrores com elas. Na boa, cachorro é muito bom né. Como tem gente que não gosta?

Saúde

Ter saúde é fundamental para a felicidade. Isso todo mundo sabe ou deveria saber, claro. Mas a gente esquece. Por um motivo ou outro, pela correria no trabalho, problemas com parentes, briga com namorado, seja lá o motivo, a gente esquece a nossa saúde. Eu, por exemplo, sempre esqueço de fazer meus exames, protelo visitas ao médicos, estas coisas. Sexta-feira passada, no entanto, o cerco apertou. Comecei a passar mal. Muito mal mesmo. Vômito e diarréia. Muitas dores abdominais. TUDOAOMESMOTEMPOAGORA. Foi sofrido.

Saí mais cedo do trabalho e segui para SP, afinal as passagens estavam compradas há tempos. Achei que não fosse aguentar no avião. Quase vomitei no táxi. Mas, aos trancos e barrancos, cheguei ao hotel. E fui bem recebida. Meu gatinho cuidou de mim, se preocupou, me deu de comer, de beber, me fez cafuné. E isso, apesar de não ter me curado, trouxe um certo alívio, um conforto. E este é o ponto a que quero chegar.

Quem ler o post abaixo (sobre pessoas especiais, que roubei do site da ÉPOCA) vai perceber o porque do meu encantamento com o meu gatinho. Além de se divertir comigo na saúde, ele esteve comigo na hora do aperto. E esteve inteiro, por completo, dedicado, preocupado. Queria de toda forma me levar ao médico, mas resisti. Sou cabeça dura, eu sei. Enfim, ele é especial e só tenho a agradecer.

Alguém especial – roubado do site da ÉPOCA

Alguém especial

É isso que você quer – ou um monte de gente basta?

IVAN MARTINS

“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.

Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.

Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.

Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.

É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar.

Uma tarde no Bixiga

Domingo, na hora do almoço, fui com meu gatinho para o Bixiga. Queríamos comer uma típica massa italiana. Apenas isso, mas, o acaso, sempre ele, nos surpreendeu. Acabamos entrando em uma cantina super animada, que nos garantiu boas risadas. Onde? Na cantina “Bixiga Amore Mio“. Não vou perder meu tempo elogiando o rodízio de massas ou o vinho, seria desnecessário. Quero mesmo é escrever sobre uma figuraça que me deu um baita susto. Quem? Walter Taverna, o dono da cantina.

Gentem, este senhor é um fofo. Fiz até uma foto com ele, forçada, é verdade, e assim que a receber publicarei aqui rs. Mas, voltemos ao susto. Estava eu lá, sentada com meu gatinho, tomando meus bons drink e comendo minhas massas quando ouço pam pam pam… ou algo bem estridente. O que era? Walter Taverna batendo tampas de panela em pleno restaurante. ahahaha o velhinho percorreu mesa a mesa batendo as tampas de panela. Como estava sentada de costas, pulei da cadeira ao primeiro barulho ahahaha muito boba, eu sei.

Seu Walter ficou uns bons 10 minutos batendo as tampas das panelas, enquanto uma senhorinha cantava Volare e o público do restaurante batia palmas. Todo mundo bastante animado. Me senti em uma novela italiana da Globo ahahah.

Outro ponto interessante da cantina e, confesso, o que me motivou a entrar no lugar é que, logo na entrada, há um sino de metal pendurado na porta. Ao lado, um quadro explicando uma simpatia. Quem entra pela primeira vez ao local tem de tocar o sino. Se tocar uma vez, conseguirá um amor novo. Duas vezes, um novo emprego. Três, saúde. Quatro, dinheiro. Toquei 3 vezes.. não sou boba nem nada e com saúde posso conseguir todas as outras opções né.

Fofoqueira que sou, bem fiquei de olho para reparar quantas vezes as pessoas tocavam e  tcharammmmm a mulherada tocava apenas uma vez. Bando de encalhada né ahahahaha Enfim, o lugar é ótimo, super recomendo a quem for para SP.

Saudades

To com saudades do bloguinho. Sumi sim, é verdade, mas sumi porque fui consumida pela vida. Muitas viagens, muito trabalho, muito amor, muita novidade. Nesta minha nova fase de vida, como alguns perceberam, não tenho contado tanto as novidades. Até conto, mas pessoalmente. Isso mesmo, agora é assim: desde que decidi sair do Facebook adotei uma postura mais “reservada”. Observem que as aspas só ressaltam que não deixei de contar minhas coisas/pensamentos, como sempre fiz, mas tenho feito apenas pessoalmente. Acreditem, está sendo bem mais divertido porque tenho a possibilidade de ver a reação dos amigos, rir junto com eles e tal.

Sobre trabalho, já sabem, não comento mesmo. Já o amor… bem, vai tudo super bem. Minhas idas a SP aumentaram muito e estou estreitando minha relação com a selva de pedra. Semana passada aluguei um carro e vou repetir a dose no sábado. Já reconheço alguns caminhos e me viro bem (com GPS, claro).

Fui ao Morumbi assistir ao jogo do São Paulo contra o Atlético Paranaense e também ao Frangó, comer a melhor coxinha de galinha da cidade. Aproveitei o sábado pra reencontrar Roberta, gde amiga. Fizemos compras, almoçamos, rimos e colocamos a vida em dia.

Conheci também novas pessoas. Gente importante na vida de quem pra mim é muito importante também. Isso me deixou muito feliz. Esta semana realizei também um sonho antigo, mas que não vou contar aqui rs. Almocei com o Gabriel, queridíssimo, revi o Vagner, hoje vou encontrar a Dani…. tudo perfeitamente agitado. Como gosto.

Aliás, sempre que penso na vida concluo que a mesma deve ser assim exatamente desta forma: agitada. Não deve ser nem um pouco bacana ter o “conforto” inquietante do marasmo. Quero dias novos todos os dias !!!!

Aproveitando…

… bem, como o post anterior foi um desabafo/reclamação, vou seguir o rumo e abrir meu coração para outras coisas que me incomodam:

1) Odeio gente que fica reparando o que como e reclama da qualidade de comida no meu prato. Caraleo, é a pessoa que está comento? Então não ferra.

2) Odeio gente que fica contando calorias dos alimentos ou os pontos dos Vigilantes do Peso a cada pedaço de maça que coloca na boca. Porra, que saco isso. Quer fazer dieta, ok, mas não encha a merda do meu saco.

3) Odeio gente que fica chorando pitangas porque tem 20% de gordura no corpo e blá, blá, blá… falta de roupa suja pra lavar, né

4) Odeio gente encostada no trabalho, que passa o dia coçando e, no final, leva o crédito pelo trabalho dos outros. Isso me irrita de tal modo…

5) odeio o Banco do Brasil, o Bradesco e o Santander. Puta burrocracia. Caixas eletrônicos e procedimentos ultrapassados. Uó. Sem contar com a falta de preparo dos funcionários. Decidi fechar minhas contas no BB e no Bradesco. Tá dando um puta trabalho. Um saco

6) Odeio corretores de imóveis que ligam nas piores horas possíveis. Sério, os caras têm talento para incomodar, para me acordar, para tentarem vender o que não quero comprar.

7) Odeio ligações por engano

8 ) Odeio ficar com a conta no vermelho

9) Odeio sangrar todo mês

10) Odeio vendedores de loja que tentam empurrar todas as mercadorias, gente que não tem o menor tato para deixar o cliente escolher as coisas em paz.

.. ok, posso listar mais coisas que odeio, mas, por hoje, está de bom tamanho.

Namorofobia

Tenho pensado muito no tipo de gente que não gosta de assumir relacionamentos. Escrevi gente propositadamente porque este não é um tipo de sintoma apenas masculino, como pensam alguns. Conheço mulheres que têm verdadeiro pavor da frase “este é meu namorado”, mesmo que tenha uma relação estável com o cara em questão.

Esse tipo de comportamento é um tanto esquisito pra mim. Não consigo compreender. Sim, eu sei que muitas podem ser as razões: 1) falta de amor 2) medo de compromisso 3) querer viver na sacanagem/galinhagem 4) não ter encontrado alguém que se goste de verdade ,… mas, mesmo assim, não entendo.

Se falta amor, por que ligar para a pessoa, sair todo fim de semana, estreitar contato, apresentar parentes? Não faz sentido.

Se o problema é medo de compromissos, não seria melhor encarar logo de frente o pânico para tentar resolver o problema?

Se quer viver na sacanagem/galinhagem, por que manter uma relação fixa com alguém, falar todos os dias pelo telefone, demonstrar ciúmes?

Se não encontrou de verdade quem goste, porra, continue na busca. Não fique prendendo o outro.

Sei lá, acho uma puta sacanagem com a outra pessoa, sobretudo quando é sabido que o outro deseja ter uma relação estável e tem necessidade de rótulos. Sim, já escrevi sobre rótulos. São uma tolice, não garantem porra nenhuma, mas é uma parada cultural e que dá segurança (imaginária, claro, como todas as outras).

Enfim, é só um desabafo. Tenho visto muitas histórias assim ao meu redor. Uma amiga, por exemplo, saiu 6 meses com um cara, viajou no carnaval com ele, passou feriados, foi ao cinema diversas vezes, saía com o malandro às sextas e sábados e… nada. O malandro nunca quis dizer que os dois estavam namorando. Pelo contrário, ele fazia questão de reafirmar que estavam apenas saindo. Palhaçada, vai.

‘Todo dia acho que vou acordar de um pesadelo’

‘Todo dia acho que vou acordar de um pesadelo’

 

Por Eloisa Leandro*, especial para o Blog Repórter de Crime

 

 

 

 

O dia 4 de julho deste ano foi o pior da minha vida. Tenho certeza que jamais existirá outro parecido. Neste dia, meu filho, Victor Hugo da Silva Braga, de 15 anos, foi a uma lanchonete próxima de casa, no bairro Raul Veiga, em São Gonçalo, na companhia de um amigo, de mesma idade, por volta das 22h. Eu não estava em casa, estava na casa do meu namorado, na Barra da Tijuca, de onde retornaria no dia seguinte, na segunda-feira. Meu pai ainda questionou o fato de o Vitinho, como era chamado por todos, sair naquele horário. Ele só não imaginava que meu filho jamais retornaria para casa.

Por volta de meia-noite, Vitinho e o amigo subiam a rua de casa e, quando estavam em frente ao portão, foram abordados por dois marginais dentro de um Palio prata. Na ocasião, o bandido que estava no carona, Deivid da Silva Oliveira, 23 anos, falou para os meninos:

– Perdeu, Perdeu! Deita no chão!

Victor e o amigo obedeceram, sem nada falar. Quando o bandido desceu do carro para revistá-los, o motorista, identificado apenas como Luis Cláudio, vulgo Gardenal ou Russinho, viu um grupo de quatro jovens mais à frente na rua e os mandou voltar. Nesse momento, o Deivid foi ao encontro do grupo com a arma em punho, enquanto Russinho revistava Vitinho e o amigo, deitados na calçada.

Porém, um dos integrantes do grupo, Eduardo Evangelista, 18 anos, reagiu à abordagem e pulou o muro de uma vizinha. Revoltado, Deivid disparou contra o jovem, que não foi atingido de imediato. Deivid foi até a casa onde Eduardo estava escondido e mesmo sem avistar o jovem fez três disparos. Um deles acertou a boca de Eduardo, embora Deivid não soubesse. Esta reação do Eduardo deixou o Deivid furioso, que retornou ao local onde estavam meu filho e o amigo. O assassino deu um chute na costela do amigo do meu filho e sem motivo algum, levantou meu filho pelo casaco e atirou na cabeça dele por trás. Uma covardia e monstruosidade sem precedentes. Em seguida, o motorista gritou:

– Você está maluco, não era para matar o garoto. Vamos embora!

O assassino entrou no carro e os dois desceram a rua de marcha ré. Ao ouvir os disparos, meu pai gritou o nome do meu filho várias vezes e foi até a rua, quando o encontrou caído no chão. Dois vizinhos colocaram meu filho no carro do meu pai e o levaram para o Hospital Geral de São Gonçalo. Só que ele já estava morto.
Na hora, meu pai me ligou. Ele disse que o Vitinho tinha sido baleado. Na mesma hora, sai com meu namorado, peguei o carro e fomos o mais rápido que pudemos para o hospital. Todo o trajeto foi rezando e pedindo a Deus que salvasse meu filho, meu único filho, único neto dos meus pais.

Quando cheguei no hospital, ainda tinha esperança de que meu filho se salvasse da monstruosidade que fizeram contra ele, até porque eu nem sabia que o tiro tinha sido na cabeça. Ao chegar no local, recebi a pior notícia da minha vida: meu filho amado falecera. Eu parecia não entender o que acontecia. Gritei, chorei e fui sedada por enfermeiros. Ali começava o maior pesadelo da minha vida.

Todos os dias levanto e tenho a impressão de que vou acordar desse pesadelo. Mas, paro, penso e vejo que é a realidade. Realidade esta dura, fria e cruel. Meu filho, um menino amado por todos, que tinha o sonho de se tornar delegado da Polícia Federal para combater o tráfico de drogas, fora morto por um bandido drogado.

É muito difícil escrever este texto, relembrar deste dia, o mais triste da minha vida. Hoje, tudo perdeu o sentido. Este marginal, Deivid, não acabou apenas com a vida do meu filho. Ele acabou com a minha vida, de meu pai, de toda a família e amigos, de todos aqueles que o amavam. É triste pensar que um marginal pensa ter o poder de decidir quem vive e quem morre, sobretudo quando se trata de um menino inocente que não fizera nada contra ele e nem a ninguém.

A única certeza que tenho é que meus dias nunca mais serão os mesmos. A minha alegria se foi com meu filho. Aqueles 15 anos foram os melhores da minha vida. Vitinho foi um presente de Deus, que me deu muitas felicidades e que, infelizmente, foi tirado de mim. Dói muito pensar que isso seja verdade, uma verdade cruel.

Este assassino, que continua foragido, acabou com todos os meus sonhos e de minha família. Antes, eu trabalhava pelo Victor Hugo, para dar o melhor futuro a ele. Hoje, nada mais importa, não tenho mais o que planejar, nunca mais poderei realizar tais sonhos tão imaginados.

Ainda ouço a voz do meu filho e tenho a impressão de que ele voltará para os meu braços. É muito difícil pensar que nunca mais chegarei do trabalho à noite e darei um beijo, um abraço no meu filho e perguntarei como foi o seu dia e contar o meu. Ainda sinto o seu cheiro, mas tenho a certeza de que nunca mais verei aquele sorriso lindo, que só ele tinha.

Nunca pensei em ter outros filhos, pois para mim o Vitinho bastava. Mesmo que um dia venha a ter outro, nunca o substituirá. O lugar dele no meu coração continua intocável, como ficará para sempre.
Um monstro matou meu filho. Isso é fato. Ele só não conseguiu tirar de mim as lembranças do meu menino, que levarei para a vida toda. Hoje, vivo com um único objetivo: de que a justiça seja feita, de que este marginal pague pelo mal que fez a meu filho, a mim, a minha família e a todos os amigos.

Deivid e Luis Cláudio continuam foragidos, mas acredito que isso não será por muito tempo. A esperança que me move a de que um dia eles serão encontrados e pagarão pela crueldade que cometeram.
Acredito que a polícia esteja de fato empenhada no caso, venho acompanhando toda a investigação. Porém, é necessário que a sociedade colabore e denuncie à polícia o paradeiro desses marginais. Este é o apelo que faço.

A polícia apurou que o Deivid, embora não tenha ficha criminal após a maior idade, tem várias quando menor. As acusações são de tráfico de drogas e assalto a mão armada. Além disso, policiais apuraram junto a pessoas que conviveram com este monstro, que ele sempre fora bandido, desde criança.
O mais incrível é que este monstro ainda tem uma filha. No entanto, acho pouco provável que ele tenha algum tipo de sentimento. Uma pessoa como ele não pode ser dotada de bons sentimentos, não sabe o que é amor. Caso soubesse, jamais tiraria a vida de um ser humano inocente, um anjinho. Deivid não pode ser chamado de ser humano.

Ele está escondido e armado. Do mesmo jeito que fez com o meu filho, pode ter feito, pode fazer ou vir a fazer com o filho de qualquer um. Para isso, é necessário que a sociedade denuncie o esconderijo desse marginal, Deivid da Silva Oliveira, 23 anos.

Eloísa Leandro é mãe de Victor Hugo, assassinado por Deivid da Silva Oliveira, que está foragido. Ela escreveu o depoimento a meu pedido. Seu texto é auto-explicativo. Não necessita que eu diga absolutamente nada. Quem souber do paradeiro de Deivid avise ao Disque-Denúncia (2253-1177). Assim como Betinho dizia sobre a fome, nossa sede de Justiça tem pressa.

 

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O Texto da Eloísa foi publicado no blog Jorge Antonio Barros, no Globo. Nós duas trabalhamos juntas no JB e, com o tempo, conseguimos construir uma relação de respeito, admiração e amizade. Eloísa sempre falou muito desse filho, sua grande paixão mesmo, sua fonte de preocupação e cuidado. O que aconteceu é estúpido, sem explicação, sinal dos tempos. O que podemos fazer é ajudá-la na divulgação do caso e torcer para que uma boa alma denuncie o paradeiro dos assassinos. Se você tem um blog, por favor, repasse o apelo pra frente. Tudo o que esta mãe precisa agora é ter um pouco de conforto e, pelo que conheço da Eloísa, ela não descansará sem que este marginal seja preso.