Tranqueiras nas redes sociais

Quem me conhece de perto sabe que adoro redes sociais. As decisões de sair do Orkut, há alguns anos, e de abandonar o Facebook, há alguns meses, foram motivadas por vários fatores, incluindo privacidade e até mesmo o “estou de saco cheio de algumas pessoas”.

Tentei dar uma chance para o Google +, só que, na boa, é muita tranqueira. A cada dia uma pessoa estranha, mas estranha mesmo, acredite, me adiciona. Gente que nunca vi na vida, nem ouvi falar. De onde sai esta gente? Não consigo entender. Vou dar mais um tempo por ali, mas, confesso, já estou desistindo. Tá foda.

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Links novos

Depois de longo e tenebroso inverno, fiz uma limpa nos links aqui do blog. Alguns não existiam desde 2009. Sim, fui relapsa, eu sei. Mas, em compensação, coloquei lindos e bacanudos links. Vale a pena dar um confere. OK. Muitos são de decoração, mas e daí?? ADORO o tema. Se joga lá.

Mangueira teu cenário é uma beleza…

…. sim, adoro a Mangueira. Já frequentei mais, é verdade, mas sábado matei um pouco as saudades. Alguns não curtem este momento de escolha de samba, mas adoro. A quadra fica mais vazia, mais família, uma energia mais positiva, não sei explicar. E samba é samba, minha gente. Sem contar que, antes da escolha começar, a bateria só toca os grandes sucessos da escolha. Uma pedida e tanto para qualquer sábado. E a entrada custou apenas R$ 20 !!!

Levei meu paulista e ele, que estava todo trabalhado no preconceito, adorou. Disse que não iria dançar, que não gosta de samba e blá, blá, blá whyskas sachê… mas ele dançou rs. E foi preciso apenas uns 15 minutos na quadra para o meu gatinho começar a sacudir o corpo. Não sambou, claro, ainda falta algum molejo (que pretendo ensinar), mas ele sacudiu o corpo de forma bem bonitinha. Parecia um turista alemão. E se divertiu vendo as mulatas, claro. Algumas com aqueles vestidos que mais pareciam blusas rs E elas dançam muito, nem dá pra reclamar, ficar com ciúmes e tal, porque aquele rebolado é único. Até eu fiquei de queixo caído, mais uma vez. E as criancinhas sambando?? Umas fofas !!! Muito gingado, animação e alegria.

Ah! Registro que nossa ida foi motivada pelo niver do meu querido amigo Antonio !!! Ele estava radiante e, depois de tudo o que aconteceu com ele este ano, na boa, foi uma felicidade mais que merecida. Desejo a este querido amigo toda felicidade do mundo.

Viva o Rio de Janeiro

Olhai por nós !

Sim, o Rio de Janeiro continua lindo e constatar isso é fácil. Como? Basta ir ao Pão de Açúcar e ao Corcovado para, duplamente, admirar as belezas desta cidade maravilhosa. O sol maravilhoso dos últimos dias ajudou um pouco, verdade, mas, na boa, tem como não amar esta cidade? As praias, o verde, o azul do céu, o contorno das montanhas… tudo muito bonito.  Alguns acham os passeios caros (R$ 53 para subir no Pâo de Açúcar e R$ 36 para subir no Trem do Corcovado), mas acredito que os valores são justos. Cobrar menos faria o número de turistas triplicar e seria um tanto chato não ter espaço e silêncio para curtir tamanha beleza natural.

Rio visto do Morro da Urca

Algumas dicas para turistas:

1) Vá sem pressa !!! Admirar a cidade de cima é um privilégio, portanto não fique impaciente com as filas para subir, tampouco com pressa para descer. Curta cada momento. Isso vale para o Corcovado e para o Pão de Açúcar.

2) A fila para subir o Morro da Urca é rápida. Os bondinhos partem a cada 20 minutos e, dependendo da companhia, a espera será bem agradável. Acredite. A Urca é um bairro lindo, curta cada cantinho dele.

3) Ao chegar no Morro da Urca, aproveite para sentar em um dos bancos de madeira e aprecie a paisagem. Sim, faça fotos, mas pare um pouco, respire e ouça a natureza. A sensação de paz, tranquilidade e a beleza que se vê do alto … estonteante.

4) Vale a pena subir até o Pão de Açúcar. Mais alto, mais belo. Se quiser, leve uns biscoitos, sucos e faça um rápido lanche lá em cima. Existem mesas de concreto e banquinhos cravados em plena mata, em local reservado, longe da profusão de turistas.

No Corcovado

5) Sim, há muitos turistas nestes locais e pode ser que você tenha de esperar um tempo para fazer uma foto em determinado local. Mas, ok, é assim em qualquer local do mundo. Local importante, claro. Tenha paciência.

6) O melhor caminho para visitar o Cristo Redentor é de bondinho. Deixe o carro em casa e suba de bonde. Além do caminho ser mais bonito, no meio da mata da Floresta da Tijuca, você não fica na fila para subir até o monumento. Ok, tem uma fila para pegar o bonde, mas passar rápido e você já comprar o tíquete com o horário do bonde marcado. Não tem erro. Ah, a vista do Corcovado é linda e possibilita um 360º da cidade. Observar a discrepância entre as zonas Norte e Sul é fundamental.

7) Leve a máquina fotográfica. Sim, parece idiota, mas eu, por exemplo, não planejei estes passeios, rumei para lá apenas com meu celular na mão. Sim, as fotos ficaram um tanto boas, mas poderiam ter ficado 100% melhores se eu estivesse com uma máquina profissional.

Você tem inveja de quem?

Você tem inveja de quem?

Como esse sentimento feio e comum afeta as nossas relações

IVAN MARTINS

A constatação é inevitável: há sempre alguém mais alto, mais bonito ou mais inteligente do que cada um de nós.

Na infância a gente descobre, sem prazer nenhum, que a criança ao lado parece atrair todas as atenções. Na adolescência há o cara, ou a menina, por quem metade da escola é apaixonada. Mesmo na vida adulta – quando a racionalidade deveria nos ajudar – o drama continua e se amplia. O terreno da competição (e da dor) tornou-se maior: aquele sujeito é promovido todo ano, aquela outra arruma um namorado por mês, fulano é adorado por todo mundo, sicrana viaja todo ano para lugares incríveis… A coisa não para. Sempre haverá um motivo, sempre haverá alguém para nos causar inveja.

Dentro dos relacionamentos não é diferente. Eu consigo pensar, com base nos meus próprios e mesquinhos sentimentos, em pelo menos duas maneiras pelas quais a inveja pode se meter na vida dos casais – uma externa, bem óbvia, e outra interna, na qual se presta menos atenção.

A situação óbvia é a inveja pelo parceiro do outro.

Você está lá, em paz com o seu quinhão, mas o seu amigo ou amiga aparece com uma pessoa nova, extremamente atraente e sedutora. Você fica feliz por ele ou por ela? Talvez. Mas é possível que você reaja humanamente, passando a olhar de forma crítica o seu próprio parceiro ou parceira, que, até ontem, fazia você feliz. De tanto desejar o namorado ou a namorada do outro – que pernas, que sorriso, que jeito gostoso – você acaba achando a sua ou o seu sem graça. Sente impulsos de arrumar para você mesmo alguém igualmente atraente, charmoso ou inteligente.

Isso se chama inveja. Detona a relação, estraga a sua cabeça e, rigorosamente, não tem solução: sempre vai aparecer alguém acompanhado de uma pessoa encantadora. Mais bonita, mais jovem ou mais bem sucedida do que aquela ao seu lado. Se você não aprender a ficar sereno com as suas escolhas, vai competir (e perder), o tempo inteiro.

A situação que eu descrevi acima é muito comum entre os homens. Não apenas por que somos competitivos – e, potencialmente, mais superficiais que as mulheres –, mas por sermos grandes mentirosos. Os homens exageram muito a própria felicidade para impressionar o resto do bando. Sobretudo quando se trata de sexo. O sujeito começa a sair com uma nova mulher e “reclama”, repetidamente, que não consegue mais dormir de tanto transar. Para o cara ao lado, que está num relacionamento estável e esqueceu como ele mesmo costumava exagerar essas histórias, fica a impressão, dolorosa e falsa, de que todos vivem como faunos e apenas ele tem vida sexual ou afetiva medíocre. Há que tomar cuidado com as palavras dos outros.

A outra situação em que a inveja atrapalha é quando ocorre no interior dos casais.

Às vezes é duro aceitar o sucesso ou as virtudes da pessoa de quem a gente gosta. De alguma forma, eles nos ofendem e nos inferiorizam. Em vez de celebrar as realizações da pessoa de quem estamos próximos, nos ressentimos delas. Sem admitir. Isso acontece em vários terrenos.

É muito comum ver homens magoados com o sucesso da mulher deles. A vida dele não andou como ele gostaria, a da namorada vai de vento em popa, o sujeito fica infeliz. Vai se tornando amargo, ressentido, às vezes até agressivo. Começa a detonar a parceira, como se não houvesse mérito – apenas sorte e privilégio – no que ela obteve. Isso é comum sobretudo entre casais que se formam no trabalho. Uma carreira decola, a outra não. O bode vem morar na sala.

Outras vezes, a inveja no interior do casal é provocada por coisas subjetivas. Nós podemos ter inveja do temperamento, do caráter ou da inteligência do outro – mesmo que eles não se transformem em dinheiro ou reconhecimento material. Algumas pessoas têm uma nobreza que outras não têm. Coragem para agir ou sentir de forma intensa, por exemplo. Traços de personalidade são muito perceptíveis quando estamos próximos de alguém. São eles que verdadeiramente definem uma pessoa, para além da aparência ou das circunstâncias sociais.

No início, essas qualidades (ou mesmo defeitos) atraem de maneira inequívoca. Mas, depois algum tempo, se não desenvolvermos em nós mesmos traços que nos despertem admiração, se não crescemos,sobrevém certo cansaço das virtudes do outro, uma impaciência crescente com aquilo que sabemos ser admirável. Disciplina vira chatice. Honestidade parece grosseria. Integridade não passa de teimosia. Inteligência se transforma em pedantismo. Dignidade é apenas soberba. Humor nos parece frivolidade. Leveza? Irresponsabilidade. No fundo, podemos estar tomados pela inveja do que o outro é e nós gostaríamos, inutilmente, de ser.

Minha impressão, em resumo, é que a inveja não tem limites e seus efeitos são extremamente subestimados nas relações íntimas.

A gente pode ter inveja da beleza ou da juventude do parceiro. Pode ter inveja da desenvoltura sexual dele ou dela. Seres humanos têm inveja (que se confunde com ciúme) do passado das pessoas de quem gostam. Podemos ter inveja do futuro dele ou dela, um sentimento esquisito e doloroso. Quem não sentiu inveja da família do outro, do sono profundo do outro, do filho ou filha linda que ele tem? Eu já. Suponho que vocês também. A inveja faz parte da vida. Está no ar como o amor. Enxergá-la e lidar conscientemente com ela – em vez de ser movido por ela sem perceber – faz parte do nosso aprendizado. Aquele aprendizado que começou na infância, quando o garoto da carteira da frente, e não você, recebeu um afago da professora.

Abstinência

Sim, depois de um fim de semana maravilhoso em SP, ao lado do meu amore, estou aqui, no Rio, sofrendo de abstinência amorosa. Como faz??? Ó céus. Que merda. Enfim, o que resta é contar os dias para o próximo sábado, quando ele estará no Rio, e segurar a onda mesmo.

Bem, o que fiz em SP? Além de beijar muiiiiito, fomos ao Café Piu-Piu, vimos Melancolia (que merece um post em separado), jantamos num japonês, passeamos, enfim…. só alegria.

Agora, para o próximo finde, estou na torcida pelo sol e também ansiosa para apresentá-lo à quadra da Mangueira !!! Vai ser um fervo, como fizem meus amigos Piores rs.

Todo o Amor Que Houver Nessa Vida

Todo o Amor Que Houver Nessa Vida

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo

Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Composição: Frejat/ Cazuza

O que será do futuro???

Volta e meia me pego pensando: O que será do futuro? O que me aguarda? Perguntas idiotas, eu sei, mas não resisto a estes pensamentos mesmo sabendo que a resposta é ÚNICA: FODA-SE.  Isso mesmo, foda-se o que será o futuro. Tudo o que tenho agora é o presente e, vamos combinar, não deve ter este nome à toa.

Se a vida nos é dada como um presente, façamos como nossa mãe nos ensinou: vamos sorrir diante do presente. Depois, se não gostou, ok, troque por outra coisa, mas não demonstre a insatisfação na hora que ganhou o presente. Sim, otimista. Sou mesmo. Uma amiga até me disse isso hoje: “Você é muito otimista”. Mas, ei, psiu, tenho outra opção? Claro que não. Temos que olhar pra frente, sorrir, curtir os momentos, tentar deixar o estresse de lado… viver…. maravilhosamente, claro.

Por isso, sempre que posso, evito brigas com qualquer pessoa. Não gosto de vibrações de brigas. Viemos ao mundo para sorrir. Sempre.

Ano novo

E meu ano novo pessoal começou. Isso mesmo, completei 34 anos domingo passado. Muita festa, muito bolo, muitos presentes, amigos e, o melhor, muito amor. Isso mesmo !!! Meu gatinho veio de SP só pra me ver !!! e conheceu TODA minha família. Ufa! Ainda bem que gostaram dele. Também, acredite, seria impossível não amar meu lindinho.

Me dei um super presente :))) Estou MEGA feliz com tudo o que acontece na minha vida. Espero que esta sensação dure por muitos e muitos anos !!!

Relacionamentos

No post abaixo repliquei, mais uma vez, a coluna do Ivan Martins. Impossível discordar. Somos só garotas. Somos putas. Somos santas. Somos até filhas da puta. Mas somos só garotas. Temos nossas fases, nossos medos, inseguranças, desejos, sonhos, planos, aventuras. Queremos abraçar o mundo com as pernas. Queremos casa, comida, roupa lavada, um marido carinhoso e filhos. Queremos romance, mas sabemos quando é hora de dar uma patada.

Sim, também temos traços de má educação. Educados por quem? Ora bolas, no quesito coração, somos ensinadas pelos homens mesmo. Carrascos de nossas vidas, desde cedo, eles nos ensinam que sobreviveremos aos pés na bunda, independente da força, e que somos fortes o suficiente para recomeçar. SEMPRE. Sei lá, com base na minha vivência e de algumas amigas, percebo como temos a capacidade de nos reinventarmos e, o mais incrível, nós seguimos acreditando no amor.

É verdade que, vez ou outra, aquele velho discurso de que “não acredito mais em homem” aparece. Mas, logo, e isso acontece com frequencia, nos encantamos novamente e nos damos conta de que, apesar do medo, estamos prontas para a próxima decepção. E isso é lindo, não? Então, caros leitores, vamos seguir em frente, colocar nossas dores no bolso, erguer a cabeça e apostar que o futuro será melhor. Sempre. Tenho feito isso e, acredite, não tenho do que reclamar. Tente também.

O romance acabou?

Diante do comportamento das mulheres, tenho um amigo que acha que sim

IVAN MARTINS

IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)IVAN MARTINSÉ editor-executivo de ÉPOCA

Homens também se queixam. Ao contrário do que imaginam as mulheres, muitos deles estão perdidos e confusos com a forma atual dos relacionamentos. Muitos homens se ressentem da falta de relações mais claras, mais corteses, menos predatórias. Sofrem com isso. Tendo vivido experiências ruins e inesperadas, eles se perguntam, angustiados, se o romance acabou.

Conto uma história:

Tenho um amigo que acaba de se separar depois de 10 anos exatos de casamento. Está de volta ao mercado faz alguns meses e descobriu que as coisas mudaram. “As mulheres não são mais as mesmas”, ele concluiu. Meu amigo teve duas experiências parecidas, ambas ruins.

Na primeira, conheceu uma garota numa festa, passaram uma noite bacana – que teve romance, mas não chegou ao sexo – durante a qual ela insistiu, mais de uma vez, que eles deveriam voltar a se ver. Claro, ele disse. Havia gostado da garota. Trocaram telefones. Quando ele ligou, uns dias depois, ela atendeu de forma apressada e evasiva. Meu amigo deixou passar outro par de dias e ligou novamente. Desta vez marcaram um encontro, durante o qual ela se portou de forma distante e fria. Atônito, ele procurou a amiga que os havia apresentado e soube que a garota “tinha problemas com um ex-namorado”. Desistiu de procurá-la.

A outra experiência foi pior. Ele conheceu uma garota, transaram e começaram uma relação. Escaldado pela experiência anterior, diz que evitou procurar demais ou ligar demais ou parecer interessado demais. Funcionou, por algum tempo. Mas, estimulado pelas demonstrações de carinho, interesse e até ciúme da parte dela, ele diz que baixou a guarda e se deixou envolver. Então as coisas começaram a desandar. Diante de alguns perdidos, depois que ela sumiu um fim de semana inteiro, ele perguntou o que estava acontecendo e ouviu um clássico: “Não gosto de ser cobrada”. Daí foi ladeira abaixo até a ruptura, alguns dias e vários telefonemas infames depois. Essa parte todo mundo sabe como é.

Meu amigo está bravo, perplexo e pessimista.

Acha que durante o seu casamento ocorreu uma mutação que transformou as mulheres em bichos masculinizados. Elas não querem proximidade, intimidade, compromisso. O jeito tradicional de conquistá-las – oferecendo atenção, carinho e exclusividade – não funciona mais. Homens e mulheres dizem ao meu amigo que “essas meninas não sabem se relacionar”. Que o único jeito com elas é transar, tratar mal e manter distância. Assim elas ficam interessadas. “Têm pânico de envolvimento”, dizem a ele. Namoro como ele gostaria não existe mais, garantem. Relaxar gostosinho e viver um relacionamento apaixonado? Nem pensar: cada um tem duas ou três pessoas para consumo eventual, mas, a rigor, ninguém é de ninguém. É open bar, dizem a ele, mas não se pode levar nada para casa.

O que vocês acham disso?

Eu acho que estão dizendo ao meu amigo apenas meia verdade. Sim, as coisas mudaram nos últimos anos. As relações entre homens e mulheres se tornaram mais duras, mais ásperas. Sim, as mulheres masculinizaram seu comportamento. Muitas agem com o mesmo desapego e frieza com que os homens sempre agiram: pegam, transam, largam. É uma espécie de retribuição. É também o prazer de exercer seus desejos sem culpas e sem remorsos, sem amarras morais. Com descaso pelo outro, claro. É um mundo darwiniano em que todo mundo bate e todo mundo sofre. Quem pode mais chora menos. Mas qual a surpresa? Vivemos o individualismo triunfante em todos os aspectos da existência, não seria diferente nos relacionamentos afetivos: “Ema, ema, ema, cada um com seus problema”. 

Mas essa é apenas metade da verdade.

A outra metade – eu acho – é que nem todas as garotas estão felizes. Muitas estão loucas para descer da roda-gigante. Também querem carinho e sossego. Precisam ser amadas, bem tratadas, bem comidas. Nunca ter ninguém na noite de sexta-feira é uma droga. Acordar de ressaca no sábado ao lado de um cara qualquer não é o melhor começo de um fim de semana. Andar por aí procurando, todo o tempo, procurando. Quem quer essa vida? Em vez disso, que tal dirigir até a praia de casal, viajar para o Rio no feriado, andar de mãos dadas em agosto na avenida Paulista, antes de entrar no cinema? Minha experiência sugere que boa parte das garotas está interessada em romance, mas nem sabe direito onde procurar – e talvez nem saibam o que fazer quando a possibilidade se apresenta. Há tanto lixo na nossa cabeça que às vezes fica difícil ser feliz, né?

Digo a vocês, portanto, o que eu tenho dito ao meu amigo: paciência.

A mulher certa aparece, as coisas rolam. Já aconteceu comigo, vejo acontecendo à minha volta o tempo todo. As gatas mais selvagens acabam convertidas à monogamia pela dose certa de atenção, sexo e sentimento. Ao menos temporariamente. As mulheres mais evasivas podem ser envolvidas por uma conversa sincera e inteligente – desde que ela venha na hora certa, talvez do cara certo. Há que tentar sem medo.

Importante é não se deixar levar pela misoginia corrente, provocada pela perplexidade e pelo ressentimento dos homens. As mulheres não viraram monstros egoístas. Elas viraram seres humanos mais parecidos conosco. Demonizar o comportamento feminino não ajuda a entender droga nenhuma. Assim como não adianta endeusá-las. Nem santas, nem putas e nem filhas da puta, elas são só garotas.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras.)