Pedraria

Depois de ler meu post do Dia D, minha amiga Luciana me mandou por email um texto da Rosana Herman que muito se encaixa no meu momento de vida. É exatamente isso que estou fazendo com minha pedra. Lá vai:

 

No meio da minha pedra tinha um caminho

Estou com um problema. Grande. Do tipo que me tira o sono, abala minha confiança, desmorona minha vontade. Do tipo que não mata a pessoa, mas rouba-lhe a paz de espírito, como costumam fazer os problemas.

Ele chegou num momento de algumas dificuldades de outras naturezas e me pegou de forma inesperada.

Hoje, fui para a terapia com o problema no colo, em primeiro plano.

Sei que tenho que resolvê-lo e, enquanto isso não acontece, não posso permitir que o problema sequestre de mim justamente o que vou precisar para combatê-lo. Se eu estiver mergulhando e um peixe me atacar, a primeira coisa que eu não posso permitir é que ele leve meu cilindro de ar, porque sem respirar não poderei fazer nada.

No final da sessão, minha terapeuta pediu para que eu esperasse um pouco. Voltou com uma imensa e pesada pedra e entregou-a pra mim, dizendo:

– Toma. Esse é o seu problema. Carregue-o na bolsa o tempo todo e veja como você convive com ele.

Fiquei um pouco surpresa com a atitude. Coloquei a pedra sobre o sofá.

– Não, coloque a pedra na sua bolsa. Carregue-a.

– Sacanagem – eu disse. Vou ter que tirar meu iPad, minha necessaire e até o chaveiro de casa pra compensar esse peso a mais na minha já pesada bolsa.

Saí de lá achando graça e com o ombro sofrendo.

Fui até meu carro. Dirigi até em casa, larguei o carro na garagem e fui fazer as unhas rapidamente para um compromisso à tarde. Levei a pedra comigo, um tanto quanto contrariada.

Ao chegar de volta em casa, pensei:

– Poha, não é porque ELA/ a VIDA  /seja lá quem for  ME DEU esta pedra que eu sou OBRIGADA a carregá-la.

Quem disse que eu TENHO que carregar essa porcaria e ficar sofrendo?

Bom, eu não vou arremessar a pedra contra ninguém, mas também não vou ficar aqui como uma idiota obedecendo uma ordem que não faz sentido. Eu não mereço essa injustiça. Essa dor não me cabe. E eu não vou aceitar.

Cheguei em casa, peguei a pedra, tirei-a da bolsa e achei o lugar perfeito pra ela: a porta do meu escritório que costuma bater quando o vento sopra.

Perfeito. Eu não preciso carregar a pedra, mesmo possuindo-a. Ela vai ficar lá no chão, sem me incomodar. E ainda vai resolver um problema da minha casa pra mim.

E aí eu pensei:

– É isso.

Eu tenho um problema. Mas eu posso tê-lo sem carregá-lo comigo o tempo todo. Eu vou deixá-lo ali. Até a hora de me livrar dele. Sem ficar sofrendo o tempo todo. Essa é a metáfora. Essa é a atitude.

Depois de tantos anos ouvindo o famoso verso de Drummond “no meio do caminho tinha uma pedra”, descobri que “no meio da minha pedra tinha um caminho”.

Dia D – No meio do Caminho

Hoje, dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, é dia de grande comemoração.  Leia Drummond, publique Drummond, pense Drummond. Fica aqui minha singela contribuição.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

Austrália e eu

    Observação: post gigantesco, eu sei. Escrevi sobre Sydney e vou dar um tempo pra falar sobre Melbourne e Port Douglas. Vou poupar vocês rs

Harbour Bridge

A Austrália sempre foi um sonho distante, um país que um dia, quem sabe, depois de ter rodado o mundo, eu conheceria. Pois bem, a vida sempre nos surpreende e, nos últimos 10 meses visitei a Austrália duas vezes. Isso mesmo, duas vezes. Por que? Por amor, claro. Meu namorado foi estudar lá por um ano e não me contive, fui visitá-lo. Acho que na minha vida tudo é mesmo exagerado.

Lembro que, assim que voltei da primeira vez, escrevi uns posts sobre Perth, a primeira cidade onde ele morou. Escrevi sobre alguns programas, praias bacanas e impressões sobre a organização da cidade, dos transportes … Deixei para contar sobre o réveillon em Sydney e a vida na cidade grande depois. E o depois chegou.

Voltei há duas semanas e ainda estou me organizando. Sim, acostumar o corpo, que quer dormir quando se quer ficar acordado, é complicado. Ainda mais porque em Sydney o horário de verão começou antes que o nosso. Ou seja, perdi 2 horas de vida este ano rs . Tenho muitas coisas a contar. A viagem teve uns percalços, mas, no fim, deu tudo certo. Saldo positivo. Além de passar mais dias em Sydney do que da primeira vez que fui à Austrália, agora visitei também Melbourne e Port Douglas. Fiz passeios incríveis, incluindo um vôo de balão e um delicioso mergulho na Grande Barreira de Corais. Mas, vamos por parte:

1)     O Réveillon: Na verdade, na Austrália se comemora o New Year´s Eve. Eu e meu gatinho festejamos a chegada de 2012 no bar da famosa e maravilhosa Sydney Opera House. A festa foi muito boa, música de boa qualidade, pessoas animadas, uma energia bem bacana. A comida, dizia o caro ingresso que pagamos, era liberada, mas não era tão farta. Lembro que eu e Wellington tínhamos que sair correndo atrás dos garçons. A bebida, também bastante cara, era paga. Mas, na boa,  quem já foi até o outro lado do mundo não deve ficar regulando o valor que se paga na bebida, ainda mais em uma festa de fim de ano. Os fogos foram muito bonitos e muito diferentes do que eu já tinha visto. A organização da cidade, que fez com que milhões de pessoas chegassem até a região da Harbour Bridge para ver a queima de fogos, precisa ser destacada. Não vimos nenhuma confusão e o metrô e ônibus funcionaram perfeitamente, sempre nos horários estabelecidos. Uma beleza.

Um espetáculo !

2)     As praias: Sim, Sydney tem belas praias (As de Perth não devem em nada). Todo mundo, certamente, já ouviu falar de Bondi Beach e suas maravilhosas piscinas oceânicas. Mas é preciso destacar ainda Manly, Palm Beach e Dee Why, praias do Norte, que, a meu ver, merecem um reconhecimento maior dos turistas. Aliás, praticamente todas as praias possuem piscinas oceânicas e, sinceramente, isso deveria ser copiado aqui no Brasil. Em dias de mar agitado, as piscinas são TUDO. Banheiros públicos gratuitos, água filtrada à disposição. Tudo muito limpo e organizado. Defeito? Sim, há defeitos. A legislação não permite venda de bebida alcoólica nas praias e nas ruas próximas. Bem, eu, que não bebo muito, não liguei pra isso, mas sei que a maioria dos brasileiros sofre. Também não há vendedores ambulantes nas areias e, confesso, senti falta disso. As mulheres são mais liberais, mas até certo ponto. Vi algumas fazendo topless, mas usando calcinhas de biquíni enormes o suficientes para abrigarem 3 crianças da Etiópia. Qual a lógica do libera em cima e esconde embaixo???

Palm Beach

3)     Compras: O dólar australiano é mais caro que o americano e isso dificulta bastante, mas não impede boas compras, claro. Voltei com as malas cheias das duas viagens. Em Sydney, a George Street é uma loucura, ainda mais no dia 26 de dezembro, quando fazem o Boxing Day com descontos de até 70%. Sério, parecia que estava na 25 de março ou na Saara em véspera de Natal. Era muita gente, um formigueiro e todos comprando muito. Eu e Wellington também entramos nessa onda e compramos de um tudo, até TV ele garantiu rs. Mas isso foi na primeira viagem. Nesta última fui mais comedida e preferi gastar meu dinheirinho em passeios turísticos mesmo. Não me arrependo.

4)     Sydney Opera House: Vale a pena pagar pela visita guiada. O lugar é muito bacana por dentro e a vista que se tem de Sydney é espetacular. Ah, claro, a gente fica conhecendo os bastidores do teatro, a história de alguns shows, musicais,… Recomendo. (http://www.sydneyoperahouse.com/)

Estrutura impressionante

5)     Harbour Bridge: Como da primeira vez, eu e Wellington não tivemos coragem de pagar quase 300 dólares para escalar a famosa ponte de Sydney. Uma jornada de 4 horas. Mas, atravessamos a ponte a pé e pagamos pela visita a um dos pilares da ponte e, este sim, foi um dinheiro bem empregado. Além de assistirmos a um vídeo sobre a construção da ponte, os desafios … tivemos a oportunidade de fazermos belas fotos da ponte e da cidade lá de cima. Super recomendo. Um passeio barato e imperdível. (Se quiser escalar, clique no link http://www.bridgeclimb.com/)

Vista panorâmica de um dos pilares da ponte

6)     Taronga Zoo: Sim, ir ao zoológico de Sydney (http://taronga.org.au/taronga-zoo)  é um passeio fundamental. Além de ver animais que não temos aqui como o Canguru e o Coala, existem uma infinidade de bichos e pássaros impressionantes. Sim, há uma exibição com pássaros adestrados que é muito bacana. E, mais uma vez (ta virando clichê, eu sei), a vista da cidade é muito linda. Talvez a mais bonita que se possa ter. Obs: Os cangurus são bem tranquilos durante o dia. Eles passam horas dormindo… são muito ativos no início da manhã. Cruzamos com 2 naa estrada de Port Douglas para Cairns, mas essa história fica pra outro post.

Uns fofos

7)     Royal Botanic Garden: Passando por trás da Ópera House, chegamos ao Royal Botanic Garden (http://www.rbgsyd.nsw.gov.au/welcome/royal_botanic_garden).  Gramado lindo, flores belas, uma area reservada para plantas exóticas, uma pirâmide de vidro maravilhosa e muita paz. Sim, o jardim botânico é o lugar ideal para se fazer um picnic. Eu e Wellington comemos Tin Tan (chocolate australiano com biscoito que merece todas as honras) e água, mas deu pro gasto. Passamos boas horas deitados naquele gramado, curtindo a natureza, o sol e um ao outro, claro.

Estufa em formato de pirâmide

8)     Luna Park: Nada como a tradição. Inaugurado em 1935, o Luna Park  (http://www.lunaparksydney.com/) ainda conserva a atmosfera do século passado. Um charme que garante toda diversão. E a montanha russa de madeira?? Gentem, dá muito medo, parece que vamos cair nas curvas. Sensacional. Rimos muito e nos divertimos como nunca. Já tínhamos ido ao parque no início do ano, mas decidimos voltar e foi tudo de bom. Descobrimos novos brinquedos, senti medo e euforia… tudo ao mesmo tempo. (Também fomos ao Luna Park de Melbourne, mas o de Sydney é melhor)

Diversão garantida

9)     Noitada: Sim, os australianos sabem se divertir. Dançamos salsa no Ivy (http://merivale.com.au/ivybar) e também fomos ao La Cita (http://lacita.com.au/) e sacodimos o esqueleto em um piano bar muito legal, o Mysnkis (http://www.hotelcremorne.com.au/articles/Minskys/6), que fica no bairro de Mosman, no norte da cidade. Também tivemos uma noite divertida em um boliche, no Strike Bowling, (http://www.strikebowling.com.au/ )seguido por um karaokê. Cantei, cantei, cantei e, claro, desafinei com louvor. Foi ótimo. Foi caro, só o Karaokê custou AUD$ 80 por duas horas. Mas ficamos em uma sala reservada, com um sistema de som ótimo, uma seleção musical variada, iluminação… tudo de bom. Recomendo.

Casal que desafina unido, permanece unido

10) Restaurantes: Tendo dinheiro, se come muito bem. São centenas de opções para todos os gostos.  Jantamos à luz de velas no charmoso e romântico La Rosa Bar e Pizza, que fica na The Strand Árcade, na Pitt Street  Não vou me aprofundar muito nesse tópico porque comida é algo muiiito pessoal. Fomos também ao Jet Bar Caffe, ao Wolfies (que é bem bacana, tem o atendimento mais rápido que já vi na vida e que fica na região do The Rocks), ao Cargo Bar, ao Bescetti, ao Arax , ao bar da Opera House e, claro, como todo bom viajante que vai ficando sem dinheiro com o passar dos dias, fomos ao Mc Donald´s.

Café da manhã no Bescetti

11) Paddington Markets e Paddy´s Markets: Como boa turista, confundi os dois mercados. Um erro grosseiro. O primeiro, o Paddington Markets (http://www.paddingtonmarkets.com.au/) super recomendo. É uma feirinha de artesanato fofa, com produtos descolados e gente bacana que acontece todos os sábados faça chuva ou sol. Fica no bairro de Paddington. O segundo (http://www.paddysmarkets.com.au/) é bom apenas para quem quer comprar tranqueiras baratas. Só vá se tiver muiiito tempo sobrando. E, por favor, não faça como eu e caia no papo daqueles chineses. Fiz uma massagem que me deixou ainda mais dolorida. Tá aí um momento para esquecer em Sydney rs.

12) Sydney Tower: Como bons turistas, visitamos também a Sydney Tower, o prédio mais alto de Sydney (são 309 metros) e fizemos um passeio muito bacana, que foi andar no entorno do prédio, lá em cima, agarrados à estrutura por uma corda de segurança, no que eles chamam de Skywalk. O interessante do passeio, além da vista, claro, é que ficamos em pé numa plataforma de vidro e, em determinado momento, a plataforma se movimenta. Ficamos, literalmente, em cima da cidade, por cima das pessoas na calçada, fora dos limites do prédio. Doida que sou, segui os conselhos da guia e pulei na plataforma. Wellington gelou e quis me matar (acho que as outras pessoas do tour também), mas sou confiante e acreditei no sistema de segurança do prédio. Ufa! Deu tudo certo. Se quiser ter uma ideia do que estou falando, vela o site (http://www.sydneytowereye.com.au/)

13) Hospedagem: Se você está pensando em ir para a Austrália, saiba que, ao menos, metade do seu orçamento será gasto em hotéis. Até mesmo os albergues são caros. Mas, ok, é como eu disse antes, quem vai para o outro lado do mundo não deve ficar regulando esse tipo de coisa.

Bem, estas foram as minhas impressões. Claro que poderia falar muito mais, fiz amigos, conheci pessoas interessantes, assisti espetáculos na rua, fui ao Museu de Arte Contemporânea, poderia falar sobre algumas regiões interessantes, como o The Rocks, ou mesmo sobre o chique bairro de Mosman. Também não comentei sobre os dois jantares agradáveis na casa da família postiça do Wellington… foram 18 dias e seria impossível contar tudo e todas as minhas impressões, meus momentos alegres … Existe um mundo de informações sobre Sydney na internet e não cabe aqui ficar relatando tudo. Recomendo este site oficial  (http://www.cityofsydney.nsw.gov.au/) Se decidir conhecer, boa viagem. Aposto que, apesar das muitas e muitas horas de voo, você não vai se arrepender. Mas, é como sempre digo, não há nada melhor que voltar pra casa, pra nossa família, amigos e pra nossa vidinha. Viva a minha cidade maravilhosa do Rio de Janeiro e suas belas praias.