Sem ressentimentos. Foi assim, com esta simples frase que uma pessoa do meu passado veio a definir como estaria nossa relação hoje. Como não estou disposta a causar polêmica com ninguém, respondi ‘Claro’. Mas que fique entendido: aind, não cheguei á etapa do ‘sem ressentimento’. Nossa, como me arrependo de algumas coisas e como fico puta com isso. Claro que estou ressentida, magoada e um tanto de outras coisas com esta pessoa. Mas, na boa, vida que segue né. Mais uma ou menos uma pessoa a me sacanear não vai fazer muita diferença. Até porque, de boa, cheguei à conclusão de que minha vida é um apanhado de escolhas erradas. De amizades erradas. De dedicação a projetos que não levam a lugar algum. Um grande emaranhado de decisões equivocadas. A única certeza que tenho é a de que o passado ficou no passado e, apesar destes pequenos ressentimentos da vida, vou tocando.

Sim, eu sei que viver com esta sensação é ruim, péssimo, uma merda. Mas não tenho ou não conheço nenhum botão de reset no meu corpo. Ainda não consigo esquecer algumas coisas. Superar sim, mas esquecer… não dá pra esquecer quem te sacaneou, te passou pra trás, de iludiu e tal. Não gasto também um minuto do meu dia me lamentando ou pensando nestas pessoas. Só venho a lembrar mesmo dessas situações quando os causadores delas, como foi o caso de uma conversa recente que tive com uma dessas pessoas no Facebook, vem me lembrar. Não fosse isso, porra, foda-se. Eu não estaria nem aí. Fico puta mesmo é com a cara de pau alheia de sacramentar que está tudo bem, sem ressentimento algum. E isso sem, ao menos, perguntar se estou de acordo.

Até porque, a meu ver, estas situações deveriam ser acordadas com as pessoas. Para que eu fique de bem com uma pessoa é preciso que ela queira ficar de bem comigo. Não? Sei lá, a mim parece que funciona assim. Não acho que há acertos deste tipo de uma única via. Quem diz que o faz está, na verdade, querendo limpar sua própria barra, sua consciência. Só posso achar que alguma situação está superada se as partes envolvidas sabem disso, se elas conversam, se acertam, perdoam possíveis falhas. Afinal todos nós estamos sujeitos a erros. Muitos deles. Não acho certo, por exemplo, que eu, mentalmente, diga que está tudo bem com determinada pessoa e viva feliz com isso. Sabe-se lá se a outra pessoa está na merda?

Eu já fui sacaneada e, mesmo sem querer, sacaneei pessoas. A vida é assim mesmo. Acontece comigo e com você. Com todos nós. Uma hora somos pedra. Na outra, vidraça. Por isso mesmo acho que, quando apenas uma pessoa diz que superou, o que até pode ser verdade, significa que ela entendeu, deixou pra lá, viu que não tem importância e que aquilo não faz mais sentido em sua vida. Mas a gente nunca sabe se a outra parte sente da mesma forma. É difícil saber. É uma relação delicada.

No entanto, em nome da paz mundial, a gente (entenda-se por mim) acaba acordando com estas frases do ‘sem ressentimento’. Até porque sabe que não vale a pena o diálogo com determinadas pessoas. Não vale a saliva. O melhor é deixar mesmo no passado. Bem, falo por mim, claro. Não tenho mais idade ou disposição para tal. Apenas limo da minha vida aquilo que não mais me interessa. Não me serve? Fora. Me traiu? Fora. Me sacaneou? Fora…  E isso serve para pessoas, sentimentos, trabalho, coisas em geral. Um benefício dos meus 37 anos. Amém.

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