Cape Town – a cidade: primeiras impressões

capetownAs aulas só começariam na segunda, mas cheguei na sexta-feira. E foi uma decisão muito acertada. A Maria, que me hospedou, me buscou no aeroporto e já na viagem até a casa dela pude perceber o quão acertada foi a minha escolha. Cape Town é uma cidade incrível: linda, organizada e limpa! E cheia de flores exóticas e muito bonitas. Parece bastante com o Rio de Janeiro, mas só no quesito linda rs.

Imprensada entre a montanha, a famosa Table Moutain, e o mar, a cidade tem um visual único. É colorida, alegre, divertida. Todos nas ruas parecem estar felizes, muita gente se exercita ao ar livre. Não faltam bares e restaurantes charmosos ao longo da orla. As ruas são extremamente limpas e as pessoas são cordeais.

E venta!! Como venta! Ao menos na primavera. A Maria disse que no verão o vento para de soprar, o que deve ser ótimo.Por volta do meio dia a temperatura beirava os 30 graus, mas à noite…. aí era complicado. Ao menos pra mim, carioca. Fazia frio e a situação ficava ainda pior com tanto vento. Mas, ok, tudo suportável.

A primeira coisa que fiz ao chegar na casa da Maria foi pedir para ir ao supermercado. E assim me encaminhei ao Woolworth mais próximo para comprar coisas básicas, alguma comida, sabonete… essas coisinhas. A Maria me deixou lá de carro, mas voltei a pé para casa.  Depois do banho e de um lanche rápido, de volta para a rua.

waterfrontFui caminhando de Sea Point, bairro onde me hospedei, até o Waterfront, um shopping com lojas incríveis, cinema, restaurantes, bares, docas… enfim, um lugar lindo que reúne de tudo um pouco.Essa roda gigante aí ao lado fica lá também.

A paisagem é encantadora e há sempre músicos e artistas de rua fazendo algum tipo de performance. Há também um mercadinho de comidinhas huuummm (Food Market), bem especial. Minha vontade era comer lá todos os dias, mas iria engordar horrores se o fizesse. A foto está aí embaixo. Não vou dar nenhum clique nas comidas porque é bem capaz de a gente engordar apenas olhando para a foto rs.

food-marketO artesanato local vendido no Waterfront, sobretudo no Water Shed, é encantador. E, de novo, a vontade que eu tinha era de comprar tudo. Mas o objetivo da viagem não era turismo/compras… então esse instinto gastador ficou de lado. Sério, comprei o básico do básico. Vale ressaltar que, apesar de o real valer quase quatro vezes mais que o Rand, moeda local, o preço dos produtos é equivalente. Tirando a comida em restaurantes, que é mesmo muito mais barata que no Brasil, o resto dá na mesma.

bancoNo dia seguinte decidi percorrer o centro da cidade e descobri que eles oferecem três diferentes tipos de Walking Tour. E todos gratuitos!! O primeiro que fiz foi o Historic Tour, que passa nos principais pontos da cidade como o Slave Museum, onde eram negociados os escravos, o Botanical Gardens, o parlamento e, pasmem, até por um pedaço do Muro de Berlim. Isso mesmo, quando foi presidente, Mandela trouxe de uma viagem à Alemanha, um pedaço do muro e o fincou no Centro da cidade para que todos lembrem sempre do que a intolerância é capaz de fazer.

Este tour histórico também nos leva a locais onde ainda há bancos da época do apartheid. Bancos onde só brancos podiam sentar e outros especiais para os não brancos. Muito doido tudo isso. E imaginar que o apartheid só acabou em  1994. Na verdade, ele nem deveria ter existido. Por ser muito recente, a segregação é ainda muito visível no país.

cityhallOutro ponto alto do tour é que o guia nos leva para o City Hall (da foto ao lado), local onde Mandela fez seu primeiro discurso como presidente. E é muito interessante ouvir da boca de uma pessoa que estava lá, naquela praça lotada, totalmente espremido, sobre a emoção de ver/ouvir Mandela falar como presidente. Deve ter sido mesmo muito incrível.

O segundo dos Free Walking Tour que fiz foi o  Bo-Kaap tour, que nos leva para o bairro das muitas casinhas coloridas. A história deste tour é incrível e o fiz duas vezes. Bo-Kaap é conhecido como o bairro malaio e é também o local onde foi construída a primeira mesquita do país e que reúne o maior número de muçulmanos.

bokaap2O motivo de as casas terem recebido cores tão vibrantes? Bem, não se sabe ao certo como começou. Mas contaram no tour que teria começado com uma senhora que não sabia ler e escrever e decidiu pintar a casa com uma cor bem chamativa para que pudessem lhe entregar as contas. Outro guia me disse que um médico queria diferenciar sua casa das outras, já que a arquitetura é beeemm semelhante, e teria tacado um vermelho na fachada.

bokaap3Na época da escravidão, o bairro foi declarado como sendo exclusivamente para moradia dos escravos. E escravos vindos de outros países da África, Índia, Malásia e Indonésia… fixaram moradia por ali.

O terceiro tour gratuito que fiz foi no District 6, mas este merece um post exclusivo. A história deste bairro é pesada e merece ser lembrada para que nunca mais aconteça. Fica aqui, então, a dica para que façam esses passeios gratuitos. E façam logo que chegarem à cidade. Dá para ter uma ideia de como se posicionar no centro da cidade e saber um pouco mais sobre a cultura e história local.

Confesso que fiquei surpresa com o desinteresse de alguns alunos em fazer este tipo de passeio. Insisti com alguns e os convenci a tentar. E eles adoraram. É mesmo um must do. Espero que, se um dia puder ir à Cape Town, caro leitor, faça estes três passeios. A satisfação é garantida.

 

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